domingo, 15 de novembro de 2009

Vídeos da Semana

Décio Caetano no Confraria.


Índigo Blues -Trem do Pantanal -Almir Sater

Banda Índigo Blues de Belém do Pará tocando "Trem do Pantanal" de Almir Sater (Paulo Simões e Geraldo Roca) no Programa Café Cultura da TV Cultura do Pará, gravado em 14.12.2007.

Val Fonseca (Gaita), Zé Puget (Violão 12 Cordas), Marcelo Lúcio (Slide Violão Dobro)e Vinícius Leite(Violão).


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

05-11-2009 Super show dos The Hookers

Nos últimos meses, com a lei anti-fumo, que vigora em São Paulo, os bares com música ao vivo tem perdido muitos clientes, que já tinham diminuído muito por conta da Lei Seca. Com isso os shows de blues diminuíram muito.

Mediante a esses fatos, os convites que eu recebia para shows de blues quase se extinguiriam, mas esta semana recebi um flyer para um show em um ateliê e resolvi conferir, afinal a banda The Hoockers é repleta de bluseiros de primeira qualidade.

Como fui direto do trabalho e tinha no porta malas do meu carro meu violão resonetor, arrisquei e levei ele junto para o show. Ao entrar no local, me surpreendi com a decoração, que foge totalmente dos bares convencionais de São Paulo. Isso não é de se estranhar, pois o lugar é um ateliê e não um barzinho, mas o que me cativou foi que o local é repleto de objetos antigos, entre eles sofás, cadeiras poltronas, mesa de jantar e todos os tipos de bancos e móveis, além de objetos diferentes que compõem uma harmonia incrível.

O publico me surpreendeu muito, pois o ateliê estava repleto de pessoas animadas prontas para escutar e dançar o bom e velho blues.

Depois desta descrição do local, devo focar no assunto mais importante da noite, que foi o som maduro e perfeito da banda. Realmente foi um espetáculo que eu estava desacostumado a ver.

A banda é composta por feras, entre elas o meu grande amigo Rodrigo Burin(Guitarrista), que sempre me surpreende com seu solos e bases únicas, o Fernando Rapolli(Bateria), um músico com uma vasta experiência e que toca blues como poucos, Chico Suman(Vocal e Guitarra), tem um dos melhores vocais que já escutei em todos os tempos, além de dominar a guitarra com segurança e a elegância dos grandes mestres de Chicago e por fim o Paulo “Big Blue”(Vocal e Baixo), tem uma voz poderosa e grave além de dar uma aula com as linhas de blues que executa em seu contrabaixo.

O repertório é um dos melhores que já escutei, é repleto de clássicos e contém composições próprias, sendo uma delas a que fui chamado para tocar com meu resonetor. Posso dizer que foi uma experiência incrível, me senti como se estivesse em Chicago.

Esta banda tem grandes diferenciais, como os dois vocalistas que tem características vocais completamente diferentes, as guitarras que seguem melodias diferentes, evitando aquele bolo sonoro e uma cozinha muito bem entrosada.

Mediante aos grandes elogios descritos neste post, digo para vocês, fiquem de olho e ouvidos abertos para esta banda e podem ir sem medo ao próximo show deles na Liège, pois a experiência é única.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Luthieria com Mr Dark Blue Eyes

Mr. Dark Blue Eyes é um pesquisador e um grande amante do Blues, sua paixão o levou a construir réplicas de instrumentos musicais, totalmente rústicos e com materiais reciclados.

TB: Como surgiu a idéia de construir as Cigar Box Guitars e os washboards?

DBE: "Descobri as cigar box guitars e os washboards pesquisando sobre o blues,suas origens e os primeiros instrumentos usados.Como os negros ex-escravos não tinham condições de comprar um instrumento industrializado, eles começaram a adaptar.Caixas de charutos que viravam guitarrinhas,tabua de lavar roupa que virava instrumento de percussão...Fiquei encantado com esses instrumentos,os sons que eles produzem, com a criatividade desse povo, os personagens que criaram e desenvolveram o blues....estou pesquisando,todo dia, há mais de 8 meses, e todo dia conheço um personagem,musico, diferente.(VIVA A INTERNET, O GOOGLE,WIKIPEDIA E O YOUTUBE MINHAS PRINCIPAIS FONTES DE CONSULTAS).Cada personagem,cada história de vida...E o site,criei justamente para difundir aqui no Brasil, as origens do blues e os primeiros instrumentos usados."


TB: Seus instrumentos são construídos com material Reciclado. Qual o motivo para essa escolha?

DBE: "Assim como eles usavam materiais reciclados para a confecção dos instrumentos, adotei a mesma idéia. Eles usavam porque não tinham grana,condições, e tinham q se virar com o que aparecia,eu uso por opção, por ser ecologicamente correto e esteticamente bem interessante,diferente.


O uso de materiais reciclados é parte fundamental do conceito das minhas rustic guitars.Quero manter o mesmo conceito que eles tinham, reciclar e criar com o que tiver à mão.Esse é o legal das cigar box guitars,elas não tem um padrão.Uma caixa de charuto,um cabo de vassoura,um arame e mais algumas pecinhas e os caras iam defender o leitinho das crianças, ou a agua que passarinho não bebe,rs, na esquina movimentada do pedaço...mas eu uso tarracha de guitarra importada e cordas de aço novas,as unicas "peças originais"."

TB: Em linhas gerais, como é o processo de fabricação? Quanto tempo leva para fabricar uma Cigar Box?


DBE: "Bem simples,escolho uma madeira boa,legal,para o braço,corto,passo verniz, faço os furos pras tarrachas e na outra ponta fixo uns suportes para as cordas, corto a caixa de charuto, fixo o braço, ponho a ponte e o capotraste e já é rsrsrrs,levo por volta de umas 3 horas para finalizar uma cigar box acustica,ja as eletricas levam um pouco mais de tempo."

TB: Mr DarkBlueEyes, muito obrigado por participar do Blog, deixo agora este espaço para suas considerações finais.

DBE: "Quero agradecer o espaço, o convite para a reportagem e quero deixar aqui minha sincera homenagem aos meus pais, que me iniciaram no maravilhoso mundo da música e a alguns grandes mestres do blues, na verdade, seus verdadeiros criadores: LEADBELLY, CHARLEY PATTON, SON HOUSE, WILLIE BROWN, TOMMY JOHNSON, BLIND WILLIE JOHNSON, entre outros, nomes que a grande maioria dos amantes do blues desconhece, mas sem esse figuras nem mesmo Robert Johnson teria tido o rumo que teve.

Paz, amor e muito blues...."

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Vídeo da Semana

Entrevista com Tiffany Harp Gaitista na Furb TV em Blumenau.


domingo, 20 de setembro de 2009

Mestres das seis cordas com Léo Maier

O Blues brasileiro ainda guarda muitas surpresas boas e uma delas é um guitarrista e vocalista que está levando para Blumenau o bom e velho blues de Chicago.

Léo Maier é um verdadeiro representante de uma das melhores épocas do Blues. Com frases fortes e um vocal poderoso, esse Bluesman mostra o verdadeiro blues em seus shows.

TB: Em que momento da sua vida você decidiu que queria ser guitarrista?

LM: "Faz 10 anos que a guitarra entrou na minha vida. Meu primeiro 'guitar-hero' foi o Slash. Aqueles solos e aqueles riffs me faziam querer tocar cada vez mais e ali eu começava a entender quanta emoção pode ser expressada através de uma guitarra. Quando conheci o Blues a coisa foi ficando mais séria. Eu simplesmente fiquei hipnotizado com o som de mestres como Stevie Ray Vaughan, Freddie King, Albert King, Lightnin´ Hopkins e muitos outros. Eles simplesmente falam através do instrumento e expressam todos seus sentimentos daquele jeito tão poderoso e único. E assim decidi ,"quero tocar guitarra minha vida inteira". "

TB: O blues de Chicago é algo muito evidente na sua maneira de tocar. Qual o motivo dessa influência tão forte no seu som?

LM: "No começo eu tocava o Blues que chamam de "moderno". Era algo mais pesado,com mais distorção. Eu gosto de chamar isso de Blues Rock. Com o tempo fui mergulhando nas raízes e conhecendo os velhos mestres do Delta do Mississippi e do Chicago Blues. Quando entrei para a banda Capone Brothers (que acompanha a gaitista Tiffany Harp),fui muito influenciado pelo som de Chicago.Meus amigos do The Headcutters tocam muito aqui em Blumenau e região e eles me ajudaram também a ficar cada vez mais apaixonado pelo Chicago Blues. Hoje,minhas maiores infuências são Buddy Guy, Jimmy Rogers, Luther Tucker, T-Bone Walker, Clarence 'Gatemouth' Brown e o guitarrista de jazz Wes Montgomery. "

TB: Além de um excelente guitarrista, você é um ótimo vocalista. Se você tivesse que escolher entre a guitarra e o microfone, qual seria sua opção?

