Mostrando postagens com marcador Vozes do Blues. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vozes do Blues. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Vozes do Blues com Dudé

O Dudé é uma pessoa impar, pois possuí um grande talento como vocalista e compositor.

Quem o conhece sabe que as risadas são garantidas, seja em seus textos na internet ou quando está entre os amigos, fora que ele é uma pessoa direta e sem mimimi.

Chega de papo e vamos ao Blues.



TB- Crescemos no mesmo bairro e acompanho sua trajetória na música, desde que você iniciou sua experiência na bateria e depois se encontrou nos vocais. Qual o motivo de estar até hoje no mundo da música?

Dudé- "A música sempre foi objeto de identificação e de expressão pra mim, algo que sempre teve um peso muito grande na minha vida.

Associando isso ao fato dela ter se tornado meu ganha-pão, tamanha a paixão que tenho pela música, acabou por me criar um vínculo que existe até hoje."

TB- Seu projeto de blues, na minha opinião, é algo muito importante para você, pois vejo a batalha que você realiza para divulgá-lo. Como você chegou ao Blues? 

Dudé- "Eu tive contato primeiro com o Rock And Roll. Minha ligação com o Blues começou com as pesquisas que fiz pra conhecer as influências das minhas bandas favoritas. A partir daí, não só me apaixonei pelo Blues, como também percebi o potencial artístico e comercial dele.

Ao contrário do que alguns pensam, eu considero o Blues perfeitamente acessível ao grande público. Percebi isso após passar quase 2 anos tocando Blues em parques e praças públicas com resultados maravilhosos."

TB- Além de um vocalista incrível, você é compositor. Você tem uma fórmula para compor suas letras?

Dudé- "Antes de qualquer coisa, fico lisonjeado com o elogio. Muito obrigado.

Na verdade, eu não tenho uma fórmula pronta pra compor. O que faço é transformar a composição no foco narrativo da minha vida, da forma mais ampla possível.

Da minha visão social/política, passando pelas desilusões amorosas e incluindo as boas estórias de experiências vividas, compor é o cano de escape mais amplo que tenho até hoje."

TB- Você fez um Clip do som "Batom Blues", mostrando lindas garotas e falando de algo que para muitos é um tabu, deficiência física. Fale um pouco sobre este trabalho.


Dudé- "O clip da música Batom Blues nasceu a partir de uma homenagem que resolvi fazer à ONG Instituto Entre Rodas e Batom que faz um fantástico trabalho de valorização da mulher com deficiência no Brasil. Pra tal, contamos com a parceria do moto clube Pepe Legal.

A ideia do clip foi mostrar que a mulher com deficiência pode interagir junto à sociedade de forma completa, sem estereótipos ou rótulos, como qualquer outra pessoa sem deficiência.
Esse trabalho, eu considero um divisor de águas na minha vida e tenho muito orgulho dele."

TB- E quais os planos musicais para este ano?

Dudé- "Nós iniciamos 2017 lançando nosso EP virtual pela Tratore e o CD oficial da banda será lançado ainda esse ano. Temos também planos de dobrar a quantidade de shows que fizemos no ano passado no intuito de levar o Rock And Roll e o Blues pro maior número possível de pessoas."

TB- Dudé, muito obrigado por aceitar o convite e dedicar seu tempo para responder nossas perguntas. Deixo aqui um espaço para suas considerações finais.

Dudé- "Agradeço de coração pela entrevista. Adorei responder às perguntas e vamos seguir adiante pra difundir cada vez mais as expressões artísticas e culturais agindo mais e reclamando menos."

Assista:


quinta-feira, 24 de março de 2011

Vozes do Blues com Bruno Santanna


O Blues não seria nada sem a alma do artista, afinal Deus sempre para o que está fazendo para escutar um Bluesman tocar a música que vem do coração.

Bruno Santana é um desses casos, pois sua voz tem o poder de alcançar todos os sentimentos guardados de quem o escuta cantar.


TB: Conte um pouco de sua trajetória musical e nos diga, em que momento você entrou nas estradas do Blues.

BS: “Comecei a cantar de brincadeira com 12 anos me divertia ao tentar imitar os cantores de POP Rock nacional e internacional dos anos 80, lembro que gostava de imitar o Ray Charles,o Michael Jackson e o Steve Wonder quando tocava WE ARE THE WORLD,USA for Africa em 1985, inconscientemente já me identificava com estes artistas.

Na infância ouvi MPB, meus pais gostavam de Tom Jobim,Elis Regina,Roberto Carlos, Raul Seixas,Chico Buarque, Blits...

Quando adolescente ouvi de tudo, muitas rádios foram formando meu gosto musical, descobrindo as FM’s que me agradavam conheci o filho para depois conhecer o Pai,em 1985 surgiu a 89 FM ( A Rádio Rock) virei fã, ia nos shows divulgados por ela,ouvi “Confortável” do Disco Mandinga de André Cristovam que tocava bastante no ano de 1989 na rádio 89, e também na Rádio Eldorado, naturalmente fui me interessando pelo blues,conheci o Blues Etílicos através de um primo que tinha dois discos, Água mineral e San-Ho-Say, então comecei a seguir o movimento, a Gravadora Eldorado gravava e colocava os artistas do Blues nacional no ar.

Ouvia os que tocavam mais na época o SRV,Jeff Healey, Eric Clapton, Gary Moore...

Mas eu não falava inglês ainda então pirava mesmo com o Blues nacional.

Vi o Blue Jeans pela primeira vez na MTV com o vídeoclip da música “Cachaceiro”, só para os mais jovens terem idéia, rolava blues nacional na MTV, acredite se quiser.

Ouvia também, Big Allanbik, Baseado em Blues, Irmandade do Blues, Sérgio Duarte,Caça Níqueis e outros.

Dei sorte, foi o período que o Blues foi mais forte na mídia Brasileira, rádios, TVs e grandes festivais. O Blues em português ajudava popularizar o gênero.

De lá para cá a cena blues cresceu temos blueseiros em muitos estados do Brasil apesar da falta de visibilidade e de poucos investimentos do setor privado.

Mesmo assim o Blues segue,mais uma prova da nossa paixão pelo Blues.

A minha primeira banda foi em 91 com meu vizinho baterista e amigos do colégio, até foi longe, tocamos no FESTVALDA três anos seguidos, fizemos um programa na TV Alphaville, uma das primeiras a cabo do Brasil.

Nós gostávamos do guitarrista Gary Moore e tocávamos a versão dele para Walking by myself, o guitarrista Jessé Carvalho tinha acabado de sair da Irmandade do Blues e queria montar um novo time, ele viu a matéria na TV e entrou em contato comigo.

Em 1996 surge o Blindog Power Blues. O Blindog faz um bluesrock pesado beirando o hardrock, lançamos um disco autoral em 2000 Sampa Midnight, tocamos bastante no circuito motociclistico,em vários shows dividimos o palco com o Caça Níqueis e Velhas Virgens.Lançamos outro disco, nove anos depois Paulicéia Madrugada Blues,mas não saímos em turnê por problemas com integrantes, o Blindog segue hibernando.

Em 2003 fui convidado para o Derivados do Blues banda que tinha uma formação forte, Paulinho Sorriso, Fábio Pagotto, Cláudio Camargo, Marcos Ottaviano,André Youssef, André Carlini,Sandro Grineberg , fizemos shows memoráveis,dessa banda derivou e nasceu o Krocfest festa Jam onde as feras do blues nacional se confraternizam até hoje e ajudam a Casa do amor ao próximo na coleta e arrecadação de alimentos para crianças carentes.Uma iniciativa do Cláudio Camargo que já virou tradição.

Em 2010 foi no Paddys Pub dia 09/12, vamos aguardar e conferir o de 2011.

Sai do Derivados no final de 2006.

Em 2007 montamos o Tritono Blues uma proposta acústica diferente das formações convencionais de blues, o gaitista André Carlini e o tecladista André Youssef e eu fazendo voz e percussão banda que mantemos até hoje.

Trabalho com o Tritono Blues , com a Big Band Kings de La Noche www.kingsdelanoche.com.br e comecei minha própria banda Bruno Santanna Band com o guitarrista Norba Zamboni, o baterista Caio Dohogne e o baixista Geraldinho Viera.”

TB: Você utiliza alguma técnica de aquecimento antes de cantar?

