terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mestres das Seis Cordas com Edu Gomes

Foto: Lincoln Barracat
Edu Gomes é um dos músicos mais queridos da cena de blues do Brasil. Sempre que o assunto é guitarra seu nome é citado, pois além de um instrumentista extraordinária tem uma simplicidade gigantesca.

Neste artigo, Edu Gomes da uma aula para quem quer começar uma carreira na música, então leia e aproveite os conhecimentos e conselhos de um dos maiores mestres do nosso Blues.



TB: Conte qual a maior conquista de sua carreira, aquela que te deixa com orgulho de ter feito e o que você ainda não realizou e gostaria de fazer.

EG: "Primeiramente, o fato de eu ter construido uma carreira musical onde pude registrar minhas canções em CD, como também me apresentar ao vivo com bandas diversas e como sideman ao lado de artistas e músicos maravilhosos. Poder passar seu sentimento e energia para as pessoas através da música é muito gratificante, assim como olhar para trás e ver que a dedicação e amor à musa música trouxe frutos e aprendizados, tanto dos acertos como dos erros.

Gostaria de realizar mais dentro do que já fiz pois este é o maior desafio de uma carreira : dar continuidade com qualidade. Gravar o novo trabalho da Irmandade do Blues, Adriano Grineberg Quartet, ZFG Mob, Concerto de Cura, como também levá-los ao público cada vez mais, produzir novos trabalhos de bandas e artistas para cada vez mais evoluir em captação de som, arranjo, produção etc. Este é meu objetivo por um bom tempo!

Agora pra citar algo mais específico, fico muito feliz em ter depoimentos, tanto de e-mails como em video, do mestre Roberto Menescal, com o qual tive o prazer de gravar e fazer uma série de shows com a cantora Márcia Salomon. Pude experimentar a linguagem do Blues com bends e slides dentro da bossa nova, com seus acordes, cadências e melodias maravilhosas, porém bem mais complexas do que encontramos no Blues. Consegui criar uma liguagem própria dentro deste estilo o que acarretou em convites para outros trabalhos de MPB."


TB: Você tem grandes trabalhos como produtor, você acredita que seu conhecimento e experiência musical contribuem para ter ótimos resultados? Você prefere produzir ou tocar?

EG: "Confesso que adoro produzir, mas prefiro tocar. Tem mais adrenalina e emoção!
Quanto à contribuição como produtor, ela pode ser maior ou menor. Tudo depende do objetivo da banda/artista e o material que ele apresenta para atingi-lo.

Meu trabalho é viabilizar, tanto em termos de produção musical envolvendo arranjos, timbres etc, como na questão organizacional de um CD, que não é tão fácil como parece. Também trabalho muito como psicólogo, pois envolve músicos, artistas etc e consequentemente vaidades e egos. Posso afirmar que é como ser técnico de futebol. É isso! Sou técnico de artistas.rsrsrs

Quando estou tocando, gosto de chamar um produtor para ter uma opinião de fora. Muitas bandas reclamam quando o produtor põe a mão demais, mas na maioria das vezes o som apresentado possui muitas falhas de execução, arranjo e até concepção,entre outras coisas. Pode ser por falta de conhecimento, vaidade excessiva com a própria composição, ou os dois! Já gravei artistas que trouxeram tudo pronto e apenas tirei o som. Quando produzo e também gravo como guitarrista, apenas somo no arranjo, muitas vezes até sugerido pelo próprio artista, que tem convicção no que diz.


Quando interfiro no trabalho, sempre viso engrandecer o que já fazem. Passo a ser parte da banda/artista e portanto preciso trabalhar para que a música alcance seu máximo em potencial, tanto em canção como em som,timbre e interpretação, além de preservar ao máximo a imagem/produto que o artista estará apresentando ao público dele."


TB: Vamos falar especificamente do blues, que já teve momentos muito melhores aqui no Brasil e principalmente em São Paulo. O que você acha que levou a cena do blues estar assim?

EG: "Esta é uma pergunta difícil pois há muitas questões envolvidas, e até mesmo dúvidas à respeito. Tentarei ser sincero, baseado na minha experiência e nada mais, e sucinto pois o assunto é complexo!

Eu acho que em termos de festivais e espaços em Sesc etc, está melhor! Tenho tocado bastante ( bem mais que antes) nesses eventos com a Irmandade do Blues, André Christóvam, Adriano Grineberg e JJ Jackson.

Temos festivais no Sul (serra gaucha),Sudeste (Ilha Comprida, SESCs, Virada Cultural, Rio das Ostras, RJ, Ibitiboca-MG, Juiz de Fora etc) Centro-oeste ( Brasilia e Goiânia) e Nordeste (Oi Blues, Garanhuns, Guaramiranga). Mesmo com o fim do Nescafé Blues, nunca esteve tão bom!