LM: "Muito obrigado. Eu escolheria a guitarra . Sou inseguro por natureza e definitivamente não me sinto a vontade cantando. Eu comecei a cantar porque quando começamos a montar nossas bandas de Blues aqui em Blumenau, ninguém queria cantar e acabou sobrando pra mim (rsrs).Virei meio que um 'quebra-galho' no microfone e com o tempo decidi que cantaria assim mesmo. Sempre peço dicas de amigos que são vocalistas de verdade e isso vem ajudando bastante eu acho."

TB: Muitos músicos tem algumas manias antes do show, o que você pensa ou faz minutos antes de entrar no palco?

LM: "Eu não costumo fazer nada, praticar ou algo assim. Eu apenas penso em fazer um ótimo show para as pessoas que estão ali curtindo e muitas vezes conhecendo o Blues (apresentar para elas essa música tão poderosa que mudou e influenciou o mundo todo) .Penso nos grandes mestres e sempre espero que eles fiquem orgulhosos."

TB: Léo é muito bacana ter um talento igual a você nas páginas do Blog. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

LM: "Obrigado novamente. Primeiramente quero agradecer essa oportunidade Roberto. Acompanho sempre seu blog e você está de parabéns. Tenho uma paixão e um respeito gigantescos pelo Blues e gostaria de dizer aos seus amantes e apreciadores que continuem espalhando essa música maravilhosa pelos vários cantos do Brasil(e do mundo) e sempre lutando por ele, mantedo-o vivo. Sempre digo que muitas pessoas gostam de Blues mas infelizmente não o conhecem, ou seja, nunca tiveram a oportunidade de ouví-lo.Tocar com toda a emoçao e toda a verdade que existe dentro de você é uma das coisas que faz o Blues tão único. "Everything gonna be allright...".Um abraço."


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Vídeo da Semana

Renato Zanata fazendo um som maravilhoso, "Blues em RÉ-médio do Campo".




Cover de Damn Right I´ve got the Blues do Buddy Guy. Marcio Pignatari e os Takeus na Feira da Natividade/2008.


terça-feira, 11 de agosto de 2009

28-08-2009 SEGUNDO OZ BLUES JAM

SEXTA, 28/8 A PARTIR DAS 21H
TOKA'S DANCE BEERR.
GASPARINO LUNARDI, 91 - KM18
OSASCO/SP
INGRESSOS: R$5,00 (ANT) / R$10,00 (BIL.)

NO PALCO:
* ROBSON FERNANDES
* ANDRÉ HOHMER
* ROBERTO TERREMOTO
* CLÁUDIO CROTTI
* ALÊ ROSSI
* BLAU ARAUJO

AQUECIMENTO: SUBSOLO BLUES JAM

INFORMAÇÕES:
Twitter: http://twitter.com/blauaraujo
Mùsica e opinião: http://cenamusical.org
Projeto Banzo: http://thebanzoproject.cenamusical.org
Comunidade do Projeto Banzo:http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=91457838

terça-feira, 4 de agosto de 2009

FESTIVAL HORIZONTE BLUES JAZZ INSTRUMENTAL de 12 a 30 de agosto de 2009

Exposições, oficinas, exibição de vídeos e apresentações musicais acontecem de 12 a 30 de agosto de 2009 no Centro Cultural Padre Eustáquio. Entrada é gratuita!

Durante o mês de agosto, Belo Horizonte ganha mais um Festival voltado para os amantes de blues e jazz. De 12 a 30 de agosto de 2009, a região noroeste será palco do evento Horizonte Blues Jazz Instrumental que vai reunir os principais músicos do gênero da cidade em um mix cultural apresentado em diferentes linguagens artísticas, com shows, exposição e vídeos. O evento tem parceria da Fundação Municipal de Cultura e Sesc-MG e acontece no Centro Cultural Padre Eustáquio, com entrada gratuita.

Entre os destaques da programação, apresentações musicais no dia 16 de agosto de 2009, domingo, de 11às 20h com grupos e músicos como: Legado Blues, Yer Blues, Flying Hands Fusion, Cia Starling, Mangassô, Auder Jr. & Blues Bang, entre outros. Além dos shows, o Centro Cultural também recebe, de 12 a 30 de agosto, exposições de artistas plásticos que tiveram inspiração nos gêneros blues e jazz. Entre eles, Marcos Kaoy que transforma vinil em obras de artes, realizando uma verdadeira viagem na pintura e na história musical.

O Festival oferece ainda oficina de Voz e Guitarra com especialistas convidados pelo Centro Cultural, no dia 15 de agosto de 2009, sábado às 15h. Serão 30 vagas, as inscrições poderão ser realizadas até o dia 12 de agosto pelo telefone (31)3277-7269 ou pelo e-mail ccpe.fmc@pbh.gov.br. O evento conta também com uma mostra de filmes e clipes em diferentes dias e horários. Nas telas um pouco da história do blues e jazz, como no filme “Jazz um filme de Ken Burns” e clipes clássicos e contemporâneos, como de Ray Charles ou Narah Jones.
Para o curador do evento, Aristóteles Caetano, o Festival visa valorizar o trabalho autoral dos músicos e promover a descentralização do gênero na cidade. “Queremos levar para as regiões periféricas um projeto de Jazz e Blues. Em Belo Horizonte, eventos como estes estão centralizados na região Centro-Sul”. Segundo ele, levar o gênero para um espaço público e de forma gratuita é uma grande vitória. “Para os amantes de blues e jazz o Festival é a realização de um sonho. Pois quem é conhecedor dos gêneros sonha em ver eventos em um espaço publico na sua terra natal, no caso Belo Horizonte, assim como acontece nos EUA, Inglaterra, França, Áustria”, revela.

Aristóteles afirma que na apresentação musical do dia 16 de agosto de 2009, domingo, o público vai encontrar vários estilos “desde vertentes do fusion a linguagem mais clássica o blues passando ainda por vertentes mais puristas ao gênero, lapidando o groove a mais radiofônica do rock blues”, reforça. Segundo o curador do evento, é uma oportunidade para a comunidade aproveitar uma tarde de domingo “para abrir seus horizontes para novos e velhos sons”.
“Na nossa programação temos os principais nomes da cidade. Pegue, por exemplo, o histórico da banda Legado Blues que já tocou com os principais nomes do gênero no país e até do exterior. Temos ainda o trabalho do Yer Blues que tem mais de 10 anos de dedicação. O Auder Jr é um dos principais guitarristas do país, ele foi responsável por abrir as portas para várias bandas no exterior. Outro destaque, é o fusion do Flying Hands ou ainda o Quarteto Seteclávio, que reúne quatro ex alunos do Palácio das Artes para interpretar clássicos do jazz e blues de forma instrumental. Temos ainda a orquestra mais antiga do estado, S.M Carlos Gomes tocando clássicos e ainda dois DJs renomados, Paloma Santos e DJ Yuga, que fazem a cena clube da cidade com suas experimentações sonoras e neste festival prometem sets exclusivos de suas influências do gênero”, enumera o curador.

Mas qual a diferença deste Festival para outros que já acontecem não só na capital mineira, como no interior do Estado? Para Aristóteles Caetano a principal diferença é vontade dos artistas envolvidos de tocarem de forma gratuita e pelo charme do espaço cultural recém criado, conquistado pela comunidade via orçamento participativo. “Com o Festival Horizonte Blues queremos movimentar, provocar, divulgar, mostrando que o interesse pelo gênero não tem classe social, pelo contrário, atraí a todos pela sua musicalidade e charme”, reafirma.
Confira a programação do evento.

PROGRAMAÇÃO FESTIVAL HORIZONTE BLUES JAZZ NSTRUMENTAL

EXPOSIÇÕES:Data: 12 a 30 de agosto.Horário: 8h às 17h Local: Pátio interno do Centro Cultural Padre Eustáquio. Endereço: Rua Jacutinga, 821, Padre Eustáquio, Belo Horizonte/MG.

ARTISTAS E SEUS TRABALHOS

ARISTÓTELES CAETANO: Cria cenários musicais através do desenho, destacando os músicos e os instrumentos. É desenhista auto ditada e desenvolve trabalhos simples, mas com riscos e rabiscos de forte identificação, ‘brincando’ com a possibilidade de fazer rostos conhecidos ou não. Utilizando lápis ou caneta, papel vegetal ou ofício, os traços simples tomam forma, muitas vezes caricaturais, porém, com grande significância. Descobriu, aos oito anos de idade, nas aulas de educação artística, a possibilidade de registrar personagens conhecidos ou anônimos de forma descontraída ou não. Atualmente, dedica-se ao registro artístico de “figurões”, artistas de gêneros musicais, como blues e jazz, além de alguns bons amigos em desenhos únicos e exclusivos.

MARCOS KAOY: Desenvolve um trabalho artístico inusitado e surpreendente, transforma vinil em obras de artes, realizando uma verdadeira viagem na pintura e na história musical. Mineiro, natural de Belo Horizonte, é artista plástico e músico de formação auto-didata. Iniciou sua trajetória musical da década de 80. Nos anos 90, a partir de pesquisas de gêneros da música, começou a retratar suas vivências musicais na noite belorizontina, através de pinturas e imagens que refletissem aqueles momentos. Seu processo de criação é auxiliado pelo que é descartado na natureza e através deste processo é que dá origem aos seus quadros. Atualmente, vem explorando a técnica de decopagem em vinil, fazendo referência aos estilos musicais pesquisados por ele e atribuindo, por sua vez, uma nova percepção dos grandes nomes do blues e jazz, retratados em seu dia-a-dia.

