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sábado, 9 de julho de 2011

Gaita não é Brinquedo com o Mestre Marcio Abdo



O Brasil é um grande reduto de ótimos compositores, que em sua maioria, utilizam o português para se expressar. No Blues ainda existe muito preconceito a este respeito, onde dizem que  as letras em português não ficam boas para se cantar.

Hoje trago um exemplo de um grande compositor que ajuda a mostrar que isso é lenda, e que podemos fazer o Blues ficar mais rico escrevendo em nossa língua.

Junte um letrista extraordinário, um gaitista de frases ricas e melódicas, um  vocalista espetacular e um grande Luthier, e então você encontrará o Mestre Marcio Abdo, que diante de toda sua genialidade tem uma simplicidade enorme.

Então chega de papo e vamos saber um pouco mais deste mestre.
TB: Você é gaitista, cantor, compositor e customizador de gaitas. O que veio primeiro, os palcos ou sua carreira como luthier?
MA: "O palco e a profissão de luthier de gaitas estiveram sempre em paralelo , quando comecei a tocar profissionalmente, eu também já tinha uma boa experiência e clientela na parte de conserto e customização de gaitas ."


TB: Sua carreira como musico se iniciou na década de 90, mas como você descobriu o blues e o que te levou a tocar gaita?

MA: "Aos meus 10 anos de idade já havia me iniciado no rock adqurindo discos do Led Zepellin , Deep Purple , e outras bandas .

Em 1987 ,aos meus dezesste anos ,conheci um brother que era baixista de uma banda de blues , e comecei a ir em alguns shows dessa banda e me recordo que o guitarrista e vocalista também fazia alguns lances na gaita, ai então descobri o instrumento que realmente iria fazer parte de toda a minha vida, pois até o momento,eu estudava bateria , tocava em algumas bandas de rock do bairro e também brincava com saxofone. Depois de algum tempo comecei a acompanhar os shows do Blues Etílicos aqui em São Paulo ,na extintas casas noturnas Aeroanta e Britânia ,Centro cultural e aonde mais eles fossem tocar eu estava lá para ver o Flavio Guimarães tocar , já que naquela época não existia professores e nem internet , e assim fui colhendo um pouco de informações de um canto e de outro e iniciei os meus estudos e minha paixão sobre a gaita e consolidei esse instrumento como o que realmente transmite as minhas emoções , digo isso porque hoje também toco violão e contrabaixo , mas não profissionalmente e nem pretendo."


TB: Seu álbum “Na melhor hora”, é repleto de letras muito bem escritas, como é que você compõe suas letras?

MA: "As letras foram escritas em cima das minhas próprias experiências , seja em relação aos trabalhos que já exerci em paralelo com a música , a situação financeira vivida em algum período, questões de relacionamento amoroso, sonhos a serem realizados e outras.

Geralmente escrevo três estrofes de letra contando uma situação com um começo , meio e uma conclusão final e intercalo sempre o mesmo refrão em todas elas  . O blues em inglês funciona de maneira similar  , é legal a sacada de repetir sempre o refrão porque grava na cabeça das pessoas e elas sem perceber já estão cantando as músicas por aí.

Tenho recebido muitos comentários sobre as minha letras , e o legal de tudo é que cada pessoa se identifica com uma delas ,pois como são questões do nosso dia a dia , a pessoa pode estar passando por uma fase na vida que aquela letra vem bem a calhar com a situação."


TB: Aproveitando o assunto do seu álbum, conte um pouco do processo de elaboração do álbum, desde a idéia até a conclusão.
MA: "Comecei a gravar alguns blues em português no ano de 2000 , por referência do meu grande brother Sérgio Duarte , que inclusive foi o produtor musical do meu cd , e que já tinha toda uma história com o blues em português .

O meu Cd  “ Na Melhor Hora “ começou a ser gravado em novembro de 2006 , ficou parado por 3 anos por estar enfrentando vários problemas em minha  vida de ordem familiar , financeira e outras questões que me levaram a abandonar o projeto por mais ou menos 3 anos . Passada a tempestade retomei os processos de composição , arranjos e temas .

Hoje cheguei a conclusão que foi muito melhor ter esperado para terminar esse cd depois de algum tempo, pois nesse período eu acabei mudando várias letras e refrões ,amadureci a minha maneira de cantar e de tocar  , exatamente por isso coloquei o título do cd “ Na melhor Hora “ tudo que tiver que acontecer em nossas vidas só acontece na melhor hora e não na hora que a gente quer  , por isso que temos que ter muita paciência ,persistência e grana para manter nossos projetos  . Eu banquei sozinho todo o projeto, apesar de contar com ajuda de amigos músicos , mas mesmo assim esse disco foi feito também aos poucos por questões financeiras . Mas o importante é que fiquei muito feliz com o resultado final  ,ainda mais por ser o meu primeiro cd."


TB: Quais são os seus projetos atuais?


MA: "Pretendo no mês de setembro começar a gravar um novo cd , porém sem bateria e teclado ,apenas baixo acústico, guitarra ,gaita e voz . Vai ser metade instrumental e metade com letras. A intenção é explorar vários timbres e técnicas de gaita ,já que no meu cd “ Na Melhor Hora “ eu foquei muito as letras,levadas e temas fazendo com que fosse um disco agradável de se escutar do começo ao fim ."