Tem muita gente nova e promissora aparecendo por ai e em todo o Brasil.

Acho que o Blues teve uma queda muito grande em bares. E os bares são os que sustentam o Blues entre os festivais e são uma ótima escola para os novatos e também para os veteranos como sustento finaceiro e de carreira. Perdeu muito espaço para bandas de cover. Os motivos são variados: no fundo o público sempre gosta de ouvir o que conhece, paciência né? Mal sabem que isso mata o novo compositor/artista, que poderá ser famoso um dia e não tem espaço pra se mostar!


Foto: Cris Oliveira

Porém, muitos músicos confundem música com showbusines.( o que eles querem!) São coisas distintas. O grande público não quer ficar ouvindo músicos tocando como se fosse uma jam, fato muito comum no Blues. Acabou cansando eu acho. As bandas/artistas de Blues que estão fazendo sucesso são aquelas que adotam a postura para isso, ou seja: fazem um show. Investem realmente em uma carreira. Têm proposta artistica mais concreta, personalidade, visual, performance, arranjo, sequencia lógica na apresentação de músicas em um show, que tem começo, meio e fim. Tudo pensado, e obviamente ( obrigatóriamente!!!) de boa qualidade. Eis ai um fator que pode tambem ter contribuido: qualidade. O Blues é realmente simples, mas não tão fácil. Sua simplicidade permite que pessoas com muito pouco experiência e vivência no mundo real da música, possam tocar o Blues. Isso é realmente um fato e não tem nada de mal, agora querer entrar no mundo da música e showbusines e ter resultados concretos de público, crítica e venda requer muita luta e conhecimento de causa, tanto do instrumento e estilo como da parte funcional. Tenho percebido isso na vida em geral e não só na música. Músicos me perguntam às vezes qual o "peixe" que a Irmandade do Blues tem pra entrar no "esquema" dos Sesc's e festivais e fico pasmo, pois minha resposta é a simples verdade: nosso "peixe" se resume em 18 anos de carreira com muita preocupação à qualidade musical e de show, em respeito à nós mesmos e ao público que nos assiste, e comprometimento profissional com nossos contratantes e colegas de trabalho, além de se melhorar como músico e pessoa. Nada mais que a obrigação!

Por último vem a questão cultural obviamente. Existem muitos fãs de Blues, mas o Brasil é muito grande e não existe, na minha opinião, um numero suficiente, tanto de fãs como artistas de real qualidade, para alimentar o Blues por ai afora dia e noite. Torná-lo uma "cultura". Essa luta será muito longa! Semrpre fui a favor da idéia de que quanto maior o numero de pessoas tocando Blues, mais espaços vão se abrir pois gerará interesse. Se um bar "abarrota" com o Blues, certamente seu concorrente irá abrir uma noite de Blues também!"


TB: Quais são seus projetos atuais? Com quem anda tocando?

EG: "Estamos divulgando o DVD da Irmandade do Blues, que teve a participação especial dos amigos Andreas Kisser e André Matos. Teremos shows em Minas Gerais, Distrito Federal, Santa Catarina, interior paulista e Nordeste até o fim do ano. Também estou fazendo o lançamento do CD "Key Blues"do Adriano Grineberg, que é meu parceiro no projeto de música para o bem estar chamado "Concerto de Cura" , cuja parceria já nos rendeu 7 CDs, e com o oitavo no forno. Estou tambem na pré produção do segundo CD do ZFG Mob, um projeto de rock instrumental ao lado do baterista Mário Fabre e do baixista Fábio Zaganin. Continuo na estrada com o cantor americano radicado no Brasil JJ Jackson, cujo último CD pude participar e também com a cantora de MPB Márcia Salomon, que inclusive me convidou para produzir seu 4º CD, o que me deixa feliz ,pois os dois primeiros foram produzidos por Roberto Menescal e o terceiro, o qual gravei, pelo Alexandre Fontanetti .No Cakewalking studio, acabei de produzir o CD de estréia do Leandro Henrique, cantor, compositor e violonista e que também integra a banda de Márcia Salomon. Uma grande promessa da nova MPB!

Meu segundo CD solo, que é instrumental, está em fase de masterização. Em breve!"


TB: Edu, já vi e escutei você tocando muitas vezes e admiro seu trabalho, por este motivo é muito bom ter você no Blog. Deixo este espaço para seus comentários finais.

EG: "Agradeço as palavras e a oportunidade de poder participar de seu blog, que tem divulgado o Blues para todos.

Peço desculpas se feri alguma opinião alheia, mas procurei ser sincero e sempre com o intuito de melhorar nosso meio de trabalho que precisa de renovação e melhorias.