RENATO LOPES: Apresenta personagens e cenários de uma vida noturna através de desenhos em grafitte e pintura. Artista plástico, bacharel em pintura pela Escola de Belas Artes da UFMG, participou de diversas exposições coletivas em espaços alternativos da cidade. Produz seus trabalhos utilizando as técnicas: pintura acrílica e guache seco sobre papel em preto e branco e acrílica a cores sobre tela.

TALES SABARÁ: Os personagens boêmios ganham vida nos retratos produzidos pelo artista através da pintura. Mineiro, natural de Congonhas onde, aos 12 anos, despertou sua veia artística matriculando-se num curso de desenho e pintura. Formou-se, recentemente, em pintura, pela escola de Belas Artes da UFMG, onde conquistou o 1º lugar no prêmio de relevância acadêmica, com seu projeto sobre a obra do artista Guinard. Suas telas são pintadas utilizando-se as técnicas de pintura em óleo ou têmpera vinílica e os desenhos em papel em nanquim ( modo expressionista ) ou grafite.

OFICINAS E WORKSHOPS

Tema: Voz Responsável: músico Geovani Trigueiro Data: 15 de agosto, sábado. Horário: 15h

Tema: Guitarra Responsável: Guitarrista Marcelo Ferreira Data: 15 de agosto, sábado. Horário: 15h Local: Centro Cultural Padre Eustáquio Endereço: Rua Jacutinga 821, Bairro Padre Eustáquio BH/MG
Inscrições: * Serão 30 vagas, as inscrições poderão ser realizadas até o dia 12 de agosto.

Informações: (31)3277-7269 ou ccpe.fmc@pbh.gov.br EXIBIÇÃO DE VÍDEOS E CLIPES

Data: 05 de agosto às 19h30Vídeo: Blues Brother´sLocal: Centro Cultural Padre Eustáquio 12 de agosto às 19h30Vídeo: Norah Jones live in New OrleansLocal: Centro Cultural Padre Eustáquio

Data: 14 de agosto às 16h30Vídeo: The CommitmentsLocal: Centro Cultural Padre Eustáquio

Data: 15 de agosto às 14hVídeo: The BluesLocal: Centro Cultural Padre Eustáquio

Data: 19 de agosto às 19h30Vídeo: Ray CharlesLocal: Centro Cultural Padre Eustáquio

Data: 24 a 29 de agosto às 15hVídeo: Jazz um filme de Ken BurnsLocal: Centro Cultural Padre Eustáquio

Data: 26 de agosto às 19h30Vídeo: Nina Simone - Live at Montreux 1976Local: Centro Cultural Padre Eustáquio

APRESENTAÇÕES MUSICAIS:

Data: 16 de agosto, sábado. Horário: 11 às 20 horas Local: Centro Cultural do Padre Eustáquio (Feira Coberta)Endereço: Rua Jacutinga 821, Bairro Padre Eustáquio PROGRAMAÇÃO

11h - SOCIEDADE MUSICAL CARLOS GOMES
Banda Musical da Região Noroeste de Belo Horizonte, fundada em 1896.

11h30 – FLYING HANDS FUSION

12h – CIA STARLING
Apresentação inédita de três músicos mineiros, que interpretam clássicos do blues em formato instrumental.

12h 30 – MANGASSÔ
Pense em algo universal que contenha aquele tempero único de sua terra. Ou ainda, a pesquisa de diversas sonoridades com inerentes trejeitos mineiros. Imagine um lugar em que a confluência dos universos líricos de Caetano Veloso, Seu Jorge e Djavan só se justifica se capazes de incitar à dança. Vislumbre um acontecimento em que o pop sinta-se completamente à vontade na presença do samba, do jazz, do soul e do funk. Pois é assim o som da banda
Mangassô: um pé na soleira e outro no mundo. Fonte: www.myspace.com/mangasso.

13h30 – AUDER JR. & BLUES BANG
Auder Junior é músico, formado e pós-graduado pela UFMG. Desenvolve intensa e premiada carreira como guitarrista. Participou de importantes bandas como: Easy Rider (Sony music). Dono de um estilo inconfundível, reconhecido pela crítica e pelo público, Auder Junior elaborou o seu primeiro CD solo: Music Is The Only Way. Trata-se de um trabalho em que interpreta grandes momentos do Rock and Blues. Atualmente, Auder Junior participa das bandas Viva Santana, Led III e Auder Jr & Blues Gang, com as quais se apresenta freqüentemente em conceituadas casas brasileiras de espetáculos.

14h30 – YER BLUES
A Yer Blues é uma banda dedicada à memória dos mestres do blues. Carrega a marca forte de BB King, Muddy Watters, Albert King, Robert Johnson, Buddy Guy. Seu repertório contempla também o que há de melhor do rhythm and blues como Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan, Jonh Mayall, Peter Green, entre outros, além de composições próprias. A guitarra é tocada por Alexandre Castro, Sebastião Ferraz comanda o baixo, André Simil, a bateria, Hercules Macedo faz o vocal, Leandro Sayd as harmônicas e saxofone. A Yer Blues traz um som consistente e se compromete com uma viagem no tempo e no espaço, fazendo uma ponte entre o passado e o presente, entre Belo Horizonte e o blues do Mississipi, Texas e Chicago, trazendo na alma de seus músicos toda a intensidade do gênero. Fonte: www.myspace.com/yerbluesbh.

15h30 – LEGADO BLUES
(PARTICIPAÇÃO QUARTETO SETECLÁVIO)
Com inúmeros shows na bagagem, a proposta do Legado é fazer um blues alegre e criativo, sempre um show pulsante, trazendo ao som tradicional influências do groove. Os destaques são as composições próprias "Mister Money", "Fica assim" e "Gol" do Legado Blues, que remetem às fusões rítmicas da herança musical brasileira de Celso Blues Boy, Tim Maia, Lenine, Cazuza e Raul Seixas. A banda também apresenta releituras para composições internacionais de The Doors, Beatles, Jimi Hendrix, entre outros. Fonte: www.myspace.com/legadoblues INTERVALOS AMBIENTAÇÃO DJSDJ PALOMA SANTOSEx-estudante de jornalismo, sempre se apropriou do humor para criticar temas polêmicos, como política e direitos humanos. Adora, também, replicar as indagações masculinas sobre relacionamentos, TPM e mistério do banheiro feminino. Outra paixão da DJ Paloma é o jazz. Entusiasta do gênero vem se apresentando como discotecária, trazendo a BH um estilo inusitado-electrojazz. Fonte: http://www.xn--queijocomediacachaa-nyb.com.br/paloma.html DJ YUGA
Desde a infância em Nanuque, o pequeno Yuri já "fuçava" a coleção de discos do tio, onde conheceu Roberto & Erasmo, Jackson do Pandeiro, João do Vale, Clara Nunes, Gilberto Gil, Jorge Ben, Tim Maia, Demônios da Garoa e Os Velhinhos Transviados. Já na adolescência, começou a levar alguns discos para as festas de colégio, sempre se interessando por sons menos populares e, no entanto de boa qualidade. Aos 21, vem para a capital mineira, se tornando colecionador de discos de vários estilos e épocas. Algumas oportunidades surgem para tocar em festas, sendo seu "debut" realizado numa das mais conceituadas casas de show de Belo Horizonte, o Lapa Multshow. Fonte: www.myspace.com/djyuga.

SERVIÇO


FESTIVAL HORIZONTE BLUES JAZZ INSTRUMENTAL
Exposição, shows e mostra de filmes
De 12 a 30 de agosto


Centro Cultural Padre Eustáquio (Feira coberta)
Rua Jacutinga 821, Bairro Padre Eustáquio
Informações: (31) 3277-7269
http://www.horizontebluesjazz.com.br/

(*produção direto - 031.86785771)

Informação para Imprensa

- Erika Pessoa (31) 9347-3993
- Iaçanã Woyames (31) 8437-6032
- Anna Rocha (31) 8862-6563
- Flávia Tavares (31) 8859-2383

PESSOA Comunicação e Relacionamento
Telefone: (31) 3485-7875Rua Conselheiro Lafaiete, 109 - sala 4
Bairro FlorestaBelo Horizonte - Minas Gerais -
CEP: 31030-010

Vídeo da Semana II

O Dr. Cesar, é um slideiro de primeira e acaba de postar no youtube um vídeo muito bom, simplesmente uma aula de slide.

Ele gravou um som do André Christovam"Dados Chumbados.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Lançamento do novo CD de Décio Caetano - Live in Mr Jones(Buenos Aires)

Em breve teremos o Lançamento do novo CD do Mestre Décio Caetano, gravado ao vivo em Buenos Aires.

O CD já tem CApa e nome, agora é só aguardar o lançamento oficial.