BS: “Sim, faço um leve e rápido aquecimento com trechos das músicas do meu repertório,

não fumo,não tomo líquidos gelados. Sabe aquela cerva estupidamente gelada, só nas férias e ainda tomando cuidado.

Fumar,consumir Álcool e bebidas geladas danificam a voz isso é fato.

Cabe ao dono do “instrumento” descobrir uma fórmula de usufruir do que gosta preservando a saúde.

Saúde = Boa voz !”

TB: Em algum momento em sua carreira, você teve vontade de gravar um álbum seu?

BS: “Tenho vontade,acho que neste ano consigo isso com a Bruno Santanna Band.

A maior parte das composições do novo disco do Tritono é minha, inclusive duas músicas instrumentais.Trabalhar nas composições com o André Youssef e o André Carlini foi muito tranqüilo eles têm uma capacidade de absorção diferenciada e não interferiram nas idéias originais.

É chato quando o companheiro de banda interfere muito na sua música,tem gente que não se contem e interfere tanto que força a barra até virar parceria.Isso é muito chato.”

TB: Bruno, obrigado por aceitar o convite e saiba que é muito bom ter um dos melhores vocalistas de Blues neste humilde blog. Deixo aqui este espaço para seus comentários finais.

BS: “Obrigado a você Roberto pelo convite e pela iniciativa de levar nossas histórias adiante.
Um abraço a você a todos os leitores do blog.”








Veja e escute mais:

www.myspace.com/tritonoblues
acústico,Voz, Piano elétrico, gaita e percussão.


http://www.kingsdelanoche.com.br/
Big Band


www.myspace.com/brunosantannaband
Voz , guitarra, baixo e bateria.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Vozes do Blues com Sherman


Carlos Sherman é uma das vozes mais marcantes do Blues nacional, além de ser um maravilhoso compositor.

Se não bastasse o talento musical que este bluesman possui, ele ainda é capaz de atrair grandes instrumentistas para perto de si e com isso formar grandes bandas.

TB: Conte um pouco da sua trajetória musica. Como você foi parar na estrada do Blues e o que te motiva a continuar nela?

CS: "Nasci no Rio de Janeiro em 1965, e desde os cinco anos, grudei na Grundig do meu pai, escutando Ray Charles, Frank Sinatra, Johnny Mathis, Tony Bennett, Beatles, Stones... E esta foi a minha indução, associada ao fato de que a minha família adorava promover festas sempre regadas à boa música; e tento um verdadeiro show man em casa: o meu pai... Um grande cantor amador mas que já subiu em mais palcos do que muito profissional por aí...

Passei o fim da década de 70 e o início dos 80 em Brasília, em meio à cena musical embalada pelo Paralamas, Legião, Capital, Finis Afrikae, Plebe Rude... Foi estonteante... Mas neste tempo, comecei a tocar violão e preferi o caminho da Bossa Nova, e compus as minhas primeiras músicas, que não vem ao caso neste fórum... Em 1986 desembarquei em Campinas, e formei a minha primeira banda, o “Spiritus”, baseado no significado em latim: “respiração”... Um provocação clara, posto que as músicas vinham diretamente de minha crise existencial em relação ao sentido da vida, e da minha vida... A música “Olhos”, regravada com o BlueSky, vem desta época... A primeira gravação rolou em 1988...

O “Spiritus” durou 3 anos e tornou-se “Anima”, seguindo a mesma linha por mais dois anos... Sempre autoral, discursando contra as guerras, fazendo alusões à história, e questionando sobre o sentido da vida, etc... Um Rock Pop com um pé no progressivo, muito autêntico, honesto e vibrante... Nesta época tocamos com o “Zenith” e o “Rosa Mística”... Tocamos em 7 rádios FMs entre Campinas, Valinhos, Vinhedo, Mogi Mirim e Mogi Guaçú... Fizemos shows em estádios de futebol, no Ginásio da Unicamp, Festa do Figo, Festa da Uva, e todas as casas da região... Foi uma trajetória relevante... Em 1991 gravamos ao vivo no Teatro Camerati em Santo André, produção do Cláudio Nucci... Mas o projeto não vingou, e o Nucci deixou muita gente boa na mão... Neste ano o “Anima” encerrou a sua trajetória...

Fiquei cinco anos fazendo algumas apresentações em voz e violão pela região, e subi no palco de muita gente boa, mas não voltei a constituir banda... De 1996 a 200 houve um vácuo na minha carreira, em todos os sentidos... Sentia-me frustrado pela cena nacional... Somente em 2000, retornei à luta, e dedicado exclusivamente ao Blues... Tendo em mente a proposta de fazer a releitura dos clássicos, além de alguns trabalhos autorais... Evitando o cover e a cópia pura e simples... Tentando agregar valor artístico... Trabalhando sobre instrumentos tradicionais, sem muitos efeitos na captação, mas com muita qualidade audio-técnica na mixagem e equalização... Incluindo backing feminino e um certo groovy... Incorporando também alguns clássicos do Rock e do Soul... Foram várias bandas, sendo que as mais duradouras foram o “Bunkin´Flues” e o “Blues S/A”... O “BlueSky” é o nirvana neste processo...

Apesar de relutar muito na definição do nosso som por rótulos, valendo-me dos mesmos somente como termos de referência, podemos dizer que o “BlueSky” começa no Blues e o céu é o limite... Escorregamos facilmente para o Soul e para o Jazz... O groovy está na personalidade de certos músicos da banda e quero aproveitar isso... Defino o nosso som como o New Blues, ou simplesmente o nosso som... O som do “BlueSky”... Como artistas como John Mayer, Robben Ford, o “BlueSky” evoca o blues e toca com liberdade de expressão...

Uma vez conversava com uma amigo, o Roberto Terremoto, e tratava de apresentar uma sessão de gravação que ainda não havia sido escutada por ninguém... BluesMan de carteirinha, disse ao Roberto que “havíamos traído a essencial do Blues”... Mas o Roberto retrucou “que nada, este som é do caramba... Deixe os meninos brincarem... Deixe esta maravilhosa banda solta”... Tenho certeza de que o Roberto não tem idéia de como as palavras dele selaram o destino do “BlueSky”... Blues sim, mas sobretudo músicos livres...."


TB: Você tem alguma preparação para sua voz, antes de entrar no palco?

CS: "Na realidade sou muito preciosista e perfeccionista em relação à qualquer apresentação... Quando tocamos à noite, sigo um ritual por todo o dia... Acordo bem tarde, durmo bem, como pouco, basicamente frutas e um prato de massa 3 horas antes do show... Tomo sempre um vinho, começando uma hora antes do show... Existe uma falsa mística de que alguns líquidos “aquecem” as cordas, quando na realidade não existe contado entre líquidos e as cordas vocais, posto que elas estão no caminho da traquéia e não do esôfago... Mas o meu objetivo com o vinho, além de relax psicológico, e produzir um relaxamento muscular, e que afeta as cordas... Além disso procuro me exercitar, sobretudo fazendo abdominais e fortalecendo a parte lombar... Antes de entrar em cena, faço um aquecimento rápido diante do espelho, que é bem ridículo para ser citado, rsrsrsrsrsrs... Rola um nha, nha, nha, nha, nhi, nha, nhi, nhi, nhan... Brummmmmmmm...

Com uma super careta, típica do Belting, minha técnica... Tenho um preparador de voz, o Rafael Villar, um grande profissional na área de musicais, e um fantástico ser humano... E nunca me apresento sem o meu Neumann KMS 104, e os meus efeitos TC-Helicon (Equaliser e Compressor auto-tunning, não confundir com auto-tone que faço questão de não utilizar; e um super Reverb Stéreo)... Assim fico independente dos recursos no PA... O meu Mic é “condenser”, mas tem um excelente corte de feed-back... Então tenho voz clara, limpa e bem equalizada... Outro ponto fundamental é escolher onde se apresentar... Já passei do tempo de tocar em qualquer lugar... Sempre visito a casa com antecedência, e não aceito tocar sem uma boa passagem de som... Meu próximo passo é tornar-me independente dos retornos, e ter o meu próprio retorno wireless de ouvido... Este recurso tira a curtição do clima no palco, mas em certas situações é essencial.... O Blues nem sempre primou por bons vocalistas, e a voz saia rasgada, muitas vezes suja... Mas vinha de dentro...