TB: Marcio, fico muito feliz em poder apresentar aqui no blog um grande músico e compositor. Deixo aqui este espaço para sua conclusão final.


MA: "Espero que um dia nosso estilo musical possa ser forte na mídia , que possamos levar às pessoas todo esse universo do blues , porque a grande maioria não conhece esse estilo maravilhoso , que praticamente foi o pai de todos  estilos musicais .

Espero que a gaita tenha o seu reconhecimento tanto no Brasil como no mundo de um instrumento completo e repleto de sons .


Espero poder levar por muitos anos às pessoas a minha música , o meu som  e a minha alegria ao tocar  . obrigado"




Veja mais:
- www.marcioabdo.com.br

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Mestre do Slide e da Gaita com Leo Leon Duarte


O Blues é algo que me fascina a cada dia. Com a ajuda da internet, minhas pesquisas se tornaram mais fáceis, pois consigo encontrar grandes tesouros que fazem com que o meu amor pelo estilo não morra.

Em uma de minhas buscas, me deparei com um garoto de apenas 14 anos de idade, brincando com seu violão e seu slide, algo que me fez parar para escutar cada detalhe de seu estilo.

Este menino é filho de um dos maiores compositores e gaitistas de Blues do Brasil, Sérgio Duarte, mas podem acreditar, ele não vai crescer na sombra de seu Pai e Mestre, pois terá sua própria estrada para percorrer.

Leo Leon Duarte talvez ainda não saiba, mas é um garoto abençoado pelos deuses do Blues e que tem um potencial incrível.

TB: Como havia te falado, descobri que seu pai é o Sérgio Duarte só depois que entrei em contato com você. Então quero saber, o que significa a música em sua vida? Quais suas influências?

LLD: “ A música é tudo para mim..

É principalmente uma forma de me expressar, quando estou tocando esqueço de qualquer problema ou estresse.

Aprendi a tocar violão com 5 anos de idade, queria aprender a tocar Running Free do IRON MAIDEN, então meu pai me ensinou, desde então comecei a me interessar cada vez mais pela música e todos os dias eu toco desde então.

Ainda tenho muita coisa à aprender vou continuar estudando até aprender tudo, o máximo possível.

Minhas principais influências são: Mitch Kashmar , Sérgio Duarte, Little Walter,  Dereck Trucs, Eric Clapton e Stevie Ray Vaughan. “

TB: Você toca gaita e Slide Guitar de formas maravilhosas. Qual dos dois você prefere?

LLD: “Esses dois são os que e mais me destaco, mas creio q não há um preferido.

Eu gosto muito de gaita, tanto cromática quanto diatônica, pois sou filho do Sérgio Duarte(Grabde Gaitista de Blues Brasileiro), o melhor professor que eu poderia ter.

E gosto muito de Slide Guitar também, quero me especializar nisso, acho muito bonito o som de Slide em afinação aberta.”

TB: No slide, quais afinações você mais utiliza?

LLD:”As afinações que eu mais utilizo para tocar Slide são o D(Ré) aberto(D A D F# A D) e G(Sol) aberto(D G D G B D).

TB: Você é muito jovem e é detentor de um talento extraordinário, e tendo em vista o poder musical que você possui, quero saber o que você deseja para o seu futuro?

LLD: “Eu quero fazer uma faculdade de música e de improvisação nos Estados Unidos, e além disso, gosto bastante de gastronomia e gostaria de tentar algo nessa área.”

TB: O que você diria para os jovens que tem o desejo de tocar um instrumento? Que dicas você daria para eles?

LLD: “Não desistam, pratiquem sempre! Se você deixar seu instrumento por uma semana, ele te deixa 1 ano.

Estudem bastante, corram atrás, matriculem-se numa escola de música pra começar,  e hoje em dia temos A INTERNET, para tirar alguma dúvida essas coisas. “


TB: Leo, é um prazer enorme ter você nas páginas deste blog. Deixo aqui um espaço para suas considerações finais.

LLD: “Gostaria de agradecer à Sérgio Duarte, meu pai, tudo que sei foi ele quem me ensinou, também ao amigo Norba Zamboni e ao Celso Salim pelas pequenas aulas e dicas de enorme diferença e grande ajuda.

É um grande prazer estar aqui no terremotoblues , Valeu galera!”

Veja:




terça-feira, 23 de junho de 2009

Gaita não é Brinquedo com Tiffany Harp

A gaita tem muitos representantes importantes no Brasil, pessoas que fazem muito por este pequeno instrumento, e agora trago para as páginas do Blog, uma jovem gaitista. Com apenas 23 anos de idade, Tiffany Helga dos Santos, mais conhecida por Tiffany Harp, vem de Itajaí-SC, mostrar seu enorme talento.

Quando escutei o som que essa garota faz, pensei que estava ouvindo o velho e bom Blues de Chicago. Ao ler este comentário, vocês podem achar que estou exagerando, mas ela é uma gaitista incrível e que vai muito longe nas estradas do Blues.

TB: A gaita é um instrumento visivelmente fácil de se tocar, mas geralmente é uma armadilha, pois quem subestima este pequeno instrumento, geralmente não tem grande sucesso. Como é que a gaita foi fazer parte da sua vida? Fale um pouco da sua historia na música.

TH: "Desde sempre a música fez parte da minha vida, sempre tive enorme interesse. Inicialmente, fiz aulas de violão, aprendi desde rock clássico até ritmos de samba e bossa-nova,na época minhas influências eram: Beatles, Jethro tull .