Escute duas faixas do novo album.

You allmost drive me crazy




Vídeo da Semana

Caco Siqueira & Papurbano Blues tocando Hocchie Coochie Man no Buchanan's Lounge - Charutaria Raniere. Uma homenagem ao processo de recuperação do grande vocalista Caco Siqueira. Três meses depois de sofrer um AVC esta voltando aos palcos.

Caco SIqueira - Vocal
Bié Meduri - Gaita
Litche Cardenas - Bateria
Tchello Rodriguez - Baixo
Mauricio EVes - Piano
Pedro Alves - Guitarra
Categoria: Música



Don Morcego mandando Creedence na sua Pandora.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Cozinha do Blues com Emanuel Sofia

Uma banda de Blues é definida pela forma que o baterista toca, e no Brasil temos muito poucos bateristas neste estilo, então o blog traz um ótimo exemplo de como se toca o verdadeiro Blues.

Emanuel Sofia é um talentoso baterista de Santa Catarina, que possui uma levada característica de Chicago das décadas de 50 e 60, somado ao nosso swing.

TB: Como você iniciou sua vida musical? Quem são suas grandes influências?

ES: "Sou um admirador e um humilde colecionador de blues , procurando desde sempre conhecer todos os mestres e todos os tipos de blues , com isso minha paixão foi aumentando tanto que me fez procurar um instrumento que sempre tive atração que foi a bateria , isso aconteceu final de 2002 e desde então to nesse caminho do blues. Minhas maiores influências de bateristas dentro do blues são : Freddy Below , Oddie Payne e Willie Big Eyes Smith , todos eles são bateristas fora de série que sempre me inspiraram muito com sua criatividade , excelente técnica e um feeling sensacional que é o que mais me atrai."


TB: Bateristas de Blues são raros no Brasil. Vi alguns vídeos da sua banda e percebi que sua linha é bem a de Chicago, anos 50 e 60. O que te levou a fazer esse tipo de som?

ES: "Sempre fui um amante do blues negro principalmente . Sou apaixonado por : Muddy Waters , Little Walter , Otis Rush , Willie Dixon ,The Aces ,T-Bone Walker , dentre outros. Todos ótimos músicos desta época que fizeram eu me apaixonar por essa linha de blues dos 50´s e 60´s e vendo eles tocar através de vídeos e cds . com isso me levaram a conhecer muito mais artistas de blues desta década .

Gosto Muito de Bateristas de Jazz , desses vídeos preto e branco dos anos 50 , daquelas baterias reduzidas , sou apaixonado por isso .Através disso que comecei a direcionar meu estilo de tocar para essa vertente do blues da década de 50 e 60 , que é a linha que eu procuro tocar , estudar e aprender cada vez mais. "


TB: O baterista é o músico que fica atrás da banda, digo isso fisicamente. É a pessoa que tem uma visão geral de todos os músicos, quando estão no palco. Conte, como é a visão do show pelos olhos de um baterista?

ES: "Para mim a visão é uma coisa maravilhosa , poder acompanhar diretamente o público a reação da platéia que esta sempre na maior parte das vezes de frente com o baterista, os detalhes do show , da banda , coisas que nem sempre todos conseguem acompanhar como o baterista que esta atrás sempre visualizando tudo que acontece durante o show como :som, timbres e tudo mais numa posição mais previlegiada que os demais , é a pulsação total é quem direciona a banda pra onde quer, apesar de aparecer pouco devido a localização da bateria , é o coração da banda principalmente no blues . É assim que eu vejo pela minha visão como baterista."

TB: Geralmente os guitarristas e gaitistas se preocupam com o timbre de seu som. Você tem essa preocupação? Você usa peles, pratos ou baquetas específicas para tocar?

ES: "Tenho muita preocupação com isso sim , sempre fui atrás para adquirir um instrumento vintage de qualidade , até que acabei achando , uso uma bateria pingüim 1979 toda original e com peles porosas Gope em todas as peças .Para mim é a bateria ideal para o tipo de musica que eu toco que é blues. Sobre baquetas específicas eu .gosto muito das baquetas Ibanez Série Jazz e Michael 7ª , gosto muito de vassorinhas também."


TB: Emanuel, muito obrigado por sua participação neste blog, fiquei muito contente. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

ES: "Primeiramente queria agradecer a você Roberto por esta oportunidade nesse blog tão respeitado de blues que da o valor que o blues merece não o deixando morrer e divulgando cada vez mais o blues no Brasil .

Quero agradecer também a meus amigos , colegas , familiares e a todos que sempre acreditaram em mim , principalmente a banda que eu toco : Tiffany Harp & Capone Brothers , que graças a essa galera to conseguindo cada vez mais o espaço que sempre procurei para mostrar a minha batera dentro do blues , sempre levando uma frase que sempre me ajudou muito e até hoje ainda me ajuda , que é a seguinte ‘’ Menos é Mais’’ , grande abraço a todos e muito obrigado pela oportunidade."






Vídeos da Semana com dois novos talentos do Blues

Francine Bessie fazendo Dallas.




Ensaio de Diego Martins e Mad Fulton's House, fazendo uma versão do clássico The Thrill Is Gone.


terça-feira, 23 de junho de 2009

Gaita não é Brinquedo com Tiffany Harp

A gaita tem muitos representantes importantes no Brasil, pessoas que fazem muito por este pequeno instrumento, e agora trago para as páginas do Blog, uma jovem gaitista. Com apenas 23 anos de idade, Tiffany Helga dos Santos, mais conhecida por Tiffany Harp, vem de Itajaí-SC, mostrar seu enorme talento.

Quando escutei o som que essa garota faz, pensei que estava ouvindo o velho e bom Blues de Chicago. Ao ler este comentário, vocês podem achar que estou exagerando, mas ela é uma gaitista incrível e que vai muito longe nas estradas do Blues.

TB: A gaita é um instrumento visivelmente fácil de se tocar, mas geralmente é uma armadilha, pois quem subestima este pequeno instrumento, geralmente não tem grande sucesso. Como é que a gaita foi fazer parte da sua vida? Fale um pouco da sua historia na música.

TH: "Desde sempre a música fez parte da minha vida, sempre tive enorme interesse. Inicialmente, fiz aulas de violão, aprendi desde rock clássico até ritmos de samba e bossa-nova,na época minhas influências eram: Beatles, Jethro tull .

O interesse pela gaita surgiu quando peguei uma Butterfly (gaita chinesa) da estante da minha casa e tirei sons clássicos dos Beatles. Minha paixão por este instrumento começou neste dia, no outro já estava com uma gaita diatônica.

O Blues fui conhecendo aos poucos em casa e nos bares,me identificando rapidamente como nunca me identifiquei com nenhum estilo musical. Conheci de primeira o mestre Sonny Boy Willianson 2, e Howlin’ Wolf e Little Walter um tempo depois ,que é minha principal influência nos dias de hoje. Na época abandonei o violão e desde 2003 venho me dedicado somente a Gaita."

TB: Vi um vídeo seu, tocando Juke, uma música consagrada e eternizada por Little Water, então é fácil deduzir que uma das suas influências musicais é este mestre. O que quero saber é qual ou quais gaitistas brasileiros tem alguma influencia em seu som.

TH: "Sempre tentei buscar a minha própra sonoridade ouvindo direto da raiz” , e acho que grande maioria dos gaitistas fizeram isso. Cada um deles, tocam de forma diferente esses grandes mestres dos anos 50 .
Acho isso bom, pois cada um adquiriu uma musicalidade diferente e é isso q difere um do outro. Eu tenho admiração por vários gaitistas que fazem isto de modo muito interessante como Flávio Guimarães, Robson Fernandes , Sérgio Duarte , Andy Boy entre vários."

TB: No Blog tive a honra de entrevistar grandes musicistas, que fazem um Blues de muita qualidade, e para minha surpresa me aparece uma gaitista incrível, que domina como poucos a gaita. Como você vê a participação das mulheres no Blues nacional?

TH: "Está cada vez maior a participação dessas grandes mulheres se apresentando no cenário do Blues no Brasil. Elas apresentam com muito conhecimento , muita paixão e sensibilidade.É gratificante as mulheres musicistas terem esse espaço, e que continue cada vez mais. Isso é o resultado de um trabalho que elas merecem."

TB: Quais os projetos que você tem hoje? Com quem anda tocando?

TH: "Meu grande projeto é minha banda Tiffany Harp & Capone Brothers, tocamos blues da década de 50 e 60’s interpretando grandes nomes do Blues, como Muddy Waters, Little Walter, Big Walter , Sonny Boy 2 , Junior Wells."


TB: Tiffany, é um grande prazer ter você por aqui. Deixo agora um espaço para seus comentários finais.

TH: "Obrigada Roberto por ter cedido este espaço, é muito bom compartilhar essa entrevista com todos. Quero agradecer a minha família , principalmente ao meu pai Everaldo que sempre me apoiou desde o inicio. Um abraço especial à minha banda que vem acreditado em mim quase 2 anos nessa estrada do Blues, sem eles não estaria onde estou agora.

Valeu a todos!"







