segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Cozinha do Blues com André Luiz Sangiovanni

André Luiz Sangiovanni, mais conhecido como Bebezon, é um baixista extraordinário, pois tem uma técnica muito apurada e um feeling de impressionar.

Um baixista que qualquer banda gostaria de ter, pois sabe o que fazer e o melhor, na hora certa, sem deixar espaços nas músicas.

Chega de papo e vamos aos fatos.

TB: Você já havia tocado em uma banda de Blues/Soul antes da Black Coffee? Mesmo sabendo que você é um músico profissional, quero saber se você encontrou alguma dificuldade na linguagem?

Bebezon: "Já havia tocado algumas vezes músicas como Mustang Sally e Play that Funk Music, em bandas que tinham um repertório mais variado, mas nunca tinha tocado numa banda que priorizasse o Blues e o Soul mesmo.

Minha bagagem musical ajudou em algumas coisas, como por exemplo, nas harmonias, nas convenções e em toda essa parte mais teórica. Por outro lado existiam alguns vícios e concepções no jeito de tocar outros estilos que acabaram me atrapalhando um pouco quando eu comecei a ensaiar e a fazer os primeiros shows da banda, como por exemplo, na timbragem que é predominantemente mais grave e encorpada no Blues e sempre com bastante energia “sem deixar a peteca cair”, e nas concepções, pois sempre tive um jeito mais livre de tocar em geral, mudando os grooves dentro da mesma música e interagindo com os outros músicos da banda no sentido de “comprar idéias” durante a música.
No Blues a interação com os outros músicos consiste mais na pulsação e na intensidade da banda como um todo, e sempre mantendo a mesma idéia no groove. Na Black Coffee nós estamos tentando misturar um pouco das duas coisas na parte da interação."

TB: Você toca um baixo de seis cordas, esse instrumento não é fácil de se ver nos palcos. Qual é a afinação dele? E porque um baixo de seis cordas?

Bebezon: "A afinação do baixo se dá em quartas, começando da mais aguda para a mais grave temos CGDAEB (Dó, Sol, Ré, Lá, Mi, Si). O primeiro baixo de seis cordas que comprei foi um Tagima B6, para estudar Música Brasileira e Jazz, estilos que sigo estudando e tocando até hoje com o Qn Quarteto, que trabalha vários gêneros musicais brasileiros com muitos improvisos e muita energia. O contrabaixo que uso atualmente é o meu segundo de seis cordas e foi feito pelo Luthier Ladessa, um ótimo Luthier que trabalha na Zona Sul de SP, eu uso ele na Black Coffee por ser meu melhor instrumento para trabalho, desde a pegada até o som."


TB: No evento Blues pela vida, além de você tocar com a Black Coffee, você tocou com o Sergio Duarte & Entidade Joe. Mesmo sem saber o repertório e as convenções você foi incrível. Como você consegue se adaptar e interagir em um momento desses?

Bebezon: "Fazer uma substituição as vezes são coisas que acontecem de vez em quando no nosso meio, e na maioria das vezes é como aconteceu nesse dia, que fiquei sabendo que ia tocar com eles pouco antes do show começar. Nesse dia eu tive até um pouco de sorte, pois só fizemos alguns blues na forma tradicional, ou seja, com a harmonia no I-IV-V, daí tive que ficar atento com as dinâmicas e com as convenções. Nessas horas é bom deixar o piloto automático ligado fazendo o groove bem simples, e prestar atenção no resto da banda."

TB: Hoje você vive de música? Quais são as dificuldades e vantagens de ser músico em tempo integral?

Bebezon: "Vida de músico no Brasil é como viver de qualquer outra coisa no Brasil, apesar de às vezes algumas pessoas terem preconceito ou até mesmo inocência de achar que não dá pra viver só trabalhando com música. É preciso se dedicar muito e fazer algumas escolhas que não são fáceis para montar uma carreira próspera nesse meio.

Um dos problemas no Brasil é a falta de organização e às vezes falta de união dos músicos pra fazer um cenário que seja bem visto e tenha o devido valor reconhecido por pessoas comuns, e até por pessoas que de alguma forma precisam de músicos profissionais, como donos de bares que oferecem música ao vivo e tem uma visão deturpada da coisa, e isso só pra ter um exemplo básico.
Mas é uma grande satisfação viver de música, cada show que faço traz alguma sensação ou até descoberta nova, além das pessoas que conheci nesses 7 anos que decidi levar a música profissionalmente.
Também dou aulas particulares, que além de trazer um rendimento mensal mais fixo me dá prazer em fazer, ver o aluno progredindo sob qualquer aspecto é muito bom de se ver."

TB: Valeu pela sua ajuda, e deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

Bebezon: "Eu é que agradeço a oportunidade, e deixo meus parabéns pelo Blog que abre espaço para a galera do Blues que é muito bacana e manda muito bem nos sons por aí!"






Veja mais,
- Qn Quarteto
- Black Coffee

4 comentários:

Marcus Mikhail disse...

Vi o André tocando no Blues Pela Vida e gostei do som encorpado que o baixo de 6 cordas trouxe à Black Coffee. E ele consegue esse som com muita precisão.

abraços

Marcus Mikhail
www.bluesmasters.blogspot.com

Anônimo disse...

O bebezon realmente veio somar com a Black Coffee, estou feliz de te- lo com a gente, muito mais pela companhia e amizade q temos um pelo outro, tornou-se meu mestre tb, me ensina a tocar violão, e acredito que juntos todos nos da banda faremos um trabalho q so nos dara muitos ganhos, teremos muito q trabalhar mas venceremos.
Como diz o Marcio (guita ) estamos colhendo frutos valiosos.
Bebezom estou feliz por estar com a gente , ele entendeu o espirito da coisa.
PAz a todos
OSWALDO

eagaspar disse...

O cara tem uma bela pegada no baixo, tive prazer de fazer 2 eventos em que estava a Black Coffee, onde ele deu um show no baixo, só falta dar umas reboladinhas no palco hehehe
o cara é muito bom

Anônimo disse...

Ele toca muito fácil!!!
Além da precisão e da swinguera incrível, faz a parceria perfeita com o Costelinha.
Bebezon...vc é o cara, mano!!!!
Beijo do brother!!