quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Mestres das seis cordas com Diego Martins

É impressionante o quanto me surpreendo com o Blues brasileiro a cada dia.

Diego Martins é um garoto de 17 anos, que possui um talento extraordinário, e que mostra nos palcos como se canta e toca o blues.

Resumindo, se eles tem Jonny Lang, nós temos Diego Martins.

TB: Hoje é muito difícil encontrarmos jovens músicos ingressando no Blues. O que te levou a tocar o blues? Há quanto tempo você toca guitarra?


DM: "O meu interesse pela música se manisfestou de fato quando eu tinha 11 anos de idade, pedi um violão ao meu pai e aprendi sozinho alguns acordes que eu via nessas revistinhas de banca de jornal. Aos 12, depois de tanto insistir, ganhei do meu pai uma strato da Austin, muito ruim por sinal (risos), e do jeito que podia fui arranhando-a. Algum tempo depois, um grande amigo, guitarrista e mentor chamado Eric Camalionte me mostrou materiais de algumas bandas de hard rock dos anos 70, Led Zeppelin por exemplo, esse som virou minha cabeça, mas eu me lembro que nenhum daqueles grupos me chamou tanto a atenção quanto o AC/DC, pela simplicidade, paixão, e emoção que transmitiam. Eu sabia que estava à procura de alguma coisa, mas ainda não sabia o que era.

Foi então que procurando informações sobre as influências do Angus Young (AC/DC) eu descobri um tal de blues, procurei pela palavra na internet e fiz download de uma música. A gravação de "My time after a while" do Buddy Guy foi um divisor de águas na minha vida, fiquei embasbacado pela maneira que o cara tocava a guitarra e cantava, não dava pra dizer se ele era um guitarrista que cantava, ou um cantor que tocava guitarra, o que eu achei fantástico, sendo assim, passei a respirar o blues, e faço isso até hoje (risos)."


TB: Quem está tocando com você hoje? Quais são os seus projetos?

DM: "Atualmente toco com meu quarteto "Diego Martins & Mad Fulton´s House", que é formado pelos jovens e talentosos Daniel Kon (guitarra), Hamilton Rodrigues (baixo) e Sérgio Baldassi (bateria).

Dia 16 de agosto gravaremos um CD ao vivo numa festa promovida pelo Estúdio 500 e pretendemos iniciar no final do ano o processo de gravação do primeiro CD oficial, apenas com músicas de minha autoria."


TB: Como você prepara seu repertório? Você tem músicas próprias?

DM: "Eu acredito que as pessoas gostam de ouvir preferencialmente aquilo que conhecem, então procuro executar alguns clássicos do blues, algumas daquelas músicas que os fãs do gênero sempre conhecem, desse modo, o ouvinte tem maior facilidade de se identificar comigo e com a banda, daí então, coloco algumas das minhas músicas no meio, que graças a Deus, sempre foram muito bem aceitas pelo público em geral. Sempre gostei de compor, e sempre senti a necessidade de fazê-lo, pois acho que uma nova geração do blues, nunca será uma nova geração se estiver sempre tentando imitar as gerações anteriores. O Stevie Ray Vaughan por exemplo, sempre mostrava a importância do Albert King na sua maneira de tocar, mas não soava como alguém copiando Albert King, quando a primeira nota era tocada qualquer um sentia que era o Stevie Ray tocando. É isso o que todos os grandes fazem, e é isso que eu estarei sempre buscando."


TB: O que você espera do blues? Onde você pretende chegar?

DM: "Algumas pessoas dizem que o blues está definhando, que não há futuro, mas eu não vejo dessa forma, o Luther Alisson disse uma vez que "o blues é um música espiritual, e não se pode matar um espírito". Infelizmente a minha geração se contenta facilmente com qualquer porcaria que toque nas rádios, porém eu tenho percebido que grande parte dessa galera gosta do blues, só que não conhece nada a respeito, ou muito pouco. Por causa disso, não podemos desistir nunca da idéia de espalhar o blues por todos os cantos, é preciso apresentar o blues pra quem não conhece, e o Brasil é cheio desses "mensageiros", músicos que vêm trabalhando duro há muito tempo, eu simplesmente procuro me espelhar nessas pessoas e fazer um trabalho honesto e sincero para que um dia eu possa ser digno de reconhecimento, assim como eles são."


TB: Diego é muito bom ver sangue novo agitando o cenário do blues brasileiro. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

DM: "Eu primeiramente gostaria de agradecer pela entrevista e te dar parabéns pelo blog super bacana. Um trabalho bastante importante, que ajuda a preservar o blues como ele merece. Quanto aos meus comentários finais, queria dizer que hoje, aos 17 anos, sinto-me privilegiado e honrado por ter trabalhado e/ou ter o meu trabalho elogiado e respeitado por caras como Val Tomato, Manito, Cracker Blues, Márcio Maresia, Baby Labarba, Big Gilson, Luciano Leães, Igor e Yuri Prado, Chico Blues e Helton Ribeiro, quero sinceramente agradecer essas pessoas. Agradeço também a Deus e toda a minha família que sempre me apoiou, especialmente o meu pai.

Espero que vocês gostem do meu som. Que Deus abençõe a todos vocês e mande vibrações bluseiras pra todos nós (risos). Grande Abraço!"















Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42286097

4 comentários:

Johaine disse...

Parabéns ao Diego Martins e à banda!
Você vai longe, toda a sorte e quebra tudo aí no blues!

Claudio Ribeiro disse...

muito bom mesmo, Robertão !

parabens ao garoto e longa vida ao blues !

abcs

(johaine, sou seu fã, bjs)

Tamy Larissa disse...

Conheço de perto o trabalho desses garotos. Só posso dizer que é MUITO BOM! Sempre que posso vou a shows deles. "Diego Martins & Mad Fulton's House" tem um futuro com grande sucesso.

Marceleza Bottleneck disse...

É isso ai Diego, verdinho na idade mas veterano nas idéias, foi um prazer ter te conhecido e conte comigo pra que você precisar, você tem alma.

Abralhos
Marceleza