Escute mais:

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Vídeos da semana

Décio Caetano e The Brothers e Toyo, fazendo um som de outro mundo.



Tiffany Harp and Capone Brothers Blues Band, fazendo Too Late(Little Walter). Em breve teremos uma super entrevista com essa jovem gaitista.




Mais um do Mestre Décio Caetano, fazendo seu som Coisas, deixando o violão chorar usando seu Slide.


Mandem seus vídeos de Blues, se for bom... será publicado.

sábado, 13 de junho de 2009

Mestre do Slide com Paulo Silva

Paulo Silva é um músico espetacular, que saiu das nossas terras para se aventurar na Austrália.

Graças à internet encontrei este talento e agora trago ele para mostrar um pouco do seu maravilhoso som.

TB: O Weissenborn Guitar não é um instrumento muito fácil de achar no Brasil. Qual foi seu primeiro contato com o Weissenborn Guitar? Você já tocava outro instrumento?

PF: "Concordo, o Weiss é praticamente inexistente no Brasil. Sempre curti Ben Harper e esses caras, mas nunca tentei tocar o slide. Quando vim para a Austrália comecei a tocar em alguns bares e me apaixonei por Delta Blues e por aqueles caras dos anos 20, 30, 40 e 50. Eu cai de joelhos quando descobri aquela musica.

Eu toco Violão desde os 14 anos de idade, mas eu sempre tocava com a afinação normal... confesso que chegou um momento em que ficou monótono. O Blues veio e começou a mudar a minha musica.

Dai eu me deparei com Blind Willie Johnson, pra mim o maior nome no slide guitar até hoje. Eu tive uma experiência sobrenatural ouvindo aquela musica. Eu tinha acabado de me mudar para a Austrália e estava começando a aprender Inglês.... foi fantástico estar no ano de 2007 e entender a mensagem de um cara que foi gravada em 1921.

Sobrenatural, Blind Willie Johnson era cego, muito pobre e usava a musica para pregar o Gospel...tocava slide com tamanha precisão, decidi "vou tentar!". Foi uma das melhores decisões que eu fiz na minha vida. Toco a apenas dois anos, mas sei que comecei a tocar na hora exata... tudo tem seu tempo."

TB: Como você afina o Weissenborn Guitar? O seu Weissenborn Guitar tem alguma característica especial? Ele é elétrico?

PF: "Então brother, eu uso mais ou menos seis afinações diferentes. Sou apaixonado por CBCCBC, DADDAD, GBDGBD, FAEFAE... tem mais um montão. Consegui achar na Internet mais de 60 afinações diferentes... aí, fui lá e tentei uma por uma, algumas não fazem sentido algum, mas outras são fantásticas!

No momento eu tenho um Marlon Chiquinato Weissenborn Style 4, esse é feito todo em Mogno e tem um som animal!. Eu acabei de adquirir um novo instrumento, é um Oahu Squareneck Guitar, também em Mogno e feito em 1937... esse instrumento é um sonho. Confesso que estava sonhando em adquirir um desses a dois anos, finalmente consegui!. Agora estou me preparando para adquirir um Rickenbacker B Model elétrico, outro de 1937. Esse seria o meu setup perfeito, dois acústicos e um elétrico.

Falando em setup, também uso um BBE Acoustimax para o Weiss e Oahu, é um preamp bem legal. Uso K&K Sound Ultra-Pure Western pickups nos dois, fiquei surpreso com a fidelidade de reprodução do som. Cordas, uso Elixir... elas duram de 3 a 5 vezes mais que as cordas normais, vale a pena."

TB: Como foi que você foi parar na Austrália? Qual é a rotina de shows por ai? Como é o publico?

PF: "Austrália, foi um pouco louco o que aconteceu. Conheci minha esposa no Brasil em 2003, ela voltou para a Austrália enquanto eu fiquei no Brasil até o fim de 2005. Foi aí que mudei pra cá e recomecei a tocar, eu estava meio parado com musica mas quando cheguei aqui vi que as pessoas amam a Musica Brasileira e minha esposa me incentivou a ir e tocar em bares. Confesso que as minhas pernas tremiam ahaha.

A cena musical na Austrália é muito competitiva, mas do que no Brasil na minha opinião. Acredito que pelo fator econômico. Aqui os impostos são mais baixos, então você consegue comprar bons instrumentos, pedais e etc.,. Então, todo mundo que gosta de musica tenta ser musico.

O publico aqui é bem receptivo, quando eu falo:"Meu nome é Paulo Silva, vim do Brasil para tocar algumas musicas para vocês", as pessoas param de conversar e começam a ouvir aquilo que você vai tocar. Tem pessoas aqui em Melbourne que nunca viram um brasileiro antes!, então o publico vem, conversa com você, pergunta sobre o Brasil e etc.,.

Ser brasileiro fez com que algumas portas fossem abertas. Estou sempre tocando Ao Vivo em programas de Radio e já participei em um programa de TV. Resumindo, competitivo mas estamos andando pra frente aos poucos."

TB: Com quem você toca ai na Austrália? Foi fácil montar uma banda?

PF: "No momento toco o meu show sozinho. Eu tenho algumas parcerias com bateristas na região onde vivo, mas apenas uso bateria em shows maiores. Aprendi aqui que fazer contatos é muito, mas muito importante... por isso sempre colaboro nos shows de outros músicos. No momento, quando não toco sozinho, eu estou dividindo o palco com Will Berg, Ewan Cloonan, Eden Parris, Dave Walker Band e The Hannafords."

TB: Você tem algum projeto para lançar um material próprio?

PF: "Sim. Tenho uma quantidade enorme de material para ser lançado. Estou juntando fundos para fazer uma boa pre-produção, gravação, mixagem e espero que até o fim de 2009-inicio de 2010 eu consiga entrar no estúdio e gravar meu primeiro álbum..... tenho que fazer isso logo, já vou completar 30 anos de idade!

Tenho um outro projeto bem interessante. Juntei músicos do mundo todo para lançar um álbum digital com musicas originais. É um projeto que será lançado até o fim deste ano e conta com músicos do Brasil, Franca, Itália, Estados Unidos, Austrália e mais alguns paises que estamos negociando. A idéia é deixar o Álbum disponível para download de graça ou pago. Você escolhe. Com certeza darei mais informações no futuro."

TB: Paulo, obrigado pelo carinho e por dedicar seu tempo respondendo para o Blog. Deixo aqui este espaço para seus comentários finais.

PF: "Eu que agradeço Roberto e leitores do Blog. Me sinto honrado em poder responder as suas perguntas. Gostaria de mandar um abraço a todos no Brasil e pedir a vocês que continuem apoiando os músicos independentes no Brasil e no Mundo.

Aguardo a sua visita no meu website, myspace e youtube channel. Ficaria muito feliz de me corresponder com outros músicos.

Abraço"


Mais....
- Website
- DownLoad Free
- MySpace
- Reverbnation
- YouTube

Chicago Blues Ladies - Encontro dos talentos do Blues

(Francinni Bessie (SP) , Johaine Droppa (PR) e Hilmara Fernandes (MG))

Curitiba foi o palco de um dos melhores encontros de Blues Nacional deste ano.

No dia 26 de maio de 2009, três das mais importantes bluseiras do Brasil se encontraram no Wonka Bar. As meninas Johaine Droppa (PR), Francinni Bessie (SP) e Hilmara Fernandes (MG) colocaram o bar abaixo fazendo grandes clássicos do blues.

A banda de apoio foi liderada pelo sócio deste Blog, Décio Caetano, um dos cinco melhores guitarristas de Blues do Brasil, segundo a MTV.

Alem do mestre, a banda estava formada por Edu Mella(Baixo), Fernando Rivabem(Bateria) e Márcio Rosa(Percussão).


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Nosso Blues perde um Amigo

Edu Soliani faleceu por disfunções hepáticas no sábado 30 de maio de 2.009, com isso o Blues Nacional perde um grande aliado.

Ele foi responsável por divulgar o Blues em seus programas de TV e Rádio Web e mostrar o talento de novos artistas do gênero.

O Edu foi um grande amigo que encontrei nas encruzilhadas do Blues e sei que agora ele está junto dos grandes mestres do Blues.

Paz meu irmão.

Leia mais:

terça-feira, 2 de junho de 2009

Vídeos da Semana com Décio Caetano

Sem duvida nenhuma, Décio Caetano é um dos melhores guitarristas de Blues do Brasil.

Comprove isso vendo os vídeos de sua apresentação em Curitiba, no Wonka Bar.






06/06 - Cracker Blues -Blackmore - Lançamento oficial do CD;


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Super Show da Bimbolls Brothers

Vídeo da Semana - 04-05-2009

The Feeling Blues Band, com uma versão muito bacana para Hoochie Coochie Man.




Gaspo "Harmônica" & Banda mandando o som O Sr. da Noite.


domingo, 26 de abril de 2009

Mestres das seis cordas com Leo Ventura

Leo Ventura é um grande músico carioca que conheci em uma dessas noites de Blues.

Além de ser um extraordinário guitarrista é um ótimo vocalista, sem contar que é uma pessoa muito divertida.