Minha voz também vem de dentro, é pode apostar que vivo em estado de Blues, rsrsrsrsrs, mas trabalho uma estética vocal diferente... Quero primar pela boa voz... Dificilmente vemos um vocalista de Blues... A cena comum é ter um guitarrista, gaitista ou tecladista que também canta... No meu caso, cantar é o fim... Cantar bem, de forma clara... “Endurecer si, pero sin perder la ternura”, rsrsrsrsrsrs... Quero seduzir com o meu canto, quero expressar emoção real com meu canto, quero enCANTAR..."

TB: Alem de um grande vocalista, você é um ótimo compositor. Onde você busca as idéias para escrever suas letras?

CS:
"Agradeço duplamente, e vindo de outro grande músico, e profundo entendedor de música, estes elogios muito me orgulham... Tenho um método para compor... Mas a inspiração nem sempre está lá... Existem fases onde posso produzir três músicas em um dia, e períodos onde não adianta sentar pra escrever que não vai rolar... Normalmente, tenho um tema sobre o qual quero escrever... Este é o ponto de partida, porque a melodia tem que coincidir com o tema... Se o tema é profundo e soturno, a melodia virá melancólica... Se estou esbanjando ternura, haverá uma balada à caminho... Então, com o tema na cabeça, a melodia vem... Quase sempre começo a balbuciar o som do baixo e da batera.... E experimento um fraseado vocal ainda ininteligível... Aí corro pro BlackBerry e gravo o esboço do arranjo com a boca... Fica ridículo, mas é esse o caminho, rsrsrsrsrsrs... Depois corro pro violão e encontro os acordes... Quando estou criando a melodia, também insiro o fraseado e a linha de voz... Sem compromisso vou disparando palavras e idéias... Então quase sempre acho o refrão... Existem situações especial como no caso de “I Wanna Be With You Tonight”, em que a letra saiu de um tacada... E não foi retocada... Também nasceu assim abordagem da voz... Tenho muito orgulho desse som... Que está ambientado nos anos 70, e tem um toque psicodélico... Partindo do conceito de que devemos viver o presente porque não conhecemos as chances de estarmos vivos amanhã... Está baseado também no filme “Remember Me”, ainda em cartaz... A tradução da idéia, da gravação do BlackBerry, dos acordes, e da música para a banda, rolou na hora do ensaio, e só tocamos uma única vez, e esta gravação registra este precioso momento... Estou experimentando algo novo, porque estarei compondo pela primeira com outro músico... Farei letra para as músicas do Marcinho Eiras, importante músico paulistano, também conhecido por tocar na banda do Faustão..."

TB: Com quem você anda tocando? Conte um pouco dos seus projetos.

CS: "Estou tocando com a banda dos meus sonhos... Caras que vi tocar e que pouco a pouco pude integrar ao projeto... Primeiramente fui apresentado ao Paulinho Gomes (Guitarra), que também toca com o Elemento Soul, e daí fomos consolidando a banda, que na verdade contou sempre com as sugestões do Paulinho... Eu já conhecia o David Rangel (Contra-Baixo) que toca com o Tony Gordon e com o Trio de Jazz do Bourbon Street... O David também tocou muito anos com o Nuno Mindelis... Trata-se de um dos maiores contra-baixistas em ação no país, e o Celso Pixinga pensa o mesmo... David estará lançando o seu CD solo ainda este ano... Depois veio o meu irmão Vandinho de Carvalho... Um dos maiores bateras deste país... Um baiano pra lá de paulistano, que começou tocando com nada mais nada menos do que o ritimista Carlinhos Brown...

Excursionando com ele pela Europa e Estados Unidos, na maior turnê de um músico brasileiro... Tocou com João Donato, também excursionando pela Europa e Rússia... Tocou com muita gente boa da MPB, e ainda toca com a Família Lima, Negra Li, entre outros... Nos teclados, temos Michel Lima, que também toca com a Negra Li e Vanessa Fallabela... Michel também é produtor de muitos outros trabalhos...

E assumo os vocais diante deste dream team... Estamos planejando uma temporada no The Blue Bar (http://www.thebluebar.com.br/), e gravaremos todos os shows em áudio e em mesa digital... E finalmente registraremos os dois últimos espetáculos também em DVD... Trata-se do melhor palco da cidade... Inimaginável... E você estará super convidado para a cobertura, ou somente para curtir... Este projeto conta com o apoio do Flávio Sanchez... Estou trabalhando em nosso primeiro CD... Tenho aplicado um formato de “ensaio” gravando sempre em multipista (multi-track)... A idéia tem sido, captar um som orgânico, vivo, ao vivo, e aproveitar os melhores momentos... O formato multipista me permite trabalhar e produzir o som... O formato “ensaio” é o disfarce ideal para tirar dos músicos a preocupação de acertar... E assim acertamos muito mais e com vida... O CD está nascendo deste formato... E estamos prevendo finalizar captações em mixagem/equalização em Abril/Maio, masterização em Maio/Junho, e fazer o lançamento aqui em São Paulo no Bourbon Street, e em Ribeirão e São José do Rio Preto com o pessoal do Vila Dionísio....

A participação do pessoal do Estúdio 500 é primordial, e este trabalho tem sido possível graças ao apoio do Douglas, e ao super Luciano, e toda a galera do 500... Ensaiar e trabalhar no lugar certo e com recursos técnicos e humanos de primeira linha, é parte da receita do sucesso... Também temos sido apoiados por nossa produtoras, a Lucas Shows, capitaneada pelo antológico Herbert Lucas, que entre outras coisas foi o responsável pela vinda de artista do calibre de B.B. King ao Brasil... A Lucas trabalha de forma séria e comprometida, com um “cast” de altíssimo nível.... É uma honra fazer parte dessa família.... E agradeço especialmente à Thaís e ao Beto, o casal mais lindo e competente da cena da produção musical no Brasil..."


TB: Sherman é um grande prazer ter você no blog. Deixo aqui este espaço para seus comentários finais.

CS: "Como dizia Jimi Hendrix, “o Blues é fácil de tocar e difícil de interpretar”... “I was born, in a crossfire hurricane – Rolling Stones”... Obrigado pela oportunidade, um forte abraço, e uma linda vida a todos..."




I Wanna Be With You Tonight (Carlos Sherman)




Got My Mojo (Preston Foster)
Veja mais:

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Vozes do Blues com Tainah Dantas

Trago para o Blog mais um pequeno achado. Sim, é um pequeno achado apenas no tamanho, pois nem sempre tamanho é documento.

A pequena Tainah Dantas é uma jovem vocalista, que possui uma voz suave e delicada, que toca a alma de quem escuta seu Blues.

Com apenas 20 anos, esta jovem cantora possui uma personalidade musical incrível, para comprovar isto, leia a matéria e assista ao vídeo.

TB: Quem é a Pequena Tainah Dantas? Conte um pouco da sua vida na música.

TD: "Bem, eu comecei na música com uns 3 anos de idade, quando comecei também a cantar. Antes dos 10 já cantava e me apresentava em coral, tocava flauta doce e alguns outros instrumentos de musicalização infantil, como xilofone, metalofone, etc.

Meus estudos eram basicamente auto-didatas, até que o tempo foi passando e com 12 recebi o primeiro convite para cantar numa banda, onde comecei a rabiscar algumas letras; com uns 14 já cantava em banda profissional fazendo alguns shows e apresentações locais. Nessa época comecei a estudar "academicamente" canto e teoria. Com 15, comprei meu primeiro violão e comecei a compor.

Nesse período participei de vários projetos que, depois, me levariam a cantar profissionalmente e a lecionar canto e desde então venho conquistando um certo espaço nessa àrea. Com uns 17 anos, me despertou uma curiosidade muito grande sobre a parte técnica do áudio (gravação, microfonação, mixagens, etc) quando então, recebi um convite para trabalhar num estúdio e senti a necessidade de aprofundar meus conhecimentos nesses assuntos e fui estudar - isso me ajudou a pensar a música e o som por um prisma mais pragmático, o que contribuiu muito no meu trabalho como música.

Enfim, a gente vai se consolidando aos poucos e querendo melhorar. Seria difícil dizer exatamente onde começou meu envolvimento "oficial" com música, pois, desde que me entendo por gente, ela faz parte de mim e da minha vida; acho que para todo mundo que trabalha com música é um pouco assim, não é? A sede de música não cessa."


TB: Sua voz é suave e delicada. Você se preocupa com o tipo de música que você escolhe para seu repertório? Quais os critérios que você tem para escolher as músicas que vai cantar?