O interesse pela gaita surgiu quando peguei uma Butterfly (gaita chinesa) da estante da minha casa e tirei sons clássicos dos Beatles. Minha paixão por este instrumento começou neste dia, no outro já estava com uma gaita diatônica.

O Blues fui conhecendo aos poucos em casa e nos bares,me identificando rapidamente como nunca me identifiquei com nenhum estilo musical. Conheci de primeira o mestre Sonny Boy Willianson 2, e Howlin’ Wolf e Little Walter um tempo depois ,que é minha principal influência nos dias de hoje. Na época abandonei o violão e desde 2003 venho me dedicado somente a Gaita."

TB: Vi um vídeo seu, tocando Juke, uma música consagrada e eternizada por Little Water, então é fácil deduzir que uma das suas influências musicais é este mestre. O que quero saber é qual ou quais gaitistas brasileiros tem alguma influencia em seu som.

TH: "Sempre tentei buscar a minha própra sonoridade ouvindo direto da raiz” , e acho que grande maioria dos gaitistas fizeram isso. Cada um deles, tocam de forma diferente esses grandes mestres dos anos 50 .
Acho isso bom, pois cada um adquiriu uma musicalidade diferente e é isso q difere um do outro. Eu tenho admiração por vários gaitistas que fazem isto de modo muito interessante como Flávio Guimarães, Robson Fernandes , Sérgio Duarte , Andy Boy entre vários."

TB: No Blog tive a honra de entrevistar grandes musicistas, que fazem um Blues de muita qualidade, e para minha surpresa me aparece uma gaitista incrível, que domina como poucos a gaita. Como você vê a participação das mulheres no Blues nacional?

TH: "Está cada vez maior a participação dessas grandes mulheres se apresentando no cenário do Blues no Brasil. Elas apresentam com muito conhecimento , muita paixão e sensibilidade.É gratificante as mulheres musicistas terem esse espaço, e que continue cada vez mais. Isso é o resultado de um trabalho que elas merecem."

TB: Quais os projetos que você tem hoje? Com quem anda tocando?

TH: "Meu grande projeto é minha banda Tiffany Harp & Capone Brothers, tocamos blues da década de 50 e 60’s interpretando grandes nomes do Blues, como Muddy Waters, Little Walter, Big Walter , Sonny Boy 2 , Junior Wells."


TB: Tiffany, é um grande prazer ter você por aqui. Deixo agora um espaço para seus comentários finais.

TH: "Obrigada Roberto por ter cedido este espaço, é muito bom compartilhar essa entrevista com todos. Quero agradecer a minha família , principalmente ao meu pai Everaldo que sempre me apoiou desde o inicio. Um abraço especial à minha banda que vem acreditado em mim quase 2 anos nessa estrada do Blues, sem eles não estaria onde estou agora.

Valeu a todos!"







Escute mais:

terça-feira, 29 de julho de 2008

Gaita não é Brinquedo com Jason Ricci

Entrevista com Jason Ricci, por Oswaldo Moraes.
Trad
uções: Renato Limão e por Gerson J. Santos

Meu grande amigo Oswaldo Moraes está nos presenteando com uma entrevista fantástica com um gaitista americano de primeira qualidade.

Vamos aos fatos Oswaldão......

OM:Jason você poderia nos falar um pouco da sua carreira, quando e como você começou?

JR:
Eu comecei tocando com 14 anos, eu era de uma banda Punk e queria tocar um instrumento, então a banda me arranjou uma Harmônica, e eu não poderia estragar as musicas. ]
Depois naturalmente eu entrei para o Blues e levei mais a sério o instrumento e o Blues.
OM: Quais são seus músicos de Blues favoritos? E quais seus favoritos entre outros gêneros?

JR:
"Meus favoritos são:
Paul Butterfield, Pat Ransey, Satan and Adam, Ronie Earl e muitos mais.
For a do blues eu agora escuto bandas punks como: Hot Heat, The Pixies, The Breeders, Nikki Barr e uma porrada de outros, eu adoro Love TommQaites,Leonard Cohen, Dylan, Melissa Ferrick, Coltrane, MILES, Cannonbol, Art pepper, Stan Getz, todos.... Bach, Sibelius, Beethoven, Debussy todos concertos de violinos é sério, tudo Rap, Coutry, Eastern, World, Klezmer you name if."

OM: Você conhece algum Gaitista Brasileiro?

JR: "
Eu conheço Flavio Guimarães, não pessoalmente, mas tenho um pouco de seus discos.

Um grande amigo meu é o Bruno Castro que é um tocador muito promissor,e naturalmente sou muito fã dele.

Otavio Castro e sua performance em redefinir este instrumento, Otavio é um dos melhores tocadores vivos hoje.

Eu também curto aquele cara Cromático da banda, Ted e Pablo é fantástico.

Vou predizer que o Brasil esta se destacando no mundo, com Arte, Medicina, Estilo, Atletismo, tudo. Vocês mandam bem mais do que tudo mundo, é sério.

Bob Burnquist e um dos meus heróis."

OM: Sua banda New Blood é simplesmente incrível, você poderia nos falar um pouco dela, como é sua relação com os musicos?

JR:
"Obrigado eu também os acho bons, meu relacionamento com eles é mais uma irmandade.

Estão comigo desde antes da banda conseguir algum dinheiro, sei que estão por amor a musica.