TB: Como você iniciou na música e como foi para no blues?

LV:
"Comecei a minha vida ouvindo muito rock brasileiro e MPB. Embora ninguém na minha família fosse músico, minha casa era muito musical. Minha mãe e minha avó sempre ouviam muita (boa) música, como Rita Lee, Lulu Santos, Legião, Engenheiros, Caetano, Gil e etc. Enfim: desde criança curtia reunir os amigos para ouvir música em casa – me interessava muito mais do que jogar bola.... rs

Sempre quis aprender a tocar guitarra e aos 13 anos ganhei o meu primeiro violão. E aí comecei a tocar, sem fazer aulas, tirando músicas um tanto preguiçosamente, pois eu preferia ficar improvisando em cima das gravações do que efetivamente “tirar” as músicas igual a gravação original.

Demorei um pouco até formar a minha primeira banda de verdade e só aos 18 anos passei a tocar na noite do Rio. Ainda nessa mesma época, comecei a ouvir blues compulsivamente e, com a grana que ganhava no estágio de direito que fazia, comprei vários e vários CDs de blues (B.B King, Albert King, Clapton, John Mayall, Robert Johnson e vários outros), eu foram formando a minha personalidade musical.

Nos bares, tocava muita MPB e B-Rock, mas, em casa, sempre tirava cada vez mais e mais o blues e alimentava a vontade de montar uma banda só de blues. Engraçado, desde moleque eu já tinha o nome da minha futura banda de blues na cabeça: DESTILARIA...
Mas esse sonho ficou mais um tempo reprimido, tempo em que gravei um autoral de rock nacional CD com a banda BR-80 (“Sonhos Arquitetados – 2001”), que foi lançado de forma independente. Passada essa fase, eu já não conseguia mais ficar longe do blues e não deu jeito, a DESTILARIA tinha de sair do papel.... rs

Em 2004, chamei os amigos Ronaldo Januário (gaita) e Bruno Leiroza (guitarrista da banda Velho Joe e ex-companheiro na BR-80) e resolvemos botar a DESTILARIA na rua. Marcamos umas datas para fazer um blues acústico num bar só de blues que havia na Lapa (bairro no Centro do Rio), chamado Twenty Pounds Blues Bar. Assim surgiu a banda que segue até hoje ...."


TB: Você é Carioca e está em São Paulo há pouco tempo. Quais as diferenças do cenário blues entre as duas cidades?

LV: "Na verdade, atualmente, são cenários bastante semelhantes. Aqui em Sampa o cenário está muito bacana e o clima das pessoas é muito semelhante ao do Rio. Há uma congregação e amizade muito forte entre as bandas, e isso é muito fundamental para a divulgação do estilo e dos trabalhos de cada um. Black Coffee, Bimbolls Brothers, Summan Brothers, Marafa Blues, Eletric Muddy, entre outras, estão fazendo trabalhos muito legais, abrindo bastante espaço para shows e atraindo um público significativo para os seus shows!

No Rio, hoje, temos um cenário super bacana também! Principalmente, por força da BANCA DO BLUES – www.bancadoblues.com -, capitaneada pelos meus amigos Paulo Vanzilotta e Denise do Amaral, que é um espaço para shows, toda sexta-feira, em pleno Centro do Rio de Janeiro, numa banca de jornal. Só que com um som profissional, segurança e tranqüilidade, com um público médio de 200 pessoas por noite e muito espaço para a divulgação do estilo e das bandas. Na Banca já tocaram músicos renomados do blues nacional como Big Gilson, Maurício Sahady, Rodrigo Nézio, entre outros, e várias bandas que hoje se destacam no cenário carioca como a Mamute, Like a Rolling Stones, Velho Joe, Bandanna Blues,Zanata & Blues Trio, entre outras várias.

Claro que, tanto Rio quanto São Paulo carecem ainda de melhores espaços para o blues e mais apoio para as bandas. Isso no Rio ainda é mais claro, pois são alguns pouco lugares para shows, e sempre os mesmos (Banca do Blues, Bar do Frank, Dragon Jack, em Niterói, e mais dois ou três). E o pior é que os donos dos outros bares não vêem que existe público para o blues. E um público fiel! Mas, enfim, essa é a nossa luta: abrir espaço para a nossa música e continuar, cada vez mais, a unir as bandas, sem competição, para que haja espaço para todos!!!"

TB: O que você procura com sua música?

LV: "Objetivamente: me conectar com as pessoas. A meu ver, a música é forma de expressão mais linda que existe. E também a melhor forma de exprimir sentimentos e fazer amigos.

Tocando um instrumento e cantando você não tem como se esconder. Você fica absolutamente exposto e mostra quem você é. Outra coisa genial é ver como a música de cada um é única. Eu posso tocar as mesmas notas que você, mas cada um tem o seu jeito e sua abordagem, e isso faz com que a música seja ao mesmo tempo única e universal. "

TB: Conte o que estar no palco? Quais sua preocupações enquanto você está tocando?

LV: "O palco é, sem dúvida, o melhor lugar do mundo! Sinceramente, quanto estou tocando, normalmente, eu me “desconecto” um pouco desse mundo, cara. É um prazer inenarrável. Claro que é sempre importante ter um bom som geral, para que você ouça bem cada parte da banda, uma voz bem passada, uma guitarra bem timbrada, mas, passada esta fase... é só aproveitar! rs"

TB: Quais são seus projetos atuais?

LV: "Apesar de estar morando em São Paulo, a DESTILARIA continua firme e forte! A banda toca um blues-rock autoral, com letras em português, mescladas com clássicos do blues e do rock´n roll. Meus comparsas, amigos e irmãos da DESTILARIA são: Maurício Fernandes (guitarrista também da Bandanna Blues e do Garganta Seca), Sergio Gullo (bateria) e Ramon (baixo). Para mais informações da banda, mp3 e vídeos, Clique aqui .

O próximo show da DESTILARIA está marcado para o dia 29.05 (sexta-feira), na Banca do Blues, no Rio, onde faremos uma grande festa para comemorar o meu aniversário, com várias canjas de amigos da banda. Depois, devemos iniciar o processo de gravação do nosso CD, já que temos bastante material autoral pronto para registro!!!

Além da DESTILARIA, tenho um duo de blues em São Paulo, guitarra e gaita, com o meu irmão paulista Oswaldo Moraes (gaitista da Black Coffee). Fizemos a nossa estréia juntos em Março e breve teremos mais shows. O clima do duo é de muito improviso em cima dos clássicos do blues.
Estou ainda montando uma banda em São Paulo que em breve estará na rua também. Enfim... várias atividades, afinal o BLUES NÃO PODE PARAR!!!"

TB: Leo, muito obrigado pela sua contribuição no Blog. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

LV: "Terremoto, meu caro, quero agradecer o convite para falar aqui no blog. Acompanho seu trabalho há muito tempo, sempre lendo as boas entrevistas e os achados musicais deste espaço (Francini Bessi, Leo Lobão da Mamute, entre outros). Enfim... muito obrigado pelo espaço e pelo carinho.

Quero ainda agradecer aos meus amigos e irmãos do blues (cariocas e paulistas). A galera da DESTILARIA (Maurício, Serginho e Ramon), Anna Carla e Claudio Guerreiro (Bandanna), Paulo e Denise (Banca do Blues), Zanata e Blues Trio, Oswaldão, Bel e Marcião (Black Coffee), Ale Rossi e Frank (Bimbolls), entre outros. O melhor da música são os amigos!

E, em breve, estaremos na área, com mais blues e boa música para todos nós!!! Paz a todos nós!!!"


(Blues da Solidão(música própria) – DESTILARIA)


(DESTILARIA E BIG GILSON - Dimples)

sábado, 18 de abril de 2009

Mestres do Slide com Ótavio Rocha

O poder e a energia do som deste mestre é algo impossível de ser colocado em palavras.

Ótavio Rocha é, sem sombra de duvida, o guitarrista que mais influenciou os amantes de slide no Brasil.

Leia e aprenda, pois esta não é uma simples entrevista, é também uma grande aula de blues.


TB: Quando você iniciou com o Blues Etílicos, o blues no Brasil praticamente não existia. Hoje você é uma referencia no slide nacional e a sua banda foi e é a maior influência para os músicos de Blues no Brasil. Você já parou para pensar nisso? Qual é a sensação de completar 20 anos com uma mesma banda e ter 10 discos gravados?

OR: "Bem, de fato quando começamos, não havia nem de longe um mercado de blues como existe hoje em dia. E esse aspecto de desbravação é uma das coisas que eu mais gosto quando lembro dos anos iniciais, pois tudo era feito de improviso, não sabíamos o que esperar do publico, então a sensação de estar dizendo algo novo era muito boa. Alem disso. A quantidade de informação sobre Blues nos anos 80 era mínima, ou quase nenhuma de maneira que fomos aprendendo na prática.

Nesse sentido. O primeiro festival internacional de Blues feito no Brasil, em 89 foi para nós um momento inesquecível, pois foi a primeira vez que vimos e tivemos contato com artistas como Buddy Guy (para quem abrimos o show e o evento) Albert Collins, Etta James, Junior wells e Magic Slim.