TD: "Ah, obrigada pelo elogio! Olha, na verdade, não é com o tipo de música do repertório que eu me preocupo principalmente, mas sim com a forma de adaptar a minha voz a ele, até porque, no The Lady Blues Band a escolha do repertório é totalmente democrática, não se restringindo apenas à mim e claro, respeitando o estilo Blues; apesar de que quem mais é interado da seleção do repertório é o nosso guitarrista, Paulo Toth Jr. já enttrevistado por você anteriormente.


Eu adoro que seja assim, pois me dá a chance de exercitar uma flexibilidade que a própria proposta exige de se executar diversas faces do Blues e de interpretar cantores cujas formas de interpretação são muito variadas. Sendo assim a preocupação é conseguir retratar essas diferentes vertentes mantendo certas características sonoras de cada vertente do blues sem perder as características sonoras da minha voz.


Isso é um desafio que me acrescenta muito, e por isso procuro não ter um critério muito rígido na escolha das músicas que sugiro e que sugerem para o repertório, mas algo que com certeza é o pré-requisito nº 1 para que eu queira cantar uma música é que ela me faça transgredir de alguma forma, que me faça fazer coisas que eu não tive a idéia de fazer antes, e que principalmente me façam sentir algo."



TB: Você tem algum cuidado especial com sua voz ou você não se preocupa com isso?

TD: "Bem, ser cantora e professora de canto e inglês acaba cansando um pouco a minha voz; ela é meu principal instrumento de trabalho e por isso sofre certo desgaste. Sem contar que eu, por natureza, falo muito, durmo pouco. Para tentar compensar o desgaste e dar conta do recado bebo muita água, procuro comer, todo dia, pelo menos uma maçã, que é adstringente, evitar bebidas alcoólicas nos dias úteis, já que estas ressecam as pregas vocais e manter uma alimentação saudável. "

TB: Além do Blues, você canta algum outro estilo musical?

TD: " Sim, canto sim. É natural acabar cantando de tudo um pouco, mas lógicamente há os estilos aos quais eu mais me dedico. Ultimamente tenho ouvido bastante World Music, mas minhas raízes estão na MPB, e no pop e rock nacionais e internacionais mais antigos, bossa, jazz e com certeza funk e soul. "

TB: Tainah, muito obrigado por contribuir para o Blog. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

TD: "Imagina, eu que agradeço pela oportunidade de expôr aqui um pouco do meu trabalho e contar um pouco da minha história. Precisamos de mais pessoas com a mesma iniciativa que a sua no meio musical, não é? Incentivando o lado B. Foi uma honra contribuir para o blog, vida longa à ele e parabéns pelo seu trabalho!"


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Vozes do Blues com Renata Brasil

Sempre em buscas de coisas novas, trago alguém que já caminhou um bocado pelos palcos do Blues e tem coisas muito boas para dizer.

Renata Brasil é uma cantora de voz suave, delicada e contagiante. Impossível não fechar os olhos enquanto ela canta e viajar pela melodia de sua música.

TB: Como você se tornou uma vocalista? Quais suas principais influencias? Conte um pouco da sua trajetória musica.

RB: "Comecei simplesmente pela vontade de cantar, sem influência de família, pois não tenho nenhum parente músico que pudesse me proporcionar o contato com a música, ouvia o que gostava e cantava, quando criança. Com o tempo comecei a explorar músicas novas, apresentadas por amigos, como o blues e o soul, meu primeiro cd de soul foi The Commitiments, tudo começou aí, minha primeira referência, fiquei fascinada! Depois veio o blues, o primeiro que tirei foi That´s All Right com a Bonnie Lee, aí comecei a querer cantar de verdade, ter banda, essas coisas!! Tudo era blues, só via shows de blues, comprava só cd´s de blues, tudo blues, o que me fez conhecer os músicos, os lugares do meio e o principal, com o blues que eu aprendi a respeitar a música, qualquer que seja o estilo que eu procure.

Conheci muita gente bacana, pessoas que admiro muito e que viraram amigos hoje. Comecei com as canjas, fiz parte de alguns gigs, até ter a minha primeira banda em 2005, mais ou menos, que se chamava Cia. Real.

Falando de referências no blues (depois da lavagem cerebral, rs!), ouvia muito Bonnie Rait, Susan Tedeschi, Koko Taylor, T. Bone Walker, Muddy Walters, Etta James, B.B. King, Eric Clapton, Gary Moore, puts, muitos... Aí descobri a Clara Ghimel, a primeira cantora de blues brasileira que tive contato, aliás, vieram dessa referência as músicas que estão no myspace.

Com o tempo comecei explorar o jazz, foi uma fase muito importe pra mim, no estudo, na percepção musical, outra forma de cantar. Minhas principais referências de jazz são: Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Dina Washington, Etta James, Nina Simone.

Atualmente estou me aventurando na música brasileira, que tem muita obra prima, muita riqueza, logo mais pretendo concretizar um trabalho novo com jazz, samba, bossa, após estudar bem o repertório."

TB: Escutei as gravações que você colocou no seu MySpace e gostei muito das versões. Quais os músicos que gravaram com você? Como foi a escolhas das músicas?

RB: "Essas músicas, Spoonful (Willie Dixon), Reconsider Baby (Lowell Fulson) e Hot and Cruel (Clara Ghimel/Washington Drummond/André Christovan) foram escolhidas para gravar porque eram as três mais redondas, hahaha!!! Brincadeira! O repertório todo estava redondo, mas essas eram as músicas que ficaram diferentes, com o arranjo mais delicado para a voz feminina do tipo da minha, pois não tenho a mesma força que tem a voz das cantoras negras, aliás, pra mim elas são imbatíveis!

Os músicos que gravaram comigo foram os da formação da Cia. Real, Mr. John (guitarrista que fez parte das bandas Calibre 12 Blues e Zona Blues), Nonato Teixeira, o “Nono” (baterista, tocou com muita gente da música brasileira, Raul Seixas, Sá e Guarabyra, Grupo 14 Bis, entre outros) e Rodrigo Sabino (baixista, fez parte da Marafa Blues e foi o grande responsável pelo meu ingresso na música, especificamente no blues, quem me mostrou tudo que precisei pra começar).

As músicas foram gravadas no Cake Walking Studio (www.myspace.com/cakewalkingstudio), pelo Edu Gomes e Adriano Grineberg. Este mesmo estúdio foi onde tive aulas de canto com o cantor Rodolfo Bosco e também ensaiava com o pessoal. Lugar e pessoas muito queridos pra mim."



TB: Falando em MySpace, você acha que esse tipo de ferramenta ajuda a divulgar o trabalho de músicos que não tem espaço nos grandes veículos de comunicação ou é apenas um lugar para se trocar experiências com outras pessoas?

RB: "As duas coisas. Divulga e integra, você conhece trabalhos muito bons, gente de todo o tipo e o seu trabalho é visto também. Fiz o myspace recentemente, não tem nem um mês, e já recebi mensagem de gente que eu nunca vi na vida, mas que conhece o amigo do amigo, e assim vai."


TB: O palco é um lugar fascinante, falo por experiência própria, mas o que eu quero saber é, o que você sente quando está cantando em um palco?

RB: "Puts!!! Pra mim é como uma entidade!!! É muito bom, lava a alma...

O primeiro palco que subi foi o do Via Funchal, no Festival Anglo Musical 2003, o primeiro gig de blues, Pride and Joy, tudo na brincadeira, mas rolou! Esse festival é feito para todos os Anglos (cursinho) e abriramos, junto com outra bandas do festival, o show para os Titãs, incrível, umas 5000 pessoas!!!! Caraca!!! Tremia igual vara verde, hahahaha!!!

Nossa, foi muito louco porque, ao mesmo tempo em que tinha toda aquela galera, eu não via ninguém, só luz na minha frente!!! Hahahaha!!! Fechei o olho e cantei igual uma lunática, empolgação total!!! Depois o comentário geral foi: “Noooooossa! Subimos no mesmo palco que o B.B. King, hahahahah!!!!!!

O palco pra mim é um dos lugares onde tenho as mais variadas sensações, alegria, satisfação, segurança, insegurança, medo, vontade, trava e libertação."


TB: Renata, seu talento é algo indiscutível e por isso é um prazer muito grande ter você no Blog. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

RB: "Poxa, obrigada pela oportunidade! Foi um prazer pra mim também!