Eles são tecnicamente melhores músicos do que eu, estando rodeado de feras como estas te anima muito.

Eu os ouvi e fui recomendado por amigos de confiança e associados, então eu os importei para Nashvilee os coloquei para trabalhar é muito legal você sentir apto a ajudar suas pessoas favoritas, músicos e os amigos fazem a convivência. "

OM: De onde você tira as idéias para criar suas linhas musicais?

JR: "Eu apenas ouço musica..... ouço tudo .... muitas das minhas idéias são enraizadas em escalas considerando que tenho escolhido um agrupamento de notas selecionadas para tocar estritamente para toda musica ou apenas uma “lambida” o resto é apenas padrões de ritmos ou idéias que vem de outros musicos de qualquer outro instrumento imaginável que eu deva ter ouvido naquele dia."

OM: Um tema muito controverso ultimamente no Brasil é cromatismo da Harmônica Diatônica , você tem explorado isto? Quais são os resultados e como administra isso?

JR: "Acho os resultados bons porque estamos fazendo um entrevista, não?
Para mim é o futuro e mais uma técnica que permite se expressar mais livremente. Over Blow/Bends seja lá o que for......pode soar tão natural quanto outra nota natural do instrumento, isto leva tempo para praticar e aprender.

Eu gasto muito tempo praticando fazendo soar bem tocando Over Blows para cima e para baixo.
Eu não acho que muitas pessoas no mundo possam realmente “ouvir” qualquer diferença tonal entre muitos de meus Over Blows e de qualquer outra nota.

Claro que cometo erros tocando Over Blows, mas eu cometo erros em qualquer técnica na harmônica, sabe?"







Para conhecer melhor os álbuns de Jason Ricci click aqui.

Agora a Entrevista na em Inglês, para ninguém perder nenhum detalhe:

OM: Could you talk a little bit about your carreer. When and how did you getstarted?

JR: "I got started playing when I was 14, I was in a punk band and wantedto play an instrument...so the band picked harmonica for me so I couldn'treally ruin the songs. Later of course I got into blues and blues harmonicaand got more serious about the instrument and that music."

OM: Which are your favorites blues musicians? And how about your favoritesbetween other genres?

JR: "My favorite blues guys are: little Walter, Otis Rush, Muddy Waters,James Cotton, Screaming Jay Hawkins, Percy Mayfield, T-Bone walker, lou AnnBarton, Paul Butterfield, Pat Ramsey, Satan and Adam, Ronnie earl and manymore, Outside of Blues right now I'm listening to punkish bands like: HotHot Heat, The Pixies, The breeders, Nikki Barr and whole mess of others, Ilove Tom Waites, Leonard Cohen, Dylan, Melissa Ferrick,Coltrane, Miles,Cannonball, Art pepper, Stan getz, ellington, everyone...Bach, Sibelius,Beethoven, Debussy most all the great Violin Concertos...seriouslyeverything, Rap, Country, eastern, world, klezmer you name it."

OM: Do you know any brazilian harp player?

JR: "I know Flavio...Not personally but I have a few of his records...Agood friend of mine is Bruno Castro who is a great up and comingplayer...And of course I am very much aware of Octavio Castro and his rolein redifining this instrument. Octavio is one of the best players alivetoday. I also dig that chromatic guy from the band Ted and Pablo he isamazing.

I predict that Brazil is taking over the world with Art, Medicine,style, athletics everything. You guys seriously rock way harder thaneveryone else.

Bob Burnquist is one of my heros."

OM: Your band, the New Blood, is just awesome. Could talk a little about it?How is your relation with all the musicians and how do you create.

JR: "Thank you...I think they're great to. My relationship with them ispretty much a brotherhood. Shawn Starski (guitar) and Todd Edmunds (Bass)have been with me since before the band was really making any money so Iknow they are here because the love the music. They are all technicallybetter players than me and being around guys like that drives you a lot. Iheard them or they were recommended to me me by trusted friends andassociates and then I imported them to nashville and put them to work. Itfeels really good to be able to help your favorite people.players andfriends make a living!"

OM: Where did you get the ideas to create your musical lines?

JR: "I just listen to music...Anything I here...Many of my ideas arerooted in scales meaning I've chosen a select grouping of notes to play fromstrictly for the whole song or just one lick...the rest is just rhythmicpattens or ideas that come from other players from any instrument imaginablethat I may have heard that day."

OM: ­ A very controversial theme, at list in Brazil, is the chromatism on theblues harp. You¹ve been exploring that, what are the results and how do youmanage that?

JR: "I guess the results are OK because were doing an interview... No? Tome it's just the future and one more technique one can employ to expressthemselves more freely. Over Blows/bends whatever...can sound as natural asany other note on the instrument it just takes time and practice to learnthem. I spend a lot of time practicing just making them sound good bybending the overblows up and down. I don't think very many people in theworld could even really here any tonal difference between most my overblowsand any other not. Of course I make mistakes playing over blows but I makemistakes on every technique on the harmonica as well...you know?"

terça-feira, 15 de abril de 2008

Gaita não é Brinquedo com Vasco Faé

O lendário Vasco Faé é multe-Instrumentista, cantor, compositor, produtor e o mais importante de tudo, uma pessoa simples.

Tudo que ele faz é com amor a música, por isso é conhecido por onde passa. Graças a talentos como o Mestre Vasco Faé, o Blues sobrevive no Brasil!