Hoje em dia com o youtube e com tudo o que já se gravou à disposição na internet, é muito mais fácil para quem quer se aprofundar ter acesso as informações necessárias. Mas ao mesmo tempo quem ta começando tem que se cobrar mais, porque só não aprende se não quiser.

Assim, fomos crescendo aos poucos, na estrada mesmo e acho que a razão para estarmos juntos até hoje com na 10 trabalhos lançados, entre cds e Lps, é uma grande afinidade no palco, e acredito que o grande barato de uma banda é saber que o todo é maior que a soma das partes....a sensação é muito boa na medida em que a banda esta sempre buscando novos caminhos, sem perder o referencial do blues, mas estamos sempre olhando pra frente.

Quanto a ser uma referencia do slide fico feliz de ser citado como influencia, acho incrível mesmo, e acho que isso tem dois motivos: ter sido um dos pioneiros do slide, junto com o André Christovam e o Lulu Santos, e ter desenvolvido uma forma de tocar bem específica, o que de alguma forma faz o meu som se destacar."

TB: Como você se interessou pelo Slide? Quais as dificuldades que você encontrou e quais foram suas maiores descobertas?

OR: "Bem, desde os 10 anos de idade eu sou fascinado pelo som do Slide...Nessa época, através de primos que moravam na Europa, eu escutei o Lp Second Winter, e a gravação do Johnny pra Highway 61 to Dylan me deixava assombrado. Eu achava que se eu tocasse daquele jeito eu ia ser o cara mais poderoso do mundo...hehe

No Brasil o primeiro cara que eu ouvi tocar slide foi o Lulu Santos, um tremendo guitarrista com um senso melódico incrível no uso do slide.

No entanto, por mais que eu tentasse passar uma pilha no violão, o som era esquisitissimo e eu achava impossível algum dia tocar daquele jeito.

Depois, em 79 saiu aqui o Muddy Mississipi Waters live, de capa preta.....esse disco eu ouvi até estragar, os solos de slide assustadores do Muddy, a cozinha, a gaita do James Cotton, tudo isso foi uma descoberta incrível pra um garoto de 16 anos!

Ainda assim, foi só em 82 que descobri por acaso um livro numa loja de Copacabana, e nesse livro eu fui apresentado ao maravilhoso mundo das afinações abertas. Quando pus meu violão em E aberto foi como descobrir o sentido da existência! Então creio que minha maior dificuldade foi descobrir que existiam tais afinações e a maior descoberta também! A partir daí eu percebi que tinha muita facilidade pra tocar slide, tinha uma boa afinação e um bom vibrato desde o inicio."

TB: Quais afinações você usa para tocar slide? Você tem uma guitarra só para isso?

OR: "Usei muito A aberto (E C# A E A E) E aberto (E B G# E B E) quando comecei a tocar no Blues Etílicos, até porque não sabia tocar guitarra convencional....fui aprendendo no palco mesmo. No nosso primeiro disco, Blues Etílicos (87) eu só sabia tocar guitarra em afinação aberta, apesar de conseguir fazer uns riffs em afinação normal.

Hoje em dia uso afinação normal pra tudo, tocar slide assim é muito mais difícil, mas te obriga a ser mais preciso, a dar menos notas e a usar muito menos os clichês das afinações abertas, e pra isso uso só a minha velha e fiel SG de um captador só.... ela é perfeita para a minha forma bruta de tocar....além disso não separo o slide do não slide, pra mim é tudo guitarra, não diferencio uma coisa da outra.

O máximo que faço é por o bordão E em D, em musicas como Misty Mountain (no cd Ao vivo, de 2001) e Walking Blues (do nosso ultimo cd Viva Muddy Waters, de 2007) ."

TB: Hoje você mantêm um Blog o "Pensamentos Otavianos"
. O que te levou a criar este Blog? Você acha que com ele você pode passar sua experiência para outras pessoas?

OR: "Bem, sou formado em Ciências Sociais, consegui fazer o curso não sei como durante shows e gravações, então o blog pra mim é mais uma forma de por meus pensamentos relacionados a questões sobre musica em geral em ordem, até porque acho que nem a minha mãe ta lendo ...hehe...porque com certeza se você faz um blog de alguma forma isso te obriga a definir melhor sua visão de mundo porque eventualmente alguém vai ter acesso aquilo."

TB: Ótavio, não tenho como mensurar a honra de entrevistar você, pois te admiro muito. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

OR: "Bem, Roberto valeu pelo papo um abraço pra você e pra todo mundo"



OR: "Gravação que fiz com o guitarrista Mauricio Saady."


Veja mais:
- Gravadora Delira Blues
- Site Blues Etílicos
- Perfil Orkut Blues Etílicos
- Blog Pensamentos Otavianos

Fotos: Renata Duarte

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mestres das seis cordas Paulo Calarezzo

Tenho a honra de trazer para as páginas do blog um mestre da guitarra. Uma músico que simplesmente brinca com o Blues e o Jazz.

Paulo Calarezzo é um músico completo, pois une feeling e técnica, para chegar em um som maravilhoso e apesar de tudo isso, é uma pessoa simples.

TB:Você é um guitarrista com uma bagagem incrível, pois domina vários estilos musicais. Por este motivo gostaria de saber, o que te faz tocar Jazz e Blues?

PC: "Sempre que comento isso muitos ficam surpresos, cresci numa família de classe média na capital paulista, gente trabalhadora, que me deu uma boa educação a custo de muito suor, porém sem muito tempo para apreciar música, difícil imaginar alguém se tornar músico crescendo em um ambiente pouco musical, mas isso que aconteceu: Meus primeiros contatos com a música foram através da TV, personagens como Adoniran Barbosa, Clara Nunes, Elis Regina, Hermeto Pascoal... nomes que povoavam nossa MPB antes da total banalização cultural dos meios de comunicação, porém o que mais me marcou foram as trilhas sonoras de antigos desenhos animados, onde se encontra muito jazz e blues, incríveis pianos de boogie-woogie e big bands quebrando tudo como na Pantera cor de Rosa. Quando comecei a estudar música, no início da adolescência, me apaixonei por improvisação, o que me aumentou mais ainda a minha paixão pelos estilos."

TB: Em 2004 você lançou o seu Cd “Blues Loud”. O que te fez gravar este CD? Quem trabalhou com você nesse projeto? E podemos esperar algum trabalho novo?

PC: "No início dos anos noventa, além de diversos trabalhos como músico acompanhante e free lancer, me dedicava a um grupo de jazz que era meu xodó, mas as coisas não iam lá muito bem, um amigo meu tocava na Blues Connection e me falou que o blues estava em alta, e que haviam diversos lugares pra se tocar, bom comecei a cantar e a fazer blues e descobri que tinha jeito pra compor no estilo, depois de alguns anos passei por alguns grupos e tocando com muita gente boa decidi montar meu próprio trabalho que culminou neste CD. Nele eu apresento algumas das minhas composições e toco alguns clássicos que me acompanharam ao longo dos anos.


Na produção juntei um verdadeiro mutirão de amigos e colegas, como o baixista Célio Barros que co-produziu o trabalho e cedeu seu estúdio para parte das gravações, bem como Tomi Terahata, meu amigo de infância, e que na época era proprietário do estúdio Groove Digital. No que se refere aos músicos, temos o baixista Pedro Marcondes, o pianista Lobato Acarahyba, ambos tocam comigo ainda hoje no Polissíntese Jazz Group, o baterista Ronaldo Palleze, companheiro de longa data, um ótimo produtor e um dos músicos mais extraordinários com quem já trabalhei, Luiggi Granieri no hammond, que tocava na Blues Keepers, e na gaita, Marcelo Rodrigues que tocou comigo na Urublues, com quem tenho uma grande amizade e costumo de vez em quando fazer dueto de violão e gaita com ele.

Quanto a um novo trabalho, já tenho o conceito de um novo disco totalmente desenvolvido, porém, ainda quero mantê-lo na gaveta. No Brasil o público que aprecia blues ainda está cheio de preconceitos, tem relutância quanto a composições em português e muitos estranham a modernidade do meu trabalho, então A garotada mais é que tem me dado alguns indícios de que as coisas vem melhorando, me parecem mais abertos à nossa mensagem e não estão estigmatizados com aquele conceito de que blues tem de ser aquele som mofado, isso daqui um tempo talvez me traga de volta para ao estúdio."

TB: Quais são seu projetos hoje? Com quem você está tocando?

PC: "Toco em um grupo instrumental que funde jazz, rock, blues, pop e música brasileira, o Polissíntese Jazz Group. Lançamos no ano passado o CD que trás as composições de nosso pianista Lobato Acarahyba, e desde então estamos trabalhando na divulgação e propagação dessa nova estética. A aceitação do público tem nos emocionado e temos muitas perspectivas sérias para o futuro.