Olha, eu tenho muito respeito e consideração pelo o blues, ao contrário de muita gente, muito músico virtuoso que diz que o blues é fácil porque com três, quatro acordes se faz um, estes mesmos três, quatro acordes são feitos com sentimento, expressam uma condição de vida, estado de espírito.

Agradeço por ter começado com o blues, pois este me fez respeitar a música, como havia dito já, exatamente por esta simplicidade que se expressa tanto e quem não respeita o blues é porque não entende o que ele significa, o músico de jazz, de música brasileira, ou qualquer outro estilo, que ignora essa particularidade que o blues tem, ignora sua própria condição, pois música é música, música boa, merece respeito sempre, e principalmente porque o blues foi a base para vertentes como jazz, rock, samba, os quais são feitos por esses mesmos músicos que o ignoram.

É isso! Muito obrigada! Espero logo mais voltar com um trabalho legal para apresentar. E continuemos na luta... Beijos!!!"

Escute:

domingo, 25 de janeiro de 2009

Vozes do Blues com Teca Figueiredo


E o Rio continua lindo, nos oferecendo sempre algo de novo para as páginas do Blog.

A cantora Teca Figueiredo tem um estilo de cantar e uma voz muito diferente de tudo, apesar de lembrar um pouco as vozes dos anos 70, ela tem um diferencia incrível e transforma as canções conhecidas por nós usando novos arranjos.

Confira o bate-papo com esta cantora singular.

TB: Escutei muitas cantoras nacionais interpretando clássicos do Blues e do Jazz, mas o seu estilo de cantar é completamente diferente de todas, seu timbre não é semelhante a nenhuma outra cantora. Como você conseguiu criar sua identidade musical?

TF: "Bem Roberto, na verdade canto musicas que só homens cantaram... Isso foi uma constatação, não uma intenção, depois que montei o show " Rock Your Soul In Blues ". Quando percebi a única musica do repertório que foi cantada por uma mulher ( Etta James ) é " Sunday Kind Of Love " . Vai ver que é por isso ! :)"

TB: É bom ter um timbre diferenciado?

TF: "Acho que sim. Fica uma marca."

TB: Qual o tipo de publico que mais te agrada?

TF: "Olha menino, eu acho o maximo poder cantar para alguem !! Todoo publico me agrada. A não ser claro eventuais mal educados!"

TB: Onde você gosta de cantar?

TF: "Ah... Já cantei em até na rua Acapella para uma prima minha dançar! Então ... Não precisa pedir 2 vezes para eu começar! Mas adoro um palco com boa estrutura."


TB: Você tem algum cuidado especial com a sua voz antes dos Shows ou mesmo quando está de folga dos palcos?

TF: "Não exatamente. Na verdade até fumo de vez em quando... Mas muito poco na verdade. O negócio realmente e se manter cantando o máximo possivel. Todos os dias. Assim a voz se mantém em forma."

TB: Um repertório ruim pode prejudicar um(a) cantor(a). Quais as dicas que você daria para uma pessoa montar um bom repertório?

TF: "Acho que um repertório ruim pode sim prejudicar um cantor. Procuro dar uma dinamica no show alternando momentos mais calmos com outros mais intensos. Dentro dessa linha voce pode escolher em abrir o show, com momentos fortes depois cair para algo mais calmo e finalizar com musicas para animar, e assim por diante. Claro ecolhendo sempre um estilo musical."

TB: Teca, é um prazer incrível ter uma cantora com uma voz tão bonita no Blog. Deixo aqui este espaço para seus comentários finais.

TF: "Obrigada Roberto. Fico muito feliz de ter um espaço como o seu para poder falar um pouco de Musica e de meu profundo amor por ela!! Fica meu endereço no MySpace para seus leitores que queiram dar uma escutada no que ando cantando por ai!"





Escutem:
- Teca Figueiredo

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Vozes do Blues com Rasane Corrêa

Graças a Internet e ao Orkut, o Blues nacional ganhou uma das vozes mais bonitas da atualidade.

Rosane Corrêa é uma cantora carioca, que traz para o Blues sua experiência de vida, ajudando a somar forças para o nosso estilo.

TB: Qual foi sua trajetória musical até chegar ao Blues?

RC: "Comecei cantando em um grupo vocal e depois num coral católico. Fiz parte de uma banda amadora de rock/pop por 10 anos e simultaneamente tive uma banda profissional de jazz/mpb, com quem viajei muito fazendo shows por 8 anos e com quem participei do Festival de Inverno do SESC/Rio 2005.

No final de 2003 comecei a participar das blues-jams promovidas por músicos do orkut, e a partir daí decidi estudar e começar a cantar o Blues."

TB: Quais os cuidados que você tem com sua voz? Antes de entrar no palco você faz alguma coisa para esquentar a voz?

RC: "Bebo muita água em temperatura natural, não falo alto se não houver real necessidade, procuro não convesar muito em lugares onde o som esteja alto demais e não tomo bebida alcoólica antes dos shows. Não tenho cuidados extremos.

Antes de subir no palco costumo fazer um pouco de silêncio e me concentrar no trabalho que vou desempenhar. Aquecimento vocal faço apenas antes de cantar ópera, pois sou solista da Cia Lírica Villa Lobos, e este é um tipo de trabalho que exige demasiado das cordas vocais e do aparelho respiratório como um todo."

TB: Qual é o processo de escolha das músicas para seu repertório? Você canta músicas próprias em seus shows?

RC: "É um processo longo de estudo. Escuto muitos CDs, avalio as melodias e as letras para ver se são histórias que gostaria de contar. Depois penso na dinâmica do show e só então ele está definido. Canto músicas próprias, mas não muitas, porque opto por fazer com que as pessoas se acostumem pouco a pouco com elas."


TB: Hoje você tem um projeto que conta com músicos de primeira linha. Como você formou esta banda? Vocês têm intenções de lançar um material?

RC: "Sim, esse é o projeto dos meus sonhos; tocar com músicos de quem admiro o trabalho, de quem sou fã em primeira instância.

Fui a um show do Big Gilson ( que é um ídolo pra mim, além de um grande amigo ) e no final falei com o Gil Eduardo, logo em seguida falamos com o Pedro Leão ( respectivamente baterista e baixista da banda do Big Gilson ) sobre fazermos um trabalho juntos ( já éramos amigos antes ).
Eles toparam. Ficamos então de pensar num guitarrista que tivesse a ver com a gente. Uns dois dias depois o Pedro Leão me ligou dizendo que já tinha o guitarrista ( ele tinha falado com o Big Gilson, que decidiu entrar no projeto ). Foi simples assim, apesar de inacreditável! ( rsrsrs ) Foi um momento de grande exultação pra mim. Nascia assim a banda "Rosane & The Crazy Dogs".
Entraremos em estúdio ainda em junho para gravarmos nosso primeiro trabalho juntos."

TB: Rosane é um prazer ter você no Blog. Deixo aqui este espaço para seus comentários finais.

RC: "Agradeço a você, Roberto, pela gentileza do convite e pela divulgação que tem feito do nosso trabalho em seu Blog.

Esperamos todos os leitores do TERREMOTO BLUES BLOG nos nossos shows. E eu particularmente espero a todos no programa SOLID BLUES BRASIL, que apresentarei na SOLID ROCK RADIO a partir do dia 14 de julho de 2008 às 21h."

Veja mais:

- Musicas
-
Comunidade da banda "Rosane & The Crazy Dogs" no orkut
- Site da Solid Rock Radio

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Vozes do Blues com Anna Carla

Anna Carla é uma bluseira carioca que domina a voz como poucos e escreve letras em português como poucos.

Ela tem uma qualidade musical indiscutível e é uma pessoa muito divertida, como vocês vão notar na entrevista. Então vamos a diversão.

TB: Como você foi parar no Blues?

AC: "Eu não tô parada nada!!! AHAHAH To a todo o vapor, isso sim!!! rsss

Olha, Terremoto, na minha vida tudo sempre foi, e eu espero que continue acontecendo assim, uma questão de não deixar as oportunidades passarem... Eu tenho certas escolhas que independem de oportunidades, claro, e elas ficam como potenciais se eu não consigo, ou não posso, conquistar na hora. O blues entrou na minha vida meio assim.