TB: Todo músico procura inovar na sua forma de tocar, usando técnicas próprias ou inserindo algum elemento diferente em algum momento do Show. Como surgiu a idéia de tocar com um megafone? Qual a reação do público quando você usa o megafone?


VF: "Cara, comecei a pensar em usar o megafone porque passava todo dia em frente uma loja que tinha um na vitrine, e imaginei como ficaria a gaita naquilo. Um dia entrei na loja, pedi pra testar com a gaita e comprei na hora. Pó, o público sempre curte bastante, é uma reação mixta de admiração com achar graça. Gosto muito de alterar, acontece um pouco por não ter paciência de pegar os arranjos idênticos à gravações, então acabo tocando do jeito que sai. Tem o solo de microfonia que gravei em 1996 no CD “Veneno” da Irmandade do Blues o qual tocávamos nos shows e que está no youtube."


TB: Por volta do ano de 2003, você lançou um CD com a banda Blues Etílicos, o “Cor do Universo”, que foi um trabalho que fugia das características tradicionais da Banda, mas deu uma originalidade, comparada aos outros trabalhos da banda. Como foi a criação desse trabalho? Houve resistência por parte dos fãs da Banda?

VF: "Comecei a tocar com o Blues Etílicos para substituir o Flávio quando ele estava com show de carreira solo. Fizemos vários shows em 2002, e no final do ano me convidaram para gravar no CD novo que estavam preparando. Quando recebi o material que seria gravado, confesso que estranhei pois esperava um CD mais Bluesy. Mas achava possível interpretar as músicas, e com uma forcinha do meu amigo Bocato que me disse “vai lá Vasco, acredita um pouco nos sonhos dos outros, não só nos teus, a gente é músico, tem que ir, se te chamaram é porque é importante para eles”, eu aceitei gravar. Com o tempo passei a curtir muito os sons e entende-los. Fizemos muitos shows juntos nos dois anos seguintes, alguns mais importantes como a apresentação do Bem Brasil, a abertura de show para BB King no Rio para 10.000 pessoas entre outros.

Em relação a criação do trabalho, quando me convidaram já tinham quase tudo pronto, apenas a música “Quero você” que não tinha melodia, a qual eu fiz a partir da letra do grande Fausto Fawcett, além de terem incluído “Saudações” de minha autoria que foi lançada em meu CD solo homônimo.

Até onde sei nunca houve nenhum tipo de rejeição por parte do público de uma maneira geral, e mesmo que tivesse rolado isso o que nunca chegou até mim, não deveria interferir na opinião musical interna, mas de qualquer maneira, sempre tive uma empatia muito grande com o público nos shows que eu fiz com o BE, nunca recebi comentários negativos, e em vários locais que fomos a galera cantava várias das músicas do CD novo."


TB: Você é uma pessoa que sempre revela outros artistas, isso aconteceu com uma série de CDs, “Bluseiros do Brasil” e há pouco tempo atrás, você realizou um evento mostrando uma safra de gaitistas femininas. A maioria dos artistas não tem essa preocupação de ajudar ou revelar novos talentos. O que faz você realizar isso? Conte um pouco desses seus projetos.


VF: "Cara, eu nunca tive intenção de revelar talentos, inclusive, não me utilizo desse tipo de observação para promover meu release para trabalho solo. Mas nos dois projetos que você citou, a revelação foi inevitável, no caso do Blueseiros, foi uma época em que nenhum dos gaitistas tinha CD solo. Até o Ulysses não tinha um CD solo. Mas mesmo não tendo CD solo vários dos que participaram já tinham reconhecimento mais notório, e outros foram revelados a partir do projeto por pura inconsciência, rs rs, na verdade eu apenas chamei os gaitistas que são meus amigos.

No caso do Projeto Mulheres Gaitistas, a história foi assim, um ano e meio antes de acontecer o projeto eu tinha formatado um projeto de mulhertes gaitistas a partir de uma pesquisa extensa que tinha feito previamente, mas o projeto visava diversidade de estilos. Mandei o projeto para vários SESCs, e no começo de 2008 a Lucy do SESC Ipiranga me ligou parta realizar o encontro de mulheres gaitistas no fim de semana seguinte ao carnaval. Só tinha um porém, seria no Projeto Ressaca Blues, e teria que ser um encontro de Mulheres, Gaitistas e tinha que ser de Blues. Mas eu fui em frente e reconfigurei o projeto, e sai procurando desesperadamente as meninas, que acabei por encontrar na Argentina, e no interior de São Paulo. Nesse caso a revelação foi inevitável também. Eu não tenho muito o estilo “Raul Gil”, se isso ocorre é mais pelas idéias que pela intenção."


TB: E como anda sua vida musical? Qual são seus projetos atuais?



VF: "Tenho pensado bastante em meu trabalho solo, tenho procurado me dedicar mais para mim, rebuscando novas idéias gravadas a séculos ou não aqui em casa, letras perdidas, ... tenho buscado re-conhecer a musicalidade, eu tenho essa coisa de participar de vários projetos e de tempos em tempos tenho que reformatar a máquina, rs rs rs

Meus projetos atuais são a Irmandade do Blues, meu trabalho solo e o Duo com o Adriano Grineberg que tem CDs lançados no ano passado, e o CD solo do Andreas Kisser o qual eu canto em várias faixas e toco gaita em outras e que deverá ser lançado em breve."


TB: Vasco, nem sei como agradecer sua presença em meu pequeno Blog. Agora deixo este espaço para seus comentários finais.

VF: "Eu que agradeço o apoio e reconhecimento, e que os novos blueseiros do Brasil, se espelhem sempre na música de nossos grandes mestres Charlie Patton, Blind Lemon Jefferson, Leroy Carr, Lonnie Johnson, Big Bill Broonzy, Robert Johnson, John Lee Williamson, Rice Miller, Willie Dixon, Muddy Waters, Howling Wolf, Bo Didley, Buddy Guy, Freddy King, John Lee Hooker…"






Escutem:

- Vasco Faé
- Irmandade do blues
- Vasco Faé & Adriano Grineberg
- Forrock
- Generais
- Mulheres Gaitistas
- Blueseiros do Brasil
- Triangulista

credito das Fotos:
01-Raphael Villar
02-Marcelo Cseh

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Gaita não é Brinquedo com Val Tomato

Uma pessoa simples, prestativa e um gaitista maravilhoso, este é o resumo que posso fazer deste mestre da harmônica, Val Tomato.

Com a elegância dos gaitistas americanos e frases modernas, Val tomato lança seu CD Val Tomato Live, e é claro, veio aqui contar um pouco desse trabalho.

TB: Como e onde foi gravado seu CD Live?

VT: "Foi gravado no Ton-Ton jazz e music club, cada instrumento em sua linha mas o que era previsto que teria uns vazamentos o que é normal, mas foi usado mics de estúdio pra voz,captação da gaita, batera, sax e guitar. No caso da gaita utilizei meu próprio equipamento."

TB: Quem são os músicos que estão com você na Gravação?

VT: "São Fábio Brum na guitarra, Fábio Pagotto no baixo, Fernando Rapolli bateria e a participação ilustre do Manito no sax!"

TB: Este é seu segundo trabalho, qual a diferença do 1º CD para o 2º?

VT: "Na verdade este é o meu 3º cd lançado, solo foram 2, bem a diferença é enorme, é muito diferente. O 1º cd foi o Blues Harmonica que gravei sem pretensão de lança-lo no mercado, gravei com uma galera que não era do blues, fiz mais para vender aos alunos e amigos....nessa época me dedicava mais a escola que eu tinha na teodoro sampaio, não ligava muuito pra shows.

Fiz uma capa bem fraquinha(caseira) e tal, mas o pessoal gostou bastante e me cobravam quando que eu ia fazer um show, nesse meio tempo fiz um anúncio na revista Blues´n jazz e o cd foi uma parte do pagamento, o Helton vendeu o cd e o pessoal curtiu, inclusive porque era um cd com blues,jazz e bossa, aí ele me perguntou porque eu não lançava todo certinho, foi assim que rolou....mandamos pra sonopress e saimos vendendo e fazendo shows!!

Este trabalho me abriu grandes portas, fiz vários festivais, festivais dentro de sescs, workshop e aulas por diversar cidades, inclusive atualmente, ministro aulas em São Paulo e Ribeirão Preto. O 2º é outra parada eh,eh,eh, já estava tocando com o Fábio Pagotto que é um grande baixista..... pra mim um dos melhores! Depois entrou o Fábio Brum que é um animal na guitar, o batera foi o Pagotto que me apresentou, bem o Manito eu já estava tocando sempre com ele. Preparei o repertório com minhas composições, escolhi as covers, ai que decidi regravar a "The Blues overtook me" do Charlie Musselwhite, na verdade eu já estava tocando com uma galera do blues, que conhecia e mandam muuito.....cara eh,eh, ai ficou fácil gravar, a energia,feeling é tudo diferente...ao vivo é outra coisa acho que vou querer gravar assim pro resto da vida."

TB: Você também tem um método de Gaita. Além desse material para estudos, você ministra aulas particulares?

VT: "Tenho sim...este método foi lançado na época que era tudo em fita cassete, lancei em cd com faixas separadas e dando a oportunidade do aluno usar o "REPEAT" quantas vezes forem necessárias. Hoje ministro aulas na R: Teodoro Sampaio, 282 fica ao lado do mêtro Clínicas e na Oficina de Música Ronaldo Novaes em Ribeirão Preto."





TB: O que você diria para os novos gaitistas ou para aqueles que querem iniciar na gaita?

VT: "Bem aos iniciantes que comprem o "Método de gaita Val Tomato" eh,eh,eh,eh, brincadeira eh,eh,eh, estudem,estudem e tenham paciência, não se aprende a tocar da noite para o dia,e tentem ter um auxilio de um professor, ajudaria muito nas dúvidas, a gaita é um instrumento de muita sensibilidade, parece fácil mas não é.

Aos novos gaitistas que escutem os grandes mestres Little Walter, Sonny Terry, Sonny Boy Willianson I e II, Junior Wells, Charlie Musselwhite,James Cotton, Carey Bell, Big Walter Horton.....eles são a água cristalina. Quando tocarem....sintam o que a música esta pedindo e deêm a ela....no blues o simples é tudo."

TB: Val, muito obrigado pela sua ajuda. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

VT: "Cara eu que agradeço meu amigo e o blues também!! valeu pelo espaço > e aparece pra tomarmos umas e fazer um som!!! Valeu a todos os amantes do blues e da gaita, deixo meu contatos pra shows, em meu site esta uma música disponível do meu novo cd, Val Tomato Live."





Veja mais:
- site

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Gaita não é Brinquedo com Gaspo "Harmônica"

Pois é, graças a pessoas como esta é que o Blues em português vai ganhando mais força.
Gaspo "Harmônica" é um gaitista, cantor e compositor, e faz do Sul do Brasil um pedaço de Chicago, fazendo um som de primeira qualidade.

TB: Além de gaitista você é compositor. Como é seu processo de composição? Onde você encontra os temas paras suas letras? Qual a melhor letra que você fez até hoje?
GH: "Não sei se tenho um processo, acho estou sempre procurando por um, ou talvez eu use diferentes processos, eu realmente não sei.

Quando vou compor um blues, geralmente penso primeiro na estrutura da música, fico tocando ela e deixo a letra chegar. Eu raramente escolho um tema, ele simplesmente faz uma aterrissagem sobre os acordes do violão... deixo a escolha para o meu subconciente. É difícil dizer qual a melhor letra que fiz, até porque o coneceito de melhor é muito relativo...

As vezes me apaixono por uma música porque ela diz tudo que sinto em um determinado momento e quando passa o que estou sentindo fica difícil continuar gostando dela (são como mulheres hehehe). Posso dizer que tenho algumas preferidas, "Adeus amor, Adeus Querida" (está no meu 2º disco), eu gosto muito, ela fala de um cara que não aguenta mais a mulher e tenta de todas as maneiras ficar com ela, mas não tem como... Gosto também de "Uma canção folk", como o próprio nome diz, ela tem uma levada folk, e um tema um pouco mais existêncial.

Gosto de outras que ainda não foram gravadas e que também vão mais pro lado do folk... Mas atualmente confesso que minha paixão do momento é o "Blues dos 28", um single que estou lançando apenas virtualmente, a letra me diverte e me sinto bem enquanto canto, gosto da métrica dela, e ao mesmo tempo ela significa uma mudança no meu jeito de cantar, exprimentei uma tonalidade diferente e tive resultados positivos que mudaram a minha forma de pensar como vocalista."

TB: Como é a aceitação do blues em Português no Sul?

GH: "Me parece boa, acho que esse lance de blues em português e blues e inglês é uma questão que preocupa mais os próprios músicos. O público quer escutar boa música, quer se emocionar, quer sentir alguma coisa diferente... E é difícir dar isso a eles em qualquer língua, mas você pode cantar até em javanes e emocionar o público, acho que o idioma em que você canta é só um dos fatores da música. "

TB: Quais são os seus projetos hoje?

GH: "Tem muita coisa na minha cabeça, o ano está começando e eu estou tentando fazer com que elas virem realidade. Estou produzindo em parceria com os músicos Adrian Flores e Solon Fishbone um disco do Guitarrista americano James Wheeler. Gravamos com ele em 2006 aqui em porto alegre, o disco ficou engavetado um tempo e agora resolvemos colocar ele na rua.

Também estou me preparando pra gravar o meu 1º em carreira solo e também 1º disco elétrico (os dois que tenho são acústicos em parceria com o violonista Oly Jr.), fiz muitos amigos no mundo do blues e pretendo fazer um disco com muitas participações. Além disso tenho dedicado muito do meu tempo a uma parceria com o músico e produtor argentino Adrian Flores. Junto com ele tenho produzido turnês pelo sul do brasil com artistas Norte-Americanos tais como Phil Guy, Magic Slim, Eddie C. Campbell, James Wheeler entre outros.

Tocar com essa gente toda que bebeu da fonte do blues é um aprendizado único, e pretendo seguir aprendendo."


(Gaspo "Harmônica" e Phil Guy)


TB: Como você encontrou o Blues e a gaita?

GH: "Conheci os dois através do meu irmão, eu cresci no interior de Santa Catarina mas meu irmão morava em Porto Alegre, ele tcava violão e curtia um som a fudê, toda aquela galera dos anos 60, Jethro tull, Led, pink, Doors, Rush... Ele tinha uma coleção de discos Vinil, que além de rock tinha muita coisa de blues e jazz, mas eu não me ligava muito nisso na época. Um dia ele estava tocando violão no quarto, agente dividia um apartamento em chapecó, eu tinha na époaca 15 anos, bem, ele estava lá tocando violão e eu disse que queria tocar algum instrumento que eu pudesse carregar junto comigo, fazer um som com outras pessoas, (eu tocava piano clássico na época) ele puxou uma gaita velha de cima de um armário e me disse:

"- Toca essa gaita então..."
E eu toquei, não era uma gaita de blues, era uma gaita mais popular, serve pra fazer sei lá que tipo de som, mas eu curti igual, fiquei amigo dela hehehe... Comecei a me interessar mais por Jethro tull, porque nos discos deles sempre tinha alguma coisa de gaita, aí descobri que em seus primeiros discos eles tocavam alguma coisa chamada Blues, falei com meu irmão e ele me mostrou um disco do Muddy Watters, aí ferrou tudo de vez..."

TB: Man, muito obrigado, e agora deixo para você um espaço para seus comentários finais.

GH: "Em primeiro lugar quero agradecer ao Roberto pelo espaço, e pelo importante trabalho de divulagar o blues e principalmente os artistas independentes.

Quem vive da música sabe o quão difícil é, a maior parte do tempo agente fica sonhando e batalhando, aguardando um curto momento de realização. É o preço que pagamos pela nossa liberdade, pelo nosso direito de sentir e de se expressar da forma que desejarmos.

Um forte abraço a todos os colegas músicos e artistas, e, um parabéns e um muito obrigado a todos aqueles que buscam algo mais além das imposições da mídia e que nesse momento estão lendo essas palavras."
Escute e saiba mais:

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Gaita não é Brinquedo com Leandro Ferrari

Este é o primeiro artigo sobre um instrumento que é característico no Blues, a gaita, e por isso trago um Mestre, que além do fato de dominar também inova na sua forma de tocar.

Leandro Ferrari é um músico Mineiro que tem em suas características a utilização da gaita diatônica no formato Harmônica Synth, que consiste na alteração de seu timbre característico por novas texturas, através de filtros e pedais normalmente utilizados por guitarristas. Além disso, ele é uma pessoa simples e que veio ao Blog passar um pouco de sua experiência para todos nós.

TB: Você não está limitado apenas ao Blues, o Rock, Dub, Hip Hop e o Rock Eletrônico também fazem parte do seu estilo musical. Como é tocar gaita nesses estilos e qual deles é o mais complexo?

LF: "Realmente tenho transitado em outras praias e acho importante para a popularização da gaita, mas penso Blues quando vou tocar qualquer outro estilo. É minha grande influência musical e pra mim é o mais complexo. A arte de tocar Blues requer sentimento além de técnica. E técnica se aprende na escola mas sentir as coisas se aprende com a vida. Então sigo os passos do mestre Miles Davis e penso Blues."

TB: O seu timbre é composto por vários efeitos de pedais. Quais efeitos você usa?

LF: "Uso um cabeçote Victory Head Serrano Amps com uma caixa 2X12, meu mic é um Eletrovoice 630. Usei na gravação do ultimo cd, Moogfoogers Low Pass, Ring Modulator, Stage Phaser e Murf, Blues Driver Boss, Fuzz Factory Zvex, DL4 Line 6 (Delay), Pog (Octave Polifônico), Whammy II, Swell Flanger Ibanez, Rotomachine Line 6, FVH500 Volume Boss e um POD XT. Na estrada uso muitas vezes o Victory Head, POD XT LIVE, pedal de expressão e Whammy II. Tenho alguns trabalhos onde também uso gaitas limpas mas com alguns truques de estúdio para não perder o costume!"

TB: Quais as maiores dificuldades de ser gaitista no Brasil?

LF: "As dificuldades de ser gaitista no Brasil são as mesmas de qualquer outro instrumentista, pouco espaço e incentivo para trabalhar com dignidade e uma legislação antiquada e inoperante que acaba não protegendo e profissionalizando os músicos. Uma tardia popularização da gaita no Brasil também dificulta um pouco, mas pelo menos neste sentido isto vem evoluindo bastante nos últimos anos e hoje já podemos contar com o apoio de alguns meios de comunicação e divulgação de empresas como a Bends, fabricante de gaitas."

TB: O seu projeto Leandro Ferrary y Compadres tem sons diferentes e muito bem feitos, gostaria de saber um pouco mais desse projeto. Você tem mais projetos fora esse?

LF: "O projeto Compadres foi criado inicialmente porque eu estava sem banda, e queria experimentar novas texturas em novos sons e aí me juntei ao MC Cubanito de Havana/Cuba (da banda BLACK SONORA), O raggamufin Pow MX (Lealsoundsystem), o baterista Glauco Nastácia (Tianastácia) e ainda contamos com vários colaboradores dentre eles: Rafael Carneiro (Paralaxe) e MC Diamondog de Angola. Tudo sobre a supervisão de Augusto Nogueira. Como vocês podem notar é um projeto e todos fazem parte de consagradas bandas mineiras. Mas tínhamos algo em comum que era à vontade de fazer esse som. Aí montamos o trabalho Leandro Ferrari y Compadres.

Mas é um compromisso diferente do que temos com nossos outros trabalhos, é um projeto que necessita de estrutura para ser bem executado e a principio se resume a um CD. Pretendemos continuar o projeto já que as pessoas têm baixado bastante nossas músicas o que nos deixa bem entusiasmados. Faremos alguns shows quando tivermos agenda livre e for interessante para o projeto. Este ano (2008) lançamos o single Sk8 Dub que pode ser ouvido no MySpace além de outras faixas de nosso primeiro cd lançado em 2006.

É possível também baixar outros trabalhos anteriores ao Compadres aqui. Para este ano está previsto para junho o Minas Harp VI / Encontro de Gaitistas, festival que organizo desde 2001 em BH e shows com a Banda Hot Spot e a cantora americana Rodica. No segundo semestre lançarei um novo show que estou ensaiando agora."

TB: Ferrari, muito obrigado por sua participação, deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

LF: "Então aí vai um toque para os futuros gaitistas, primeiro levem muito a sério este instrumento. Procurem estar sempre perto de bons músicos, ouvir sempre bons gaitistas, procurar a melhor referência possível. Hoje já existem bons métodos e vídeo aulas que podem ajudar, mas sempre que possível façam algumas aulas com um bom professor nem que você tenha que fazer uma viagem, ou aulas pela net, por que não?! E se não der procure auxilio, bons blogs e sites estão ai pra te ajudar. Tente da melhor forma possível fazer com que a harmônica seja um instrumento respeitado e a profissão de músico também."








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