No ano passado, a convite do SESI, reuni o meu grupo original, aquele que gravou comigo, foi um grande show e saímos todos empolgados. Não tenho trabalhado com um grupo de blues fixo, o que tem me causado muitos problemas, principalmente pelo pouco tempo que acaba sobrando pra ensaiar. Estou com vontade montar um grupo fixo novamente e voltar à estrada, quem sabe o mesmo time...

Toco também em eventos, às vezes só, mas na maioria em grupo, isso é algo que curto fazer e ajuda a pagar as contas, além das inúmeras aulas que dou... rsrs"

TB: Neste mundo, onde o Rock não é algo que a maioria dos jovens escuta, como é ser professor de música? Qual a faixa etária dos seus alunos? E que tipo de música querem aprender?

PC: "Não tenho o dado de que a galera está escutando, mas meus alunos ouvem basicamente Rock’n’Roll, muitas vezes de péssima qualidade, muita coisa que não possui nada de elaboração, os caras cantam muito mal (mais parecem que gemem), mas tem uma galera que curte rock mais das antigas, e isso não é pouca gente não... Tem gente que curte Led Zepplin, Pink Floyd, Steve Ray e por ai vai... às vezes influencia dos pais, outras guitar hero, mas muitos vem atrás disso.

Leciono para todas as idades, meu aluno mais novo está com oito anos e acho que o mais velho está com uns vinte e seis, ministro aulas de prática em conjunto no Colégio Santa Clara e lá trabalho com alunos de doze a dezoito anos. O que percebo é que os mais novos são mais afetados pela música pop e os mais velhos já são mais roqueiros, mas no que se refere ao repertório se encontra de tudo, mas a música internacional predomina, e infelizmente poucos gostam de blues.

Como professor a coisa que mais incomoda é a falta de dedicação que se vê na garotada, querem evolução sem muito esforço, ai a coisa não caminha legal, a aula fica pesada pra mim e pra eles também, mas para mim como professor o que interessa mesmo é poder trazer algo de bom pra vida desses caras, tanto que quando encontro ex-alunos todos me tratam muito bem e muitos mencionam o quanto as aulas de música foram importantes na nas vidas deles. Pra mim, missão cumprida!"

TB: Paulo, é muito bom ter um músico tão competente no blob, Obrigado. Deixo aqui um espaço para sés comentários finais.

PC: "Eu agradeço muito a lembrança, numa terra sem memória, muitos vêm se esquecendo desses anos que dediquei ao blues e a seu convite me deixou muito lisonjeado. Quero te parabenizar pela iniciativa e deixar aqui minha admiração pelas suas composições e batalha para fazer o blues nacional crescer. Eu estou um pouco de férias do Blues, mas daqui a pouco eu volto...rsrs.

Gostaria também de dar um toque pra galera que ainda não se ligou que o tempo passa e a fila anda... eu adoro Robert Johnson, Skip James, Blind Limon Jefferson e muitos outros, mas se o blues ficasse no purismo não teríamos Muddy Waters, BB King, Buddy Guy, Jimy Hendrix, Stevie Ray e tantos outros que fizeram e fazem a história do blues. O blues nacional hoje já tem cara própria e precisa ser prestigiado, então galera, vamos abrir os ouvidos pq tem muita coisa boa por ai, e não são só gaitistas ou cantoras negras não, são guitarristas, pianistas, bandas, compositores que fazem música em inglês e português, em suma, tem muita coisa legal pra gente curtir!!!

Outro toque que gostaria de dar é de que tem muita gente que ouve música o dia inteiro no rádio, em casa, no carro, debate sobre música com os amigos, porém não tem o hábito de ir a um show ou a um concerto. Pessoal, arte só acontece ao vivo, só conhece a Monalisa quem foi ao Louvre vê-la, só se emociona de verdade com as artes cênicas quem vai ao teatro assistir uma peça, e porque em música um monte de gente acha que o disco é uma obra de arte, é nada!!! Um grupo da pesada faz o máximo para em uma gravação conseguir algo parecido com o que faz ao vivo, e mesmo assim o resultado fica sempre bem aquém, então se você realmente gosta de música é melhor se mexer mais e ir testemunhar ao vivo o que é um puta som!!! Só assim você porá usufruir de verdade a música!!!

Queria mandar um abração pra galera do blog e agradecer a oportunidade de expor minhas idéias.

Muitas felicidades a todos e vida longa à música de raiz, ao feeling, vida longa ao blues!"





Veja mais:

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Vozes do Blues com Tainah Dantas

Trago para o Blog mais um pequeno achado. Sim, é um pequeno achado apenas no tamanho, pois nem sempre tamanho é documento.

A pequena Tainah Dantas é uma jovem vocalista, que possui uma voz suave e delicada, que toca a alma de quem escuta seu Blues.

Com apenas 20 anos, esta jovem cantora possui uma personalidade musical incrível, para comprovar isto, leia a matéria e assista ao vídeo.

TB: Quem é a Pequena Tainah Dantas? Conte um pouco da sua vida na música.

TD: "Bem, eu comecei na música com uns 3 anos de idade, quando comecei também a cantar. Antes dos 10 já cantava e me apresentava em coral, tocava flauta doce e alguns outros instrumentos de musicalização infantil, como xilofone, metalofone, etc.

Meus estudos eram basicamente auto-didatas, até que o tempo foi passando e com 12 recebi o primeiro convite para cantar numa banda, onde comecei a rabiscar algumas letras; com uns 14 já cantava em banda profissional fazendo alguns shows e apresentações locais. Nessa época comecei a estudar "academicamente" canto e teoria. Com 15, comprei meu primeiro violão e comecei a compor.

Nesse período participei de vários projetos que, depois, me levariam a cantar profissionalmente e a lecionar canto e desde então venho conquistando um certo espaço nessa àrea. Com uns 17 anos, me despertou uma curiosidade muito grande sobre a parte técnica do áudio (gravação, microfonação, mixagens, etc) quando então, recebi um convite para trabalhar num estúdio e senti a necessidade de aprofundar meus conhecimentos nesses assuntos e fui estudar - isso me ajudou a pensar a música e o som por um prisma mais pragmático, o que contribuiu muito no meu trabalho como música.

Enfim, a gente vai se consolidando aos poucos e querendo melhorar. Seria difícil dizer exatamente onde começou meu envolvimento "oficial" com música, pois, desde que me entendo por gente, ela faz parte de mim e da minha vida; acho que para todo mundo que trabalha com música é um pouco assim, não é? A sede de música não cessa."


TB: Sua voz é suave e delicada. Você se preocupa com o tipo de música que você escolhe para seu repertório? Quais os critérios que você tem para escolher as músicas que vai cantar?


TD: "Ah, obrigada pelo elogio! Olha, na verdade, não é com o tipo de música do repertório que eu me preocupo principalmente, mas sim com a forma de adaptar a minha voz a ele, até porque, no The Lady Blues Band a escolha do repertório é totalmente democrática, não se restringindo apenas à mim e claro, respeitando o estilo Blues; apesar de que quem mais é interado da seleção do repertório é o nosso guitarrista, Paulo Toth Jr. já enttrevistado por você anteriormente.


Eu adoro que seja assim, pois me dá a chance de exercitar uma flexibilidade que a própria proposta exige de se executar diversas faces do Blues e de interpretar cantores cujas formas de interpretação são muito variadas. Sendo assim a preocupação é conseguir retratar essas diferentes vertentes mantendo certas características sonoras de cada vertente do blues sem perder as características sonoras da minha voz.


Isso é um desafio que me acrescenta muito, e por isso procuro não ter um critério muito rígido na escolha das músicas que sugiro e que sugerem para o repertório, mas algo que com certeza é o pré-requisito nº 1 para que eu queira cantar uma música é que ela me faça transgredir de alguma forma, que me faça fazer coisas que eu não tive a idéia de fazer antes, e que principalmente me façam sentir algo."



TB: Você tem algum cuidado especial com sua voz ou você não se preocupa com isso?

TD: "Bem, ser cantora e professora de canto e inglês acaba cansando um pouco a minha voz; ela é meu principal instrumento de trabalho e por isso sofre certo desgaste. Sem contar que eu, por natureza, falo muito, durmo pouco. Para tentar compensar o desgaste e dar conta do recado bebo muita água, procuro comer, todo dia, pelo menos uma maçã, que é adstringente, evitar bebidas alcoólicas nos dias úteis, já que estas ressecam as pregas vocais e manter uma alimentação saudável. "

TB: Além do Blues, você canta algum outro estilo musical?

TD: " Sim, canto sim. É natural acabar cantando de tudo um pouco, mas lógicamente há os estilos aos quais eu mais me dedico. Ultimamente tenho ouvido bastante World Music, mas minhas raízes estão na MPB, e no pop e rock nacionais e internacionais mais antigos, bossa, jazz e com certeza funk e soul. "

TB: Tainah, muito obrigado por contribuir para o Blog. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

TD: "Imagina, eu que agradeço pela oportunidade de expôr aqui um pouco do meu trabalho e contar um pouco da minha história. Precisamos de mais pessoas com a mesma iniciativa que a sua no meio musical, não é? Incentivando o lado B. Foi uma honra contribuir para o blog, vida longa à ele e parabéns pelo seu trabalho!"