Eu sempre gostei de musica boa, e adorava ouvir a radio fluminense (radio rock do Rio nos anos 80), que sempre tocava clássicos do blues. E desde essa época, ficou marcadinho que um dia eu ia procurar o estilo mais a fundo. Alguns anos depois, eu morei em Illinois (EUA) e fui parar, quase por acaso, no festival de blues de Chicago alimentando essa vontade. Mas não era a hora ainda. Eu tava bem envolvida com outros projetos profissionais e não podia me dar ao luxo de fazer nada alem de ouvir e assistir a ótimos shows. Isso foi piorando, cada vez mais eu era espectadora querendo estar no palco. Daí, mudei de vida profissional de forma que eu pudesse estar sempre na mesma cidade e ter um horário de trabalho mais regular, o que me deu possibilidade de dedicação novamente à musica. Eu voltei a cantar e montei um trabalho pop-rock (pois é, eu e a torcida do Flamengo, ergh). Foi aí que (finalmente, leitor, finalmente) encontrei um bando de músicos loucos que me chamaram pra uma Jam de blues. Malditos!!!! Tudo culpa do Marcos Zeve (banda Deaf Dogs) que me chamou pra ir no estúdio participar de uma Jam!!!! Assistir àquela viagem musical me fez ficar viciada em blues! Um tempo depois, encontrei o Mauricio Fernandes no meio blueseiro, e agora nem que eu quisesse ficar longe do blues eu conseguiria! Mas parada? Parada não!!!! Nem dá! rss."

TB: Além de uma excelente vocalista, você é uma ótima compositora e o que é mais bacana é que você escreve suas letras em português. Qual é seu processo de composição?

AC: "Leitores, eu juro que não rolou um jabá! Terremoto... Menos... Bom, em relação ao vocal, é uma busca permanente. Eu estou sempre insatisfeita com minha voz e sempre tentando melhorar, e eu acho q isso, de uma certa forma, dá certo. Eu tenho aprendido muito com o blues porque é um estilo que envolve e, ao mesmo tempo, exige que você esteja relaxada e tranqüila pra alcançar bons resultados. Isso me permitiu compor. Você tem idéia de quantas letras eu já rasguei????

Como escorpiniana, sou 8 e 80: eu ficava deprê e escrevia uma letra mega-ultra-giga melancólica e no dia seguinte rasgava, porque eu achava super clichê. Na outra semana, eu me achava mais intelectual e escrevia uma letra super “cabeça”. Bobagem! Eu rasgava de novo porque eu achava clichê também. Hoje eu me permito estar mais relaxada e exigir menos, com isso, tem saído letras que eu não me arrependo de entregar pra banda musicar. Estranho, mas esse mecanismo eu aprendi com o blues. O simples pode ser muito melhor. Pode ser um simples que funciona e que mostra nossa alma. E a nossa alma não é banal! Isso é blues. E pra ser verdadeiro em mim, tem que ser em português."

TB: Qual sua visão do blues brasileiro?

AC: "O blues brasileiro tem dois lados, na minha opinião. Um lado de união, de bandas ou músicos que se apóiam. Uma relação de cumplicidade que não tem como dar errado. Cada um tem a sua estrada, sua historia, e não tem como apagar ou construir de um dia pro outro. Quem troca essas experiências sem medo da estrela do outro, só tem a ganhar. E isso tem muito no blues. Ou pelo menos, quem não tem, acaba ficando isolado por ai.

Mas tem o outro lado que, quando aparece, é super perigoso. Achar que o blues deve ser ouvido por quem “entende de blues”. Ou tocado por “quem entende de blues”. E ainda tem quem diga que é estilo musical elitista. Poxa, vida. Elitista???? Os caras que criaram o blues sofriam pra burro na vida, não recebiam educação formal e levavam a platéia a uma interação que envolvia e conquistava. Era popular mesmo, no sentido literal da palavra. Musica do povo. Musica do povo da época. Eles tinham que se virar nos 30 pra agradar e com isso ganhar algum. Será que é isso que o mercado de blues no Brasil acha que é blues? Eu não espero, nem quero, que nenhum musico de blues tenha que sofrer e passar por nada disso pra ser blueseiro. Seria uma distorção achar que essa é a conclusão que eu quero chegar.... O que eu tenho muita duvida é se o blues brasileiro quer ser ouvido mesmo ou se quer se passar por “purista”. Eu admiro trabalhos como o do Jefferson (Gonçalves). Ele faz um trabalho que se orgulha e que curte fazer, mas que apresenta elementos que cativam o ouvinte. O que, na minha opinião, é popular. É popular porque agrada a quem “conhece o blues” e a quem gosta de música e pode não precisa “saber” o que é blues pra gostar. Você sabe, que tem muito guitarrista, que se diz de blues, que se obrigam a fazer a toda musica um ‘belo solo de guitarra’. O “Belo” é questionável, mas pra mim, na musica, o “Belo” é o que arrepia a espinha, ou que te tira da cadeira, ou que te tira uma lagrima. }

É o que te conecta com o publico, com o povo. E isso pode até não acontecer sempre... Tem gente que insiste em encontrar esse ponto mesmo quando não dá, e com isso cansa a platéia. Blues é, na sua concepção, popular. Tem que agradar ao publico. Claro, com seu estilo, sua personalidade, mas conectados com o publico. Sentindo o que o publico sente. Eu acredito que enquanto não se acreditar nisso, e claro investir em divulgação (porque ninguém sai de casa em uma cidade perigosa como as nossas se não souber o que tem e aonde), o público do blues vão ser apenas os músicos “de blues”. "

TB: Como você vê o crescimento da participação das mulheres no blues?

AC: "Não vejo motivo para haver diferenças entre participação das mulheres e homens no blues. E como o blues tem se expandido, é natural o crescimento da participação delas (de nós) no estilo, o que talvez fosse restrito antigamente. Hoje não pode ter isso. Eu admiro mulheres como a Susan Tedeschi, Katie Webster, Diana Krall e Norah Jones que cantam e tocam blues. O que eu particularmente adoraria, mas não tenho esta aptidão de unir o piano (que foi o primeiro instrumento) com a voz.

Aqui no Brasil, eu não tenho visto a participação das mulheres no blues em outros instrumentos que não a voz. O que é uma pena. Talvez porque as primeiras vozes do blues eram cantoras, fique a impressão que as mulheres no blues “deveriam” cantar. Me recuso a pensar assim, ne? Eu canto porque gosto, e gosto de blues. Mas gostaria de ver no mercado nacional mulheres gaitistas, guitarristas, baixistas ou bateristas no blues. Alias, uma banda só de mulheres, como tem no pop-rock, seria um hiper diferencial! E principalmente, com uma vocalista que não queira reproduzir o som das cantoras de blues do século passado, e sim ter o seu próprio timbre! Isso me atrai nas cantoras em geral."

TB: Quais são seus projetos? Você pensa em gravar um trabalho próprio?

AC: "Terremoto, quando eu gravei este EP (que está disponível no palco mp3 e no myspace) a minha idéia era gravar um trabalho próprio. Mas isso tem que vir naturalmente. Eu achei que não era a hora. Não ia ser natural. Eu ainda estou num momento “banda”. Não sei se esse momento passa logo, ou não. Mas eu não me sinto ainda colocando um trabalho na estrada com o meu nome. Mas pode acontecer. Meus projetos? Hoje meu projeto musical é descobrir na Bandanna Blues o som próprio que está se construindo. Estou estimulando os componentes a trazerem sua bagagem eclética pro som do blues. Isso ta ficando bem interessante. Espero que em breve possamos apresentar o resultado dessa formula doida aí. E que ele fique bom! Ah, e popular. E blues. Ahahah "

TB: Anna, muito obrigado por sua participação. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

AC: "Você foi muito louco de me chamar! Eu que agradeço a oportunidade de falar (tanta bobagem) em publico!!! E eu acredito nessas bobagens, esse é o problema! J Agradeço aos amigos que estão nessa estrada conosco. Vocês de São Paulo que fazem essa troca super interessante conosco: A Black Coffee que abriu esse canal RJ-SP conosco e o Blues com Z que promove uma conexão legal do blues brasileiro no Chat. Aos blueseiros cariocas: especialmente ao Leo Ventura da banda Destilaria, ao Paulo e a Denise, que movimentam o centro da cidade com a Banca do Blues, e as bandas de blues que se apóiam e se ajudam, seja com criticas, com indicação de shows, ou até com um bom papo repassando experiências que já viveram. Cada vez mais isso passa a ser uma constante no nosso meio.