Acreditem em seus sonhos!!!"


Saiba mais:
Site: http://www.edugomes.com/

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Leia no Portal MegaPhone comentários do CD Máfia da Mortadela


Dia 23 de agosto de 2010, saiu um artigo muito bacana referente ao CD Máfia da Mortadela Vol. 1, no Portal MegaPhone.


O Jornalista Pinna’s, dedicou um artigo que descreve o primeiro trabalho da Máfia da Mortadela.

Clique aqui e leia o artigo, e não deixe de comentar!!!!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

20-08-2010 às 20:00 entrevista com Roberto Terremoto em Fortaleza

Sexta-Feira 20-08-2010(20h00), No programa ABLUSEANDO na FM Assembléia (96,7 MHZ) de Fortaleza, Robério Lessa estará entrevistando Roberto Terremoto, que vai falar do CD da Máfia da Mortadela.


É possivel escutar a entrevista ao vivo pela internet.

http://www.al.ce.gov.br/

terça-feira, 17 de agosto de 2010

19-08-2010 Entrevista com Roberto Terremoto em Fortaleza

Quinta-feira 19-08-2010 às 21h00, o programa Encontro com o Blues, apresentado pelo Roberto Lesse, na rádio Universitária em Fortaleza, vai falar um pouco do CD Coletânea da Máfia da Mortadela, com o convidado Roberto Terremoto.

É possivel escutar a entrevista ao vivo pela internet.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mestres das Seis Cordas com Artur Menezes


Com solos poderosos e com uma voz incrível, Artur Menezes é um cearense de apenas 24 anos que esbanja talento, bom gosto musical e humildade.

Este “menino” é sem sombra de duvida um dos maiores guitarristas de Blues do Brasil. Se você ainda não escutou o som que ele tira da guitarra, então não perca tempo, leia o artigo e depois delicie-se com os links de Artur Menezes.

TB: Apesar de ser muito jovem, você tem uma grande experiência musical. Você lançou recentemente um álbum maravilhoso, mas anteriormente esteve presente em mais três trabalhos, onde participou do CD da Lúcia Menezes, gravou com sua antiga banda Blues Label e fez seu primeiro trabalho com o EP Artur Menezes & os Caras. Você gosta de estar em estúdio? Qual é a sensação de criar e registrar o seu trabalho?

AM: "De longe eu prefiro me apresentar ao vivo do que em disco. O público me instiga e eu rendo muito mais. No entanto, a importância de registrar as suas músicas e de ter um álbum para apresentar o seu trabalho é indiscutível. É como ter um filho, imagino. Gravei meu disco com muito carinho e cuidado e fico na expectativa de que todos gostem dele, assim como eu. Sem contar que é uma excelente maneira do público "me levar pra casa" sem dores de cabeça para ambos os lados! Rs..."

TB: Você acredita que encontrou o seu timbre perfeito? Quais são seus brinquedos?

AM: "I'm Never Satisified: o título dessa música fala muito sobre mim. Ao longo desses 12 anos tocando guitarra, eu venho aprimorando meu som. Trocando de equipamento, estudando... Atualmente eu tenho uma Gibson ES- 335 Custom Shop, Fender Stratocaster SRV, Gretsch Chet Atkins, Ciderly Double Neck, Gibson Les Paul Standard e Gibson SG (estas duas estou vendendo!) e violões Del Vecchio e Fender Ressonator."

TB: Quais são seus projetos atuais? Com quem anda tocando?

AM: "Dou prioridade ao meu trabalho solo, onde geralmente toco em trio. Além das composições próprias, clássicos do blues e de caras como Buddy Guy, Collins, os 3 Kings, Hendrix, Vaughan, Clapton etc. Aqui em São Paulo, esporadicamente toco guitarra com o Big Chico (na minha opinião, um dos maiores artistas de blues do Brasil). Não me desliguei do Ceará e, sempre que retorno à minha "sweet home", toco com as bandas Blues Label, De Blues em Quando e Hardvolts (AC/DC Cover). Faço shows esporádicos também com o excelente gaitista Jefferson Gonçalves (que tem um trabalho de blues dentro da música nordestina)."

TB: Você saiu do Ceará para vir morar em São Paulo. Você acredita que a cena do Blues Paulistano é melhor que do Ceará? Por onde tem tocado fora São Paulo e o Ceará?

AM: "Não acredito que a Cena de Blues seja melhor, mas a cena musical como um todo é. Aqui as possibilidades de crescimento são maiores, pois uma vez aparecendo em São Paulo, você aparece no Brasil. Muito embora a minha vinda para cá esteja relacionada aos estudos, e não à busca pela fama. Gosto do underground e pretendo seguir nele. No Ceará a cena de blues é linda! Muito organizada e todos trabalham juntos. Todo mundo se ajuda. Fora São Paulo e Ceará, recentemente estive no Piauí, em agosto vou ao Maranhão, setembro Recife e Rio de Janeiro e outubro ao Pará. Agora em julho também estive em Londres, toquei no Blues London (The Blues Kitchen). Em 2006 e 2007, morei alguns meses em Chicago. Lá fiz parte da banda "The Shakes Blues Band" e toquei algumas vezes como convidado com Charlie Love and The Silk Smooth Band e Linsey Alexander no Kingston Mines. Outras vezes dei canja com John Primer, Jimi Burns, Brother John, Phill Guy no Chicago Blues e no Legend's."

TB: Artur, considero você entre os meus músicos prediletos, pois além do seu enorme talento, você tem uma simplicidade gigantesca. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

AM: "Roberto, primeiro te agradeço pelo bem que você vem fazendo ao blues, divulgando o estilo, abrindo espaço para os artistas mostrarem o seu trabalho, além de tocar o blues e mandar ver no slide guitar! Meus sinceros agradecimentos! O recado que deixo é que fico na torcida para que o blues tenha mais espaço no Brasil. Que o público cresça e que cresça a quantidade de músicos fazendo blues. E também que outros repitam a sua iniciativa de divulgar o blues, pois como sabemos, existem dois tipos de pessoas: as que gostam de blues e as que não conhecem o blues. Quem conhece, automaticamente se apaixona!"




Veja, leia e escute mais:
http://www.arturmenezes.com.br/
www.youtube.com/arturmenezes
www.myspace.com/arturmenezes

SUPER Vídeos da Semana

Hoje temos 3 vídeos da pesada, todos filmados por nosso grande amigo Edu Gaspar.


Adriano Grineberg - Everyday I Have the Blues
Show de Lançamento do CD Key Blues ao vivo no CCSP





Celso Salim e Rodrigo Mantovani - Big City Blues
Show Gravado ao vivo no SESC Santana




Ricardo Vignini e Sérgio Duarte
Lançamento do CD do Ricardo Vignini, Na Zoada Do Arame.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Vídeo da Semana com Rodrigo Morcego

Rodrigo Morcego, Guitarrista de Blues de Recife/PE fazendo o som "Need Your Love So Bad".


Ficha Técnica:

Rodrigo Morcego - Guitarra
Jô Pinto - Bateria
Roberto Leite - Contrabaixo

Filmagem: Ludmila Fernandes

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Item de Colecionador - Big Gilson & Alan Ghreen – Yellow Mojo Blues

Vocês não tem idéia do que podemos encontrar em um sebo. Como o Brasil tem muitas culturas e não sei se este tipo de estabelecimento existe em todos os lugares do nosso território, vou explicar rapidamente o que é um Sebo.

O Sebo é um lugar onde se vende livros, revistas, discos, DVDs e CDs usados, com preços muito bons.

Bem, depois dessa super explicação, vou continuar meu relato.

Sempre que tenho uma manhã de sábado livre, vou até o centro de São Paulo, para percorrer os Sebos, pois nesta região existem muitos deles. Alguns muito organizados e outros nem tanto, mas o mais importante é ter paciência, tempo e um pouquinho de dinheiro, pois você vai encontrar ótimos álbuns.

Só para se ter uma idéia, tenho quase a coleção inteira do Robert Cray, incluindo discos importados, e todos foram comprados nos Sebos, por um preço muito abaixo do praticado nas lojas.

Em algumas dessas minhas explorações encontrei CDs de artistas de Blues nacionais, e acabei comprando um álbum maravilhoso do Big Gilson. Este trabalho está intitulado como Big Gilson & Alan Ghreen – Yellow Mojo Blues.

Este álbum foi feito entre outubro de 1995 e maio de 1996 e foi gravado ao vivo, no estúdio. Ele é repleto de musicas incríveis, e como de costume vou destacar três sons, como por exemplo a faixa um, Reivin’Wheel, do Elmore James e Roosevelt Sykes, onde o slide e o piano fazem uma conexão inacreditável, muita energia e bom gosto misturados.

Um som imperdível é a faixa sete, Shake Your Money Maker, do mestre Elmor James. Este som é fácil de se encontrar em versões de grandes mestres do Blues, mas esta faixa está maravilhosa. O Piano e o Slide estão em harmonia total e as vozes completam esta obra.

A faixa quinze Yellow Mojo Blues, é um blues instrumental incrível, que é quase impossível de escutar uma vez, este som foi feita por Big Gilson e Alan Ghreen.

Este é um disco que não deve ser fácil de se encontrar, quem tem deve guardar no cofre e quem não tem, bem, tente encontrá-lo.