E você leitor, se quiser conhecer um pouco do meu trabalho musical com a Bandanna Blues, está convidado a ir ao nosso site e a ouvir nossas músicas. Muito obrigada pela atenção! Parafraseando a radio blues na veia: “Relaxa, e deixa o blues entrar na sua veia!”."




Veja e escute mais:

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Vozes do Blues com Bee Scott

Hoje comemoro a marca de 50 artigos com uma das pessoas que me fez entrar para o Blues, a minha Diva, Bee Scott.

Vi esta mulher cantando em um programa de TV, e me apaixonei definitivamente pelo Blues, e quem me conhece sabe o quanto este estilo é importante em minha vida.

A Bee Scott é umas pessoas singulares, que veio ao mundo para mostrar um talento que só pode ser atribuído aos mais elevados anjos do céu.

Não tenho como agradecer este presente que recebo, mas com todo orgulho compartilho este artigo com vocês.

TB: Você está afastada dos palcos, mas está trabalhando muito nos bastidores. Hoje você tem uma produtora, uma rádio na Internet e escreve artigos para sites e blogs, como você consegue fazer tudo isso?

BS: "Em 2001 perdi uma filha no meu oitavo mês de gravidez e precisei entrar dentro da casca de câncer, voltei para o palco em 2003, onde acredito ter agregado algo mais a minha sensibilidade, uma maturidade sonora de alma e de vida. Uma praticidade e um senso de direção muito forte! Saber onde ir e onde chegar!

Percebi que cantar, criar, produzir, concretizar projetos culturais como a Rádio Strangers, tudo isso era parte de um projeto maior de vida, sempre ouvi de pessoas próximas, que Deus havia me presenteado com muitos dons e que por eu ser perfeccionista, eu os faria com muita garra, então, resolvi testar outras atividades que pudessem exigir de mim a criatividade e o corre corre que tanto gosto.

Às vezes, comento com algumas pessoas, que me tornei viciada em trabalho, raramente consigo me distrair com amigos, minha cabeça está pensando 24h em trabalho...As idéias surgem e eu preciso estar sempre pronta!

Eu não produzo apenas, hoje sou sócia da Na Selva Produções com a produtora Janaina Nascimento; sou dona da Rádio Virtual Strangers, onde mantenho um Server mensalmente, pois a rádio, consome um número elevado de gigabytes e a cada dia cresce mais, neste momento estamos reformulando a rádio.
Tive que tirar umas pequenas férias do site Balela de onde sou colunista, e do livro anual dos Anjos de Prata, do qual fiz parte em 2006 com três textos.

Estamos com uma grande demanda de produção e estou bastante satisfeita, pois tenho trabalhado com pessoas incríveis, com pessoas de todas as personalidades e egos. Acredito, que seja um estágio para que possamos exercitar a humildade.

Na produção aprendemos demais com o comportamento alheio.

Estando fora dos palcos, é como se tivéssemos nos vendo por um espelho, egos vulcânicos, explosivos e bastante exigentes; aprendemos a respeitar todos os temperamentos e ter o famoso jogo de cintura.

Fica tudo tão diferente...
Sempre fui exigente demais com o perfeccionismo, porém de uma maneira simples.
O talento independe de arrogância, aliás não combina com este estado de espírito!
O talento é tão poderoso que ele tem vida própria dentro de você, ele transcende, levita.

Temos que ampliar nossas mentes em direção ao novo, não pensar que somos únicos e que o universo não gira sem nossa participação, somente assim temos a chance de crescimento real...Estamos sempre zerando os pontos. O que permanece mesmo é o respeito que angariamos ao longo da vida e guardamos como fichas que podemos gastar mais tarde!

Quando eu participei da montagem da parte de sonorização do Sesc Vila Mariana, o engenheiro responsável me encontrou em uma bancada de solda e perguntou: Você não é a cantora de blues? O que vc faz aqui soldando cabos ?

Eu respondi: Gosto de aprender o que se passa por trás do meu trabalho, cantar não é somente segurar um microfone na mão e fazer caras e bocas.

É gostoso aprender como plugar um aparelho, e até mesmo consertar seu próprio cabo de microfone.

Uma cantora hoje em dia, não pode se dar ao luxo, em pleno século 21, de se alienar em frente a um microfone; ela tem que conhecer os bastidores do seu trabalho, para que possa opinar com propriedade nas decisões técnicas de seu show.

Quando fiz meu show no Sesc Vila Mariana, senti aquela pontinha de orgulho, de eu estar cantando e utilizando o cabeamento que eu mesma soldei.
Isso me deixou feliz!"

TB: A sua Rádio tem o objetivo de divulgar os talentos nacionais, e mostrar pra nós brasileiros, que temos capacidade de fazer música de verdade. Como você seleciona as Bandas para a rádio?

BS: "Acredito no meu senso crítico, e nas regras que coloquei para esse projeto cultural.

Considero a rádio meu primeiro filho, por este motivo o design dela tem um bebê com fones de ouvido, representando o nascimento do ser inteligente! O desconhecido originalmente bom!

Acredito muito no que não é popular, gosto do diferente, do cult, do underground, sou bastante exclusivista, mas não critico o outro lado da moeda, porque existem pessoas bacanas e talentosas em todos os seguimentos da música, mas meu feeling e meu gosto me empurram para o alternativo.

Falo de uma música bem feita, com harmonias e melodias bem construídas; é difícil passar a vida toda ouvindo Miles, Charlie Parker, Jimi Hendrix, B.B.King, Bill Evans, Coltrane entre muitos outros nomes que passei a juventude toda escutando e não desenvolver um senso forte crítico, um gosto apurado e uma ampla visão do improviso!

Quando eu assisto um show, eu já desenho na minha cabeça as notas que serão dadas no próximo acorde... Já é natural em mim.
Óbvio que não me prendo somente no blues, apesar de ser uma bluseira de alma; adoro descobrir nomes, vozes em novos estilos.
A primeira regra da rádio é ter um som de qualidade em termos de sonoridade, obviamente que o trabalho musical tem que ser inquestionável.

Eu não observo somente a técnica, eu observo outros fatores, como a criatividade, musicalidade, até mesmo a simpatia conta para que eu receba o artista na minha rádio.

Adoro um belo trabalho, aliado a humildade!

Não falo dessa humildade de ser coitadinho...

Porque todo artista tem ego inflado e acho até positivo, porque o faz correr atrás e desafiar seus próprios limites...
E quando é desafiado este ego, ele aparece arrebentando portas...e se não for bem trabalhado pode minar a carreira do artista.

Acredito no trabalho feito na quietude!
O artista que corre atrás da forma mais cotidiana possível...
Ralando!

Cavando espaços e sempre se reciclando!
Aquele artista que sempre tem nas mãos, materiais de qualidade, como mp3, cd demo, um belo release com fotos boas, um cartão de visita personalizado, investir em si mesmo e a simpatia e humildade de bater nas portas!

Meu projeto para 2008 é entrar em contato com um selo e fazer um cd da Strangers rock
Strangers Blues , todos os seguimentos da rádio!

Temos materiais fantásticos para isso!"

TB: Você tem uma das músicas mais bonitas que já escutei (“Trilhos”). Sei que o processo de composição varia de compositor para compositor. Como você compõe suas letras?

BS: "Meu processo de criação não é muito diferente dos demais, eu apenas coloco o coração profundamente nele, me entrego totalmente, mas acho que uma peculiaridade é que tenho que compor coisas reais...Sem fantasiar, eu vivo determinadas situações e crio minha letras, tenho um Gibson Ephifone muito bom, uso cordas Martin MH530 .010Phosphor Bronze...

E posso dizer que desde o primeiro momento, este violão sempre falou somente a minha língua!
Ele não conhece o caminho de outros sons...Ele toca somente o que eu crio!

É um estilo de compor, um estilo de ser meu!

Esta música Trilhos há bem pouco tempo foi super elogiada por um crítico de jazz americano. Confesso que nunca rotulei...Mas quando eu compus, eu havia ido a uma sessão de vídeo do Itaú cultural sobre blues, e me apaixonei por este filme, um curta metragem que contava a vida de vários bluesmans que não ficaram famosos, mas que eram lendas e mostrava a vida deles o dia a dia...Dentro de um trem...

Cheguei em casa inspirada...

Eu andava de metrô e de ônibus com um gravador de mão.
Eu cantarolava a melodia que eu havia criado para não perdê-la e esboçava a letra em pequenos papéis que eu encontrava dentro da bolsa...

Tem uma música no meu site, chamada “7th avenida” que fiz em homenagem ao Miles Davis, mas a música fala da minha Avenida do coração, “Paulista”.
Porque quando eu me sentia sozinha em são Paulo, ou me sentia oprimida nesta cidade gigante, eu pegava um ônibus e andava a paulista toda, e voltava renovada para casa... Deve fazer uns bons 18 anos.

Muitas vezes meu ex-marido vendo que eu estava irrequieta, sem inspiração, me convidava para passear de carro à meia noite na av paulista; eu abria os braços e andava com o vento na cara!

Isso tudo me remetia a fazer minhas canções!

Então meu processo criativo tem um momento certo, que nasce dependendo do que estou vivendo.

Pareço um pescador, que passa horas em frente ao mar esperando o momento de pescar!"

TB: Quando teremos a Bee Scott nos palcos? E existem previsões para um CD?

BS: "Recebo diariamente e-mails e contatos para produzir meus shows, pedidos de cds, dvds, casas de shows, pessoas que acabaram virando fãs, propostas de músicos americanos, pois a Internet tem um poder muito grande de tocar uma carreira sozinha, você pode estar afastada dos palcos reais, mas o palco virtual continua a te projetar para um número cada vez maior de pessoas!
Basta você saber como investir neste seguimento.

Hoje posso dizer que cuido do material virtual de várias bandas, a grande maioria de blues e uma delas, a Banda Blue Jeans, há um mês, estourou a Bandwidth, de tanta visita e procura pelo site, tudo isso é um resultado de um investimento da banda, claro que o trabalho, a notoriedade contam, mas na rede o que conta é ter um bom material, fácil de navegar, interessante de bom gosto.
Você investe uma vez e com toda certeza, sabendo trabalhar na divulgação, este gasto torna-se rentável!
Está no ar o site da Irmandade do Blues, Ruthe London, Piano Duo, estou acabando o site do Ari Borger e o da cantora Vania Lucas.
Hoje conto com um super designer, um músico bluseiro que está surpreendendo com seu trabalho em sites, o músico e artista gráfico Ricardo Lima, com quem tenho o prazer de trabalhar!
Sou formada em Belas Artes pela UDESC, e hoje desenvolvo arte gráfica em web e em business card, entre outros trabalhos ligados ao meio artístico, incluindo a consultoria para bandas de comportamento, moda e tudo relacionado ao estético de um trabalho musical.

Tudo isso é fantástico! Adoro trabalhar com esta possibilidade do inusitado, do mistério que envolve cada trabalho, é um desafio!

Eu acabo de passar por uma experiência inovadora, recicladora, onde mudei minha vida radicalmente!
Passei por uma cirurgia grandiosa, de desvio do intestino, Dr Lazarroto, onde perdi 24 kilos e me sinto outra pessoa.

Apesar das grandes cantoras de blues serem gordas, eu sou muito vaidosa e não estava satisfeita comigo, meu lado perfeccionista falou mais alto.

Tive que ficar o ano de 2007 afastada dos palcos, mas pretendo viajar para fora do Brasil em julho, se tudo der certo.
Não sei o que o futuro me reserva, pois estou aprendendo a planejar; não posso prever se tudo que eu quero vai acontecer, mas posso batalhar para que aconteça!

Pretendo continuar o curso de cinema com meu professor Francisco Conte, fazer meu documentário de blues e tenho planos futuros para um livro e um cd com várias parcerias
interessantes."

TB: Bee, não tenho como descrever o quanto fico honrado de ter você no meu Blog, deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

BS: "Quero agradecer ao convite que você me fez, o respeito que você sempre demonstrou pelo meu trabalho, pela minha carreira.
Finalizo esta entrevista tão bacana dizendo: Ser músico, antes de mais nada, é ter a sorte de nascer com alma afinada, e a dádiva de ter ouvintes fiéis.

Sempre sabendo que, apesar de termos este dom musical, somos parte de um universo de seres que se esbarram pelas ruas da vida e que ninguém é melhor do que ninguém. Existem pessoas mais batalhadoras e pessoas que usam com mais sabedoria seus dotes musicais.

Somos apenas passageiros em busca da satisfação e da plenitude."





Veja Mais:
- Site
- Rádio Strangers

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Vozes do Blues Hilmara Fernandes

Para mostrar que Minas é repleto de músicos extraordinários de Blues, trago uma convidada de BH, a cantora Hilmara Fernandes.

Dona de uma voz poderosa, Hilmara é mais uma bluseira que faz de tudo para que o blues de Minas e do Brasil cresça cada vez mais e por isso a convidei para o blog Uai.

TB: Você tem formação erudita e foi cair nos braços do Blues. Como isso aconteceu?

HF: "O Blues aconteceu de uma forma muito espontânea, principalmente pela minha identificação com a voz das grandes Divas. Quando fui apresentada a aquilo tudo..vi que era exatamente isso que eu queria fazer! Agraciada pelo conhecimento de Historia antiga, me encantei pela 'definição' de música: É a "Arte das musas!" e eu queria ser uma delas..rsss.

Por mais absurdo que possa parecer, o blues e a musica erudita tem algumas caracteristicas idênticas: não dá pra interpretar sem sentimento, sem sentir na pela cada palavra da canção!"

TB: Hoje você está com a banda Loretta Funkesntein, como é o trabalho de composição da Banda? Você também escreve?

HF: "O trabalho de composição do Loretta é inteiramente creditado ao guitarrista Schellão (Marcelo Silveira Neto), que além de ser um dos melhores guitarrista de blues que tive prazer de trabalhar, é um excelente compositor e arranjador. Participo com opiniões, alguns arranjos de voz..mas as musica nasceram da incrivel alma musical desse cara! Sou muito grata a ele por tudo que passamos juntos pelos palcos da vida durante 13 anos!"

TB: No Blues, Jazz e no Soul, as vozes femininas sempre são marcantes. Quais são suas principais referências?

HF: "Minhas referências não estão totalmente ligadas a blues , jazz e soul. Absorvo tudo que me apareçe como fonte de criação e interpretação. Ouço muito Mothers Finest, Koko taylor, Us3, rithim'nblues, musicas do kazaquistão e toda e qualquer possivel fonte de "alimentação". Passeio por sons como Diamanda Galás a Katie Webster, com pitadas de Jessie Mae Hemphil. Por aí você vê: não há como citar uma ou outra. Tudo me interessa!"

TB: Quais são os cuidados que você tem com sua voz?

HF: "Sinceramente? Já fui mais fresca...hoje apenas exercícios diarios de vocalizes, potencia.etc. Antes do show aqueço a voz durante meia hora mais ou menos...com exercicios respiratorios e de relaxamento das pregas vocais e bebo muita.. muita... agua antes, durante e depois do show."


TB: Você acredita no Blues nacional?

HF: "Tanto acredito como invisto nesse trabalho. A riqueza de informações culturais de um pais de proporçoes continentais traz experiencias sonoras muito possiveis para o blues nacional, dando caracteristicas proprias ao que produzimos! Sul, nordeste, sudeste, norte...é muito interessante buscar fontes inusitadas para a produção e criação!

O mercado é sim, segmentado, mas tem admiradores fiéis, fazendo que com a cada dia mais bandas surjam com trabalho bacana e as que ja existem, refinem a sonoridade! Apoio 100%.

Temos muitos representantes fortes no Brasil. MInas tem trabalhando muito na divulgação com gente muito boa, como o Hot Spot, Legado Blues, Leandro Ferrari o proprio Loretta com sua influências e trabalhos especificamente voltados para o blues..se eu for citar um por um...não termino esse texto hoje..rssss"

TB: Hilmara, muito obrigado por sua enorme contribuição. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

HF: "Agradeço a oportunidade de poder falar um pouco do meu trabalho e acrescento mais: Que toda a comunidade blues façar parcerias, jams, troca, gigs..tudo que der..produzam juntos..criem juntos...lada o lado! Juntos somos fortes pra sempre!!! Todo mundo está fazendo isso por amor. Difilculdades existem sim, mas a perseverança e dedicação superam tudo.
"Praise is cheap, use it." "




Escute e veja mais: