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domingo, 10 de agosto de 2014

Aprendendo com os Mestres Léo Maier e Don Morcego

Hoje o post é dedicado ao aprendizado e para isto temos dois Mestres Nacionais Léo Maier, falando  de fraseados de grandes lendas do Blues e o Mestre dos Slides Don Morcego, falando sobre diferentes tipos de slide e técnicas.

Vamos nos divertir:

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Entrevista com Henry Paul Trio no site Música de Andarilio



Henrry Paul é um dos músicos mais competentes da atualidade do movimento RockaBilly. Ele conhece a história e a origem do estilo.
Acompanhe a entrevista e aprenda o quanto o Blues influenciou este estilo incrível.

Clique aqui e escute o programa.



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mestres das seis cordas com Amleto Barboni

Amleto Barboni é um jovem guitarrista muito talentoso. Seu blues é poderoso e ao mesmo tempo sentimental.

Ele abandonou sua carreira para se enveredar nas estradas da música, e graças a isto, o blues ganhou mais um grande músico.

TB: Você iniciou sua vida na música tocando blues ou começou com outros estilos? Conte um pouco da sua trajetória.

AB: "Aos 21 anos, por culpa do Blues, abandonei minha profissão para aprender a tocar guitarra, mas o que despertou o meu interesse na música foi uma canção chamada Homeless do Paul Simon com o grupo sul-africano chamado Ladysmith Black Mambazo, que ouvi quando era bem pequeno. Ao decidir estudar Blues, graças a um anúncio, comecei a estudar com o André Christovam. Não tinha a mínima idéia da sua carreira, ou mesmo sobre Blues feito no Brasil, só fui saber quem era depois de uns três meses estudando com ele. Logo no começo percebi que não daria para sobreviver tocando apenas Blues, e na época não estava a fim de tocar outra coisa, por isso, acabei estudando áudio e abri meu estúdio no final de 1998 que depois acabou por me firmar como produtor."

TB: Um dia estava de bobeira em casa, ai um amigo me ligou e disse, “Cara... liga a TV na Cultura, você tem que escutar o som que eles estão exibindo.”. Bem, quando coloque a TV na TV Cultura, você estava tocando, e seu som me deixo impressionado. Como foi para você fazer o programa “Blues no País do Samba”? Como surgiu esse convite?

AB: "O programa foi gravado em 2007 e foi uma das recompensas pela coragem de ter mudado de caminho para ir atrás de algo que acreditava e de todo esforço, que ainda despendo, para ser um músico melhor. O convite veio do André depois que ouviu as gravações do meu CD, que ainda não havia sido lançado. Após acompanhar toda a minha batalha e ver como eu estava me esforçando para fazer algo bem feito ele resolveu apostar em mim. Hoje em dia também estou dando aula e vejo como é difícil as pessoas terem um comprometimento com a música. O dia que tiver um aluno com a vontade que eu tinha de aprender e fazer a coisa certa com certeza também vou ajudar no que puder."

TB: Você escreveu a maioria das composições do seu álbum, conte onde busca inspiração para escrever suas letras.

AB: "No dia a dia, em personagens fictícios e em imagens de um passado que ainda está no meu subconsciente."

TB: Para gravar seu álbum, você buscou sonoridades e timbres característicos do Blues americano?

AB: "Usei a minha concepção, mas como sou influenciado pelo Blues essa sonoridade acaba pintando."

TB: Quais são seus projetos atuais? Com quem está tocando?

AB: "Este ano ainda sigo com o Amleto Barboni`s Thing que tem o Paulo Zinner na Bateria. Tenho outro projeto que já está na estrada, mas em fase de desenvolvimento, com o Marcos Ottaviano e o Richard Montano, chama-se "A Night At Maxwell Street" e entra em estúdio no ano que vem. Também estou gravando o material do meu segundo disco. Metade dele foi gravado com músicos americanos e a outra metade terá algumas participações inusitadas. Fora isso, nas horas livres, toco Delta Blues no trio do Theo Werneck."

TB: Amleto, é uma grande honra ter você no blog. Deixo aqui este espaço para seus comentários finais.

AB: "A honra é toda minha, todos amamos a mesma coisa, o Blues. Quanto mais nos respeitarmos e colaborarmos uns com os outros poderemos encontrar o caminho nessa encruzilhada que é conseguir tocar Blues neste país."


Escute:
- MySpace

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mestres das Seis Cordas com Edu Gomes

Foto: Lincoln Barracat
Edu Gomes é um dos músicos mais queridos da cena de blues do Brasil. Sempre que o assunto é guitarra seu nome é citado, pois além de um instrumentista extraordinária tem uma simplicidade gigantesca.

Neste artigo, Edu Gomes da uma aula para quem quer começar uma carreira na música, então leia e aproveite os conhecimentos e conselhos de um dos maiores mestres do nosso Blues.



TB: Conte qual a maior conquista de sua carreira, aquela que te deixa com orgulho de ter feito e o que você ainda não realizou e gostaria de fazer.

EG: "Primeiramente, o fato de eu ter construido uma carreira musical onde pude registrar minhas canções em CD, como também me apresentar ao vivo com bandas diversas e como sideman ao lado de artistas e músicos maravilhosos. Poder passar seu sentimento e energia para as pessoas através da música é muito gratificante, assim como olhar para trás e ver que a dedicação e amor à musa música trouxe frutos e aprendizados, tanto dos acertos como dos erros.

Gostaria de realizar mais dentro do que já fiz pois este é o maior desafio de uma carreira : dar continuidade com qualidade. Gravar o novo trabalho da Irmandade do Blues, Adriano Grineberg Quartet, ZFG Mob, Concerto de Cura, como também levá-los ao público cada vez mais, produzir novos trabalhos de bandas e artistas para cada vez mais evoluir em captação de som, arranjo, produção etc. Este é meu objetivo por um bom tempo!

Agora pra citar algo mais específico, fico muito feliz em ter depoimentos, tanto de e-mails como em video, do mestre Roberto Menescal, com o qual tive o prazer de gravar e fazer uma série de shows com a cantora Márcia Salomon. Pude experimentar a linguagem do Blues com bends e slides dentro da bossa nova, com seus acordes, cadências e melodias maravilhosas, porém bem mais complexas do que encontramos no Blues. Consegui criar uma liguagem própria dentro deste estilo o que acarretou em convites para outros trabalhos de MPB."


TB: Você tem grandes trabalhos como produtor, você acredita que seu conhecimento e experiência musical contribuem para ter ótimos resultados? Você prefere produzir ou tocar?

EG: "Confesso que adoro produzir, mas prefiro tocar. Tem mais adrenalina e emoção!
Quanto à contribuição como produtor, ela pode ser maior ou menor. Tudo depende do objetivo da banda/artista e o material que ele apresenta para atingi-lo.

Meu trabalho é viabilizar, tanto em termos de produção musical envolvendo arranjos, timbres etc, como na questão organizacional de um CD, que não é tão fácil como parece. Também trabalho muito como psicólogo, pois envolve músicos, artistas etc e consequentemente vaidades e egos. Posso afirmar que é como ser técnico de futebol. É isso! Sou técnico de artistas.rsrsrs

Quando estou tocando, gosto de chamar um produtor para ter uma opinião de fora. Muitas bandas reclamam quando o produtor põe a mão demais, mas na maioria das vezes o som apresentado possui muitas falhas de execução, arranjo e até concepção,entre outras coisas. Pode ser por falta de conhecimento, vaidade excessiva com a própria composição, ou os dois! Já gravei artistas que trouxeram tudo pronto e apenas tirei o som. Quando produzo e também gravo como guitarrista, apenas somo no arranjo, muitas vezes até sugerido pelo próprio artista, que tem convicção no que diz.


Quando interfiro no trabalho, sempre viso engrandecer o que já fazem. Passo a ser parte da banda/artista e portanto preciso trabalhar para que a música alcance seu máximo em potencial, tanto em canção como em som,timbre e interpretação, além de preservar ao máximo a imagem/produto que o artista estará apresentando ao público dele."


TB: Vamos falar especificamente do blues, que já teve momentos muito melhores aqui no Brasil e principalmente em São Paulo. O que você acha que levou a cena do blues estar assim?

EG: "Esta é uma pergunta difícil pois há muitas questões envolvidas, e até mesmo dúvidas à respeito. Tentarei ser sincero, baseado na minha experiência e nada mais, e sucinto pois o assunto é complexo!

Eu acho que em termos de festivais e espaços em Sesc etc, está melhor! Tenho tocado bastante ( bem mais que antes) nesses eventos com a Irmandade do Blues, André Christóvam, Adriano Grineberg e JJ Jackson.

Temos festivais no Sul (serra gaucha),Sudeste (Ilha Comprida, SESCs, Virada Cultural, Rio das Ostras, RJ, Ibitiboca-MG, Juiz de Fora etc) Centro-oeste ( Brasilia e Goiânia) e Nordeste (Oi Blues, Garanhuns, Guaramiranga). Mesmo com o fim do Nescafé Blues, nunca esteve tão bom!

Tem muita gente nova e promissora aparecendo por ai e em todo o Brasil.

Acho que o Blues teve uma queda muito grande em bares. E os bares são os que sustentam o Blues entre os festivais e são uma ótima escola para os novatos e também para os veteranos como sustento finaceiro e de carreira. Perdeu muito espaço para bandas de cover. Os motivos são variados: no fundo o público sempre gosta de ouvir o que conhece, paciência né? Mal sabem que isso mata o novo compositor/artista, que poderá ser famoso um dia e não tem espaço pra se mostar!


Foto: Cris Oliveira

Porém, muitos músicos confundem música com showbusines.( o que eles querem!) São coisas distintas. O grande público não quer ficar ouvindo músicos tocando como se fosse uma jam, fato muito comum no Blues. Acabou cansando eu acho. As bandas/artistas de Blues que estão fazendo sucesso são aquelas que adotam a postura para isso, ou seja: fazem um show. Investem realmente em uma carreira. Têm proposta artistica mais concreta, personalidade, visual, performance, arranjo, sequencia lógica na apresentação de músicas em um show, que tem começo, meio e fim. Tudo pensado, e obviamente ( obrigatóriamente!!!) de boa qualidade. Eis ai um fator que pode tambem ter contribuido: qualidade. O Blues é realmente simples, mas não tão fácil. Sua simplicidade permite que pessoas com muito pouco experiência e vivência no mundo real da música, possam tocar o Blues. Isso é realmente um fato e não tem nada de mal, agora querer entrar no mundo da música e showbusines e ter resultados concretos de público, crítica e venda requer muita luta e conhecimento de causa, tanto do instrumento e estilo como da parte funcional. Tenho percebido isso na vida em geral e não só na música. Músicos me perguntam às vezes qual o "peixe" que a Irmandade do Blues tem pra entrar no "esquema" dos Sesc's e festivais e fico pasmo, pois minha resposta é a simples verdade: nosso "peixe" se resume em 18 anos de carreira com muita preocupação à qualidade musical e de show, em respeito à nós mesmos e ao público que nos assiste, e comprometimento profissional com nossos contratantes e colegas de trabalho, além de se melhorar como músico e pessoa. Nada mais que a obrigação!

Por último vem a questão cultural obviamente. Existem muitos fãs de Blues, mas o Brasil é muito grande e não existe, na minha opinião, um numero suficiente, tanto de fãs como artistas de real qualidade, para alimentar o Blues por ai afora dia e noite. Torná-lo uma "cultura". Essa luta será muito longa! Semrpre fui a favor da idéia de que quanto maior o numero de pessoas tocando Blues, mais espaços vão se abrir pois gerará interesse. Se um bar "abarrota" com o Blues, certamente seu concorrente irá abrir uma noite de Blues também!"


TB: Quais são seus projetos atuais? Com quem anda tocando?

EG: "Estamos divulgando o DVD da Irmandade do Blues, que teve a participação especial dos amigos Andreas Kisser e André Matos. Teremos shows em Minas Gerais, Distrito Federal, Santa Catarina, interior paulista e Nordeste até o fim do ano. Também estou fazendo o lançamento do CD "Key Blues"do Adriano Grineberg, que é meu parceiro no projeto de música para o bem estar chamado "Concerto de Cura" , cuja parceria já nos rendeu 7 CDs, e com o oitavo no forno. Estou tambem na pré produção do segundo CD do ZFG Mob, um projeto de rock instrumental ao lado do baterista Mário Fabre e do baixista Fábio Zaganin. Continuo na estrada com o cantor americano radicado no Brasil JJ Jackson, cujo último CD pude participar e também com a cantora de MPB Márcia Salomon, que inclusive me convidou para produzir seu 4º CD, o que me deixa feliz ,pois os dois primeiros foram produzidos por Roberto Menescal e o terceiro, o qual gravei, pelo Alexandre Fontanetti .No Cakewalking studio, acabei de produzir o CD de estréia do Leandro Henrique, cantor, compositor e violonista e que também integra a banda de Márcia Salomon. Uma grande promessa da nova MPB!

Meu segundo CD solo, que é instrumental, está em fase de masterização. Em breve!"


TB: Edu, já vi e escutei você tocando muitas vezes e admiro seu trabalho, por este motivo é muito bom ter você no Blog. Deixo este espaço para seus comentários finais.

EG: "Agradeço as palavras e a oportunidade de poder participar de seu blog, que tem divulgado o Blues para todos.

Peço desculpas se feri alguma opinião alheia, mas procurei ser sincero e sempre com o intuito de melhorar nosso meio de trabalho que precisa de renovação e melhorias.

Acreditem em seus sonhos!!!"


Saiba mais:
Site: http://www.edugomes.com/

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mestres das Seis Cordas com Artur Menezes


Com solos poderosos e com uma voz incrível, Artur Menezes é um cearense de apenas 24 anos que esbanja talento, bom gosto musical e humildade.

Este “menino” é sem sombra de duvida um dos maiores guitarristas de Blues do Brasil. Se você ainda não escutou o som que ele tira da guitarra, então não perca tempo, leia o artigo e depois delicie-se com os links de Artur Menezes.

TB: Apesar de ser muito jovem, você tem uma grande experiência musical. Você lançou recentemente um álbum maravilhoso, mas anteriormente esteve presente em mais três trabalhos, onde participou do CD da Lúcia Menezes, gravou com sua antiga banda Blues Label e fez seu primeiro trabalho com o EP Artur Menezes & os Caras. Você gosta de estar em estúdio? Qual é a sensação de criar e registrar o seu trabalho?

AM: "De longe eu prefiro me apresentar ao vivo do que em disco. O público me instiga e eu rendo muito mais. No entanto, a importância de registrar as suas músicas e de ter um álbum para apresentar o seu trabalho é indiscutível. É como ter um filho, imagino. Gravei meu disco com muito carinho e cuidado e fico na expectativa de que todos gostem dele, assim como eu. Sem contar que é uma excelente maneira do público "me levar pra casa" sem dores de cabeça para ambos os lados! Rs..."

TB: Você acredita que encontrou o seu timbre perfeito? Quais são seus brinquedos?

AM: "I'm Never Satisified: o título dessa música fala muito sobre mim. Ao longo desses 12 anos tocando guitarra, eu venho aprimorando meu som. Trocando de equipamento, estudando... Atualmente eu tenho uma Gibson ES- 335 Custom Shop, Fender Stratocaster SRV, Gretsch Chet Atkins, Ciderly Double Neck, Gibson Les Paul Standard e Gibson SG (estas duas estou vendendo!) e violões Del Vecchio e Fender Ressonator."

TB: Quais são seus projetos atuais? Com quem anda tocando?

AM: "Dou prioridade ao meu trabalho solo, onde geralmente toco em trio. Além das composições próprias, clássicos do blues e de caras como Buddy Guy, Collins, os 3 Kings, Hendrix, Vaughan, Clapton etc. Aqui em São Paulo, esporadicamente toco guitarra com o Big Chico (na minha opinião, um dos maiores artistas de blues do Brasil). Não me desliguei do Ceará e, sempre que retorno à minha "sweet home", toco com as bandas Blues Label, De Blues em Quando e Hardvolts (AC/DC Cover). Faço shows esporádicos também com o excelente gaitista Jefferson Gonçalves (que tem um trabalho de blues dentro da música nordestina)."

TB: Você saiu do Ceará para vir morar em São Paulo. Você acredita que a cena do Blues Paulistano é melhor que do Ceará? Por onde tem tocado fora São Paulo e o Ceará?

AM: "Não acredito que a Cena de Blues seja melhor, mas a cena musical como um todo é. Aqui as possibilidades de crescimento são maiores, pois uma vez aparecendo em São Paulo, você aparece no Brasil. Muito embora a minha vinda para cá esteja relacionada aos estudos, e não à busca pela fama. Gosto do underground e pretendo seguir nele. No Ceará a cena de blues é linda! Muito organizada e todos trabalham juntos. Todo mundo se ajuda. Fora São Paulo e Ceará, recentemente estive no Piauí, em agosto vou ao Maranhão, setembro Recife e Rio de Janeiro e outubro ao Pará. Agora em julho também estive em Londres, toquei no Blues London (The Blues Kitchen). Em 2006 e 2007, morei alguns meses em Chicago. Lá fiz parte da banda "The Shakes Blues Band" e toquei algumas vezes como convidado com Charlie Love and The Silk Smooth Band e Linsey Alexander no Kingston Mines. Outras vezes dei canja com John Primer, Jimi Burns, Brother John, Phill Guy no Chicago Blues e no Legend's."

TB: Artur, considero você entre os meus músicos prediletos, pois além do seu enorme talento, você tem uma simplicidade gigantesca. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

AM: "Roberto, primeiro te agradeço pelo bem que você vem fazendo ao blues, divulgando o estilo, abrindo espaço para os artistas mostrarem o seu trabalho, além de tocar o blues e mandar ver no slide guitar! Meus sinceros agradecimentos! O recado que deixo é que fico na torcida para que o blues tenha mais espaço no Brasil. Que o público cresça e que cresça a quantidade de músicos fazendo blues. E também que outros repitam a sua iniciativa de divulgar o blues, pois como sabemos, existem dois tipos de pessoas: as que gostam de blues e as que não conhecem o blues. Quem conhece, automaticamente se apaixona!"




Veja, leia e escute mais:
http://www.arturmenezes.com.br/
www.youtube.com/arturmenezes
www.myspace.com/arturmenezes

domingo, 20 de setembro de 2009

Mestres das seis cordas com Léo Maier

O Blues brasileiro ainda guarda muitas surpresas boas e uma delas é um guitarrista e vocalista que está levando para Blumenau o bom e velho blues de Chicago.

Léo Maier é um verdadeiro representante de uma das melhores épocas do Blues. Com frases fortes e um vocal poderoso, esse Bluesman mostra o verdadeiro blues em seus shows.

TB: Em que momento da sua vida você decidiu que queria ser guitarrista?

LM: "Faz 10 anos que a guitarra entrou na minha vida. Meu primeiro 'guitar-hero' foi o Slash. Aqueles solos e aqueles riffs me faziam querer tocar cada vez mais e ali eu começava a entender quanta emoção pode ser expressada através de uma guitarra. Quando conheci o Blues a coisa foi ficando mais séria. Eu simplesmente fiquei hipnotizado com o som de mestres como Stevie Ray Vaughan, Freddie King, Albert King, Lightnin´ Hopkins e muitos outros. Eles simplesmente falam através do instrumento e expressam todos seus sentimentos daquele jeito tão poderoso e único. E assim decidi ,"quero tocar guitarra minha vida inteira". "

TB: O blues de Chicago é algo muito evidente na sua maneira de tocar. Qual o motivo dessa influência tão forte no seu som?

LM: "No começo eu tocava o Blues que chamam de "moderno". Era algo mais pesado,com mais distorção. Eu gosto de chamar isso de Blues Rock. Com o tempo fui mergulhando nas raízes e conhecendo os velhos mestres do Delta do Mississippi e do Chicago Blues. Quando entrei para a banda Capone Brothers (que acompanha a gaitista Tiffany Harp),fui muito influenciado pelo som de Chicago.Meus amigos do The Headcutters tocam muito aqui em Blumenau e região e eles me ajudaram também a ficar cada vez mais apaixonado pelo Chicago Blues. Hoje,minhas maiores infuências são Buddy Guy, Jimmy Rogers, Luther Tucker, T-Bone Walker, Clarence 'Gatemouth' Brown e o guitarrista de jazz Wes Montgomery. "

TB: Além de um excelente guitarrista, você é um ótimo vocalista. Se você tivesse que escolher entre a guitarra e o microfone, qual seria sua opção?

LM: "Muito obrigado. Eu escolheria a guitarra . Sou inseguro por natureza e definitivamente não me sinto a vontade cantando. Eu comecei a cantar porque quando começamos a montar nossas bandas de Blues aqui em Blumenau, ninguém queria cantar e acabou sobrando pra mim (rsrs).Virei meio que um 'quebra-galho' no microfone e com o tempo decidi que cantaria assim mesmo. Sempre peço dicas de amigos que são vocalistas de verdade e isso vem ajudando bastante eu acho."

TB: Muitos músicos tem algumas manias antes do show, o que você pensa ou faz minutos antes de entrar no palco?

LM: "Eu não costumo fazer nada, praticar ou algo assim. Eu apenas penso em fazer um ótimo show para as pessoas que estão ali curtindo e muitas vezes conhecendo o Blues (apresentar para elas essa música tão poderosa que mudou e influenciou o mundo todo) .Penso nos grandes mestres e sempre espero que eles fiquem orgulhosos."

TB: Léo é muito bacana ter um talento igual a você nas páginas do Blog. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

LM: "Obrigado novamente. Primeiramente quero agradecer essa oportunidade Roberto. Acompanho sempre seu blog e você está de parabéns. Tenho uma paixão e um respeito gigantescos pelo Blues e gostaria de dizer aos seus amantes e apreciadores que continuem espalhando essa música maravilhosa pelos vários cantos do Brasil(e do mundo) e sempre lutando por ele, mantedo-o vivo. Sempre digo que muitas pessoas gostam de Blues mas infelizmente não o conhecem, ou seja, nunca tiveram a oportunidade de ouví-lo.Tocar com toda a emoçao e toda a verdade que existe dentro de você é uma das coisas que faz o Blues tão único. "Everything gonna be allright...".Um abraço."


domingo, 26 de abril de 2009

Mestres das seis cordas com Leo Ventura

Leo Ventura é um grande músico carioca que conheci em uma dessas noites de Blues.

Além de ser um extraordinário guitarrista é um ótimo vocalista, sem contar que é uma pessoa muito divertida.

TB: Como você iniciou na música e como foi para no blues?

LV:
"Comecei a minha vida ouvindo muito rock brasileiro e MPB. Embora ninguém na minha família fosse músico, minha casa era muito musical. Minha mãe e minha avó sempre ouviam muita (boa) música, como Rita Lee, Lulu Santos, Legião, Engenheiros, Caetano, Gil e etc. Enfim: desde criança curtia reunir os amigos para ouvir música em casa – me interessava muito mais do que jogar bola.... rs

Sempre quis aprender a tocar guitarra e aos 13 anos ganhei o meu primeiro violão. E aí comecei a tocar, sem fazer aulas, tirando músicas um tanto preguiçosamente, pois eu preferia ficar improvisando em cima das gravações do que efetivamente “tirar” as músicas igual a gravação original.

Demorei um pouco até formar a minha primeira banda de verdade e só aos 18 anos passei a tocar na noite do Rio. Ainda nessa mesma época, comecei a ouvir blues compulsivamente e, com a grana que ganhava no estágio de direito que fazia, comprei vários e vários CDs de blues (B.B King, Albert King, Clapton, John Mayall, Robert Johnson e vários outros), eu foram formando a minha personalidade musical.

Nos bares, tocava muita MPB e B-Rock, mas, em casa, sempre tirava cada vez mais e mais o blues e alimentava a vontade de montar uma banda só de blues. Engraçado, desde moleque eu já tinha o nome da minha futura banda de blues na cabeça: DESTILARIA...
Mas esse sonho ficou mais um tempo reprimido, tempo em que gravei um autoral de rock nacional CD com a banda BR-80 (“Sonhos Arquitetados – 2001”), que foi lançado de forma independente. Passada essa fase, eu já não conseguia mais ficar longe do blues e não deu jeito, a DESTILARIA tinha de sair do papel.... rs

Em 2004, chamei os amigos Ronaldo Januário (gaita) e Bruno Leiroza (guitarrista da banda Velho Joe e ex-companheiro na BR-80) e resolvemos botar a DESTILARIA na rua. Marcamos umas datas para fazer um blues acústico num bar só de blues que havia na Lapa (bairro no Centro do Rio), chamado Twenty Pounds Blues Bar. Assim surgiu a banda que segue até hoje ...."


TB: Você é Carioca e está em São Paulo há pouco tempo. Quais as diferenças do cenário blues entre as duas cidades?

LV: "Na verdade, atualmente, são cenários bastante semelhantes. Aqui em Sampa o cenário está muito bacana e o clima das pessoas é muito semelhante ao do Rio. Há uma congregação e amizade muito forte entre as bandas, e isso é muito fundamental para a divulgação do estilo e dos trabalhos de cada um. Black Coffee, Bimbolls Brothers, Summan Brothers, Marafa Blues, Eletric Muddy, entre outras, estão fazendo trabalhos muito legais, abrindo bastante espaço para shows e atraindo um público significativo para os seus shows!

No Rio, hoje, temos um cenário super bacana também! Principalmente, por força da BANCA DO BLUES – www.bancadoblues.com -, capitaneada pelos meus amigos Paulo Vanzilotta e Denise do Amaral, que é um espaço para shows, toda sexta-feira, em pleno Centro do Rio de Janeiro, numa banca de jornal. Só que com um som profissional, segurança e tranqüilidade, com um público médio de 200 pessoas por noite e muito espaço para a divulgação do estilo e das bandas. Na Banca já tocaram músicos renomados do blues nacional como Big Gilson, Maurício Sahady, Rodrigo Nézio, entre outros, e várias bandas que hoje se destacam no cenário carioca como a Mamute, Like a Rolling Stones, Velho Joe, Bandanna Blues,Zanata & Blues Trio, entre outras várias.

Claro que, tanto Rio quanto São Paulo carecem ainda de melhores espaços para o blues e mais apoio para as bandas. Isso no Rio ainda é mais claro, pois são alguns pouco lugares para shows, e sempre os mesmos (Banca do Blues, Bar do Frank, Dragon Jack, em Niterói, e mais dois ou três). E o pior é que os donos dos outros bares não vêem que existe público para o blues. E um público fiel! Mas, enfim, essa é a nossa luta: abrir espaço para a nossa música e continuar, cada vez mais, a unir as bandas, sem competição, para que haja espaço para todos!!!"

TB: O que você procura com sua música?

LV: "Objetivamente: me conectar com as pessoas. A meu ver, a música é forma de expressão mais linda que existe. E também a melhor forma de exprimir sentimentos e fazer amigos.

Tocando um instrumento e cantando você não tem como se esconder. Você fica absolutamente exposto e mostra quem você é. Outra coisa genial é ver como a música de cada um é única. Eu posso tocar as mesmas notas que você, mas cada um tem o seu jeito e sua abordagem, e isso faz com que a música seja ao mesmo tempo única e universal. "

TB: Conte o que estar no palco? Quais sua preocupações enquanto você está tocando?

LV: "O palco é, sem dúvida, o melhor lugar do mundo! Sinceramente, quanto estou tocando, normalmente, eu me “desconecto” um pouco desse mundo, cara. É um prazer inenarrável. Claro que é sempre importante ter um bom som geral, para que você ouça bem cada parte da banda, uma voz bem passada, uma guitarra bem timbrada, mas, passada esta fase... é só aproveitar! rs"

TB: Quais são seus projetos atuais?

LV: "Apesar de estar morando em São Paulo, a DESTILARIA continua firme e forte! A banda toca um blues-rock autoral, com letras em português, mescladas com clássicos do blues e do rock´n roll. Meus comparsas, amigos e irmãos da DESTILARIA são: Maurício Fernandes (guitarrista também da Bandanna Blues e do Garganta Seca), Sergio Gullo (bateria) e Ramon (baixo). Para mais informações da banda, mp3 e vídeos, Clique aqui .

O próximo show da DESTILARIA está marcado para o dia 29.05 (sexta-feira), na Banca do Blues, no Rio, onde faremos uma grande festa para comemorar o meu aniversário, com várias canjas de amigos da banda. Depois, devemos iniciar o processo de gravação do nosso CD, já que temos bastante material autoral pronto para registro!!!

Além da DESTILARIA, tenho um duo de blues em São Paulo, guitarra e gaita, com o meu irmão paulista Oswaldo Moraes (gaitista da Black Coffee). Fizemos a nossa estréia juntos em Março e breve teremos mais shows. O clima do duo é de muito improviso em cima dos clássicos do blues.
Estou ainda montando uma banda em São Paulo que em breve estará na rua também. Enfim... várias atividades, afinal o BLUES NÃO PODE PARAR!!!"

TB: Leo, muito obrigado pela sua contribuição no Blog. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

LV: "Terremoto, meu caro, quero agradecer o convite para falar aqui no blog. Acompanho seu trabalho há muito tempo, sempre lendo as boas entrevistas e os achados musicais deste espaço (Francini Bessi, Leo Lobão da Mamute, entre outros). Enfim... muito obrigado pelo espaço e pelo carinho.

Quero ainda agradecer aos meus amigos e irmãos do blues (cariocas e paulistas). A galera da DESTILARIA (Maurício, Serginho e Ramon), Anna Carla e Claudio Guerreiro (Bandanna), Paulo e Denise (Banca do Blues), Zanata e Blues Trio, Oswaldão, Bel e Marcião (Black Coffee), Ale Rossi e Frank (Bimbolls), entre outros. O melhor da música são os amigos!

E, em breve, estaremos na área, com mais blues e boa música para todos nós!!! Paz a todos nós!!!"


(Blues da Solidão(música própria) – DESTILARIA)


(DESTILARIA E BIG GILSON - Dimples)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mestres das seis cordas Paulo Calarezzo

Tenho a honra de trazer para as páginas do blog um mestre da guitarra. Uma músico que simplesmente brinca com o Blues e o Jazz.

Paulo Calarezzo é um músico completo, pois une feeling e técnica, para chegar em um som maravilhoso e apesar de tudo isso, é uma pessoa simples.

TB:Você é um guitarrista com uma bagagem incrível, pois domina vários estilos musicais. Por este motivo gostaria de saber, o que te faz tocar Jazz e Blues?

PC: "Sempre que comento isso muitos ficam surpresos, cresci numa família de classe média na capital paulista, gente trabalhadora, que me deu uma boa educação a custo de muito suor, porém sem muito tempo para apreciar música, difícil imaginar alguém se tornar músico crescendo em um ambiente pouco musical, mas isso que aconteceu: Meus primeiros contatos com a música foram através da TV, personagens como Adoniran Barbosa, Clara Nunes, Elis Regina, Hermeto Pascoal... nomes que povoavam nossa MPB antes da total banalização cultural dos meios de comunicação, porém o que mais me marcou foram as trilhas sonoras de antigos desenhos animados, onde se encontra muito jazz e blues, incríveis pianos de boogie-woogie e big bands quebrando tudo como na Pantera cor de Rosa. Quando comecei a estudar música, no início da adolescência, me apaixonei por improvisação, o que me aumentou mais ainda a minha paixão pelos estilos."

TB: Em 2004 você lançou o seu Cd “Blues Loud”. O que te fez gravar este CD? Quem trabalhou com você nesse projeto? E podemos esperar algum trabalho novo?

PC: "No início dos anos noventa, além de diversos trabalhos como músico acompanhante e free lancer, me dedicava a um grupo de jazz que era meu xodó, mas as coisas não iam lá muito bem, um amigo meu tocava na Blues Connection e me falou que o blues estava em alta, e que haviam diversos lugares pra se tocar, bom comecei a cantar e a fazer blues e descobri que tinha jeito pra compor no estilo, depois de alguns anos passei por alguns grupos e tocando com muita gente boa decidi montar meu próprio trabalho que culminou neste CD. Nele eu apresento algumas das minhas composições e toco alguns clássicos que me acompanharam ao longo dos anos.


Na produção juntei um verdadeiro mutirão de amigos e colegas, como o baixista Célio Barros que co-produziu o trabalho e cedeu seu estúdio para parte das gravações, bem como Tomi Terahata, meu amigo de infância, e que na época era proprietário do estúdio Groove Digital. No que se refere aos músicos, temos o baixista Pedro Marcondes, o pianista Lobato Acarahyba, ambos tocam comigo ainda hoje no Polissíntese Jazz Group, o baterista Ronaldo Palleze, companheiro de longa data, um ótimo produtor e um dos músicos mais extraordinários com quem já trabalhei, Luiggi Granieri no hammond, que tocava na Blues Keepers, e na gaita, Marcelo Rodrigues que tocou comigo na Urublues, com quem tenho uma grande amizade e costumo de vez em quando fazer dueto de violão e gaita com ele.

Quanto a um novo trabalho, já tenho o conceito de um novo disco totalmente desenvolvido, porém, ainda quero mantê-lo na gaveta. No Brasil o público que aprecia blues ainda está cheio de preconceitos, tem relutância quanto a composições em português e muitos estranham a modernidade do meu trabalho, então A garotada mais é que tem me dado alguns indícios de que as coisas vem melhorando, me parecem mais abertos à nossa mensagem e não estão estigmatizados com aquele conceito de que blues tem de ser aquele som mofado, isso daqui um tempo talvez me traga de volta para ao estúdio."

TB: Quais são seu projetos hoje? Com quem você está tocando?

PC: "Toco em um grupo instrumental que funde jazz, rock, blues, pop e música brasileira, o Polissíntese Jazz Group. Lançamos no ano passado o CD que trás as composições de nosso pianista Lobato Acarahyba, e desde então estamos trabalhando na divulgação e propagação dessa nova estética. A aceitação do público tem nos emocionado e temos muitas perspectivas sérias para o futuro.

No ano passado, a convite do SESI, reuni o meu grupo original, aquele que gravou comigo, foi um grande show e saímos todos empolgados. Não tenho trabalhado com um grupo de blues fixo, o que tem me causado muitos problemas, principalmente pelo pouco tempo que acaba sobrando pra ensaiar. Estou com vontade montar um grupo fixo novamente e voltar à estrada, quem sabe o mesmo time...

Toco também em eventos, às vezes só, mas na maioria em grupo, isso é algo que curto fazer e ajuda a pagar as contas, além das inúmeras aulas que dou... rsrs"

TB: Neste mundo, onde o Rock não é algo que a maioria dos jovens escuta, como é ser professor de música? Qual a faixa etária dos seus alunos? E que tipo de música querem aprender?

PC: "Não tenho o dado de que a galera está escutando, mas meus alunos ouvem basicamente Rock’n’Roll, muitas vezes de péssima qualidade, muita coisa que não possui nada de elaboração, os caras cantam muito mal (mais parecem que gemem), mas tem uma galera que curte rock mais das antigas, e isso não é pouca gente não... Tem gente que curte Led Zepplin, Pink Floyd, Steve Ray e por ai vai... às vezes influencia dos pais, outras guitar hero, mas muitos vem atrás disso.

Leciono para todas as idades, meu aluno mais novo está com oito anos e acho que o mais velho está com uns vinte e seis, ministro aulas de prática em conjunto no Colégio Santa Clara e lá trabalho com alunos de doze a dezoito anos. O que percebo é que os mais novos são mais afetados pela música pop e os mais velhos já são mais roqueiros, mas no que se refere ao repertório se encontra de tudo, mas a música internacional predomina, e infelizmente poucos gostam de blues.

Como professor a coisa que mais incomoda é a falta de dedicação que se vê na garotada, querem evolução sem muito esforço, ai a coisa não caminha legal, a aula fica pesada pra mim e pra eles também, mas para mim como professor o que interessa mesmo é poder trazer algo de bom pra vida desses caras, tanto que quando encontro ex-alunos todos me tratam muito bem e muitos mencionam o quanto as aulas de música foram importantes na nas vidas deles. Pra mim, missão cumprida!"

TB: Paulo, é muito bom ter um músico tão competente no blob, Obrigado. Deixo aqui um espaço para sés comentários finais.

PC: "Eu agradeço muito a lembrança, numa terra sem memória, muitos vêm se esquecendo desses anos que dediquei ao blues e a seu convite me deixou muito lisonjeado. Quero te parabenizar pela iniciativa e deixar aqui minha admiração pelas suas composições e batalha para fazer o blues nacional crescer. Eu estou um pouco de férias do Blues, mas daqui a pouco eu volto...rsrs.

Gostaria também de dar um toque pra galera que ainda não se ligou que o tempo passa e a fila anda... eu adoro Robert Johnson, Skip James, Blind Limon Jefferson e muitos outros, mas se o blues ficasse no purismo não teríamos Muddy Waters, BB King, Buddy Guy, Jimy Hendrix, Stevie Ray e tantos outros que fizeram e fazem a história do blues. O blues nacional hoje já tem cara própria e precisa ser prestigiado, então galera, vamos abrir os ouvidos pq tem muita coisa boa por ai, e não são só gaitistas ou cantoras negras não, são guitarristas, pianistas, bandas, compositores que fazem música em inglês e português, em suma, tem muita coisa legal pra gente curtir!!!

Outro toque que gostaria de dar é de que tem muita gente que ouve música o dia inteiro no rádio, em casa, no carro, debate sobre música com os amigos, porém não tem o hábito de ir a um show ou a um concerto. Pessoal, arte só acontece ao vivo, só conhece a Monalisa quem foi ao Louvre vê-la, só se emociona de verdade com as artes cênicas quem vai ao teatro assistir uma peça, e porque em música um monte de gente acha que o disco é uma obra de arte, é nada!!! Um grupo da pesada faz o máximo para em uma gravação conseguir algo parecido com o que faz ao vivo, e mesmo assim o resultado fica sempre bem aquém, então se você realmente gosta de música é melhor se mexer mais e ir testemunhar ao vivo o que é um puta som!!! Só assim você porá usufruir de verdade a música!!!

Queria mandar um abração pra galera do blog e agradecer a oportunidade de expor minhas idéias.

Muitas felicidades a todos e vida longa à música de raiz, ao feeling, vida longa ao blues!"





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domingo, 5 de abril de 2009

Mestres das seis cordas com Francinni Bessie

Às vezes me pergunto até onde o Blues pode chegar sem divulgação. Mas eis que uma prova viva disso surge no interior de São Paulo, em Sta. Cruz do Rio Pardo, que tradicionalmente não é uma cidade que se escuta Rock muito menos o Blues.

A jovem Francinni Bessie, de apenas 20 anos, que aprendeu praticamente a tocar sozinha, está aqui para nos contar um pouco de sua vida musical e mostra um talento incrível com a guitarra.

O Blog fica muito feliz publicando a primeira entrevista desta menina, que tem um futuru brilhante.

TB: Na sua idade, a maioria das meninas curte outros tipos de sons, músicas da moda e geralmente vão para lugares onde quase nunca tem banda ao vivo tocando Rock, muito menos Blues. Fico me perguntando, como o blues entrou na sua vida? E porque a guitarra?

FB: "Infelizmente, comecei a gostar de música um pouco tarde. Quando criança, meus pais ouviam rock clássico, mas nunca gostei do 'barulho'. Meu contato com a música começou mais tarde, por volta dos 16 anos, quando finalmente comecei a ter interesse por bandas como The Beatles, mas o interesse pela guitarra começou a surgir ainda depois, quando conheci o Blues.

Meu primeiro contato foi num bar, com uma banda ao vivo: quando ouvi aquilo fiquei sem palavras, o feeling, o ritmo, as letras. Era aquilo que eu queria pesquisar, estudar e, por que não, tocar pro resto da minha vida. Foi como um amor à primeira vista! Lembro-me de começar a pesquisar sobre o Blues no dia seguinte, quando descobri que ele era a raiz do Rock'n'Roll!

Após isso, conheci todos tipos de Blues, das raízes do Delta do Mississipi ao elétrico Texano!"

TB: Percebi que uma de suas maiores influencias é o mestre Stevie Ray Vaughan, quem te apresentou ao som dele? Quais suas outras influencias?

FB: "Praticamente, continuando a resposta anterior, foi quando, por meio dessas pesquisas sobre o Blues, Conheci o mestre Stevie Ray Vaughan. Até então nunca havia visto um Blues com tanto feeling, com tanta emoção e o mais surpreendente: um branco!

Fiquei realmente chocada, e me apaixonei imediatamente pelo feeling. Graças a ele, comecei a tocar guitarra, tentando tirar suas musicas de ouvido. Parecia loucura, mas eu consegui!

Minhas outras influências na guitarra, embora transpareça apenas SRV, Albert King e Muddy Waters são: Albert Collins, Guitar Slim, Jimmie Vaughan, Otis Rush, Eric Clapton, Jimi Hendrix, Freddie King. Mas, não posso deixar de citar outros nomes que não sei se devo chamar de influências por enquanto, mas sou apaixonada, como Johnny Winter e Rory Gallagher. No Delta Blues também adoro Skip james, R. L Burnside, Son House e, é claro Robert Johnson. Aqui no Brasil gosto muito do Blues de Otávio Rocha e do Fred Sun Walk que são guitarristas muito expressivos, cada um com sua maneira de tocar."

TB: Todo guitarrista procura sua própria identidade, melhor dizendo, seu próprio timbre. Você ainda está nessa busca? O que você usa hoje?

FB: "Acredito que uma das etapas mais difíceis na carreira de um guitarrista seja essa busca pelo estilo próprio. Grandes guitarristas tiveram essa dificuldade, mas ela é superada quando você se sente seguro improvisando o que vier em mente.

Eu comecei há pouco tempo, estou apenas iniciando essa eterna busca, mas acho que timbre tem a ver com a identidade e gosto de cada um e é uma coisa que se adquire com os anos. O mesmo vale para a identidade sonora."

TB: Onde você pretende chegar com seu Blues? Quais suas ambições musicais?

FB: "Pretendo manter-me estudando e ouvindo o Blues, sempre com muita dedicação. Gostaria também de compor e ter bons músicos para me acompanhar, uma boa cozinha é tudo no Blues.

Enfim, meu maior prazer é tocar Blues da maneira que posso e pretendo fazer isso para sempre."

TB: Francinni, muito obrigado por dedicar um pouco do seu tempo para i blog. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

FB: "Eu que agradeço o espaço cedido e a grande iniciativa de se dedicar a um Blog que divulga o Blues e tantos músicos brasileiros competentes. Sinto-me honrada estando aqui e contribuindo um pouco com isso tudo.

Há pouco tempo, tocar Blues era um sonho distante pra mim, moro numa cidade pequena, onde é muito difícil encontrar músicos e muito menos que toquem Blues. Hoje graças ao incentivo de pessoas como Otávio Rocha, percebi que é possível, basta querer e abraçar todas as oportunidades. Aproveito também para agradecer todas as pessoas que tem acreditado em mim, André Christovam, Luciano Boca, Gustavo Andrade e a Hot Spot Blues Band, que me indicou para o Blog, Big Gilson e Fred Sun Walk, e todos os convites para jams e Festivais etc... Um dia eu chego lá!"





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Obrigado meu amigo Gustavo Andrade, pela dica!!!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mestres das seis cordas com Leonardo Lobão Cançado

Trago para o Blog um mestre, um cara que toca muito e é uma pessoa simples.

Leonardo Lobão Cançado é um grande guitarrista do Rio de Janeiro, mas não tenho muito o que dizer, é só ver e ESCUTAR este cara tocando. Observe o primeiro vídeo desta matéria e tire suas próprias conclusões. Mas já adianto, o cara é realmente um mestre.

TB: Pelo que sei, você iniciou na música por influência do seu Pai, que te mostrou muita coisa boa do Rock e Blues dos anos 70. Como é ter o Pai como influencia e com quantos anos você iniciou a tocar? Conte um pouco da sua trajetória musical.

LL: "Meu pai também é musico e viveu nos EUA no auge do movimento de contracultura, sendo exposto à toda aquela informação in loco. Era umaficcionado por bossa nova ao chegar lá mas voltou com muita bagagemde rock, especialmente Beatles, Stones, Dylan, Crosby, Stills, Nash &Young. E foi em meio a jams sessions inspiradas por esse tipo de somque eu cresci fui exposto à música.

Com o passar do tempo adquiri minha própria bagagem: ainda bem garoto pirei no show de uma das minhas bandas preferidas até hoje, AC/DC. Escutei bastante metal na adolescência, mas os velhos Houses of the Holy (Led), Smash Hits(Hendrix) e Skull and Roses (Grateful Dead) herdados do meu pai semprerolavam na picape, alternados com Iron Maiden e afins. Gradualmente fui voltando no tempo e me ligando mais e mais nas "velharias", o que coincidiu com meu interesse real em tocar guitarra.

Clapton is God,Hendrix is the Devil, Allman Brothers e tudo mais. Mergulhei de cabeçano blues no início dos 90s, pirando em John Mayall, Howlin' Wolf,Jimmy Reed, SRV e Sonny Boy(s). A esta altura já era um caminho sem volta. Hoje meu pai ouve música brasileira e jazz, tocando basica mente bossa e alguns standards, pois não é um solista. É um músico que admiro muito, e uma grande influência."

TB: Vi alguns dos vídeos da sua banda e realmente encontrei uma sintonia muito boa entre os músicos, pois tocar Allman Brothers com qualidade não é para qualquer banda. O que leva vocês a chegarem em um grau tão grande de perfeição na execução das musicas?

LL: "Bom, acho que pra perfeição ainda falta muito feijão, mas obrigado...rsrs.

Acho que a forma como a banda nasceu contribuiu muito pratocarmos esse tipo de som. Eu (guitarra), Luiz Esmiralha (guitarra evocais) e Marcello Monte (baixo e vocais) já eramos ligados em Southern Rock - especialmente Allman Brothers - há bastante tempo, e embora já tivéssemos tocado juntos em projetos anteriores, a vontadede fazer um som de rock calcado em improvisação era bem grande.

Começamos a fazer jams juntos e daí nasceu o Mamute. Sempre nos preocupamos a dar às versões uma estrutura mais livre, e músicas do Cream e Allman Brothers eram uma "plataforma de lançamento" perfeitapras nossas viagens musicais.

Pudemos contar com bateras muito bons(Zé Henrique anteriormente e Leo Novo atualmente) pra dar corda a essanossa idéia. E pra completar, como num passe de mágica, encontramos o Bama (Joe "Alabama" Tate, teclados/gaita/vocais), que na época era meu vizinho e eu descobri ser aficcionado por blues e southern rock e tertido a oportunidade de assitir nomes como Jimmy Reed (chegou a tocarcom ele!) e nada menos que o Allman Joy (o embrião dos AllmanBrothers). Nossas influências são diversas e vão de blues rural, deraiz, ao som viceral de bandas como Grand Funk Railroad e Humble Pie, mas nosso "porto seguro" é definitivamente a mágica mistura de blues,country e rock que os Allman Brothers representam como ninguém."

TB: Falando em Allman Brothers, não tenho como deixar um assunto muito importante passar, os Slides. Você toca usando algum tipo de afinação qual afinação? Quando você tocou slide pela primeira vez?

LL: "Na verdade sempre fui fascinado pelo som de slide, mas meu contato coma técnica nunca passou, até um ou dois anos atrás, de brincadeiras comum vidrinho de Complexo B, sem muitas pretensões.

Por mais que tenhasido ligado em ABB desde sempre, confesso que não era exatamente um fãdo estilo do Duane. Não me aventurava a nada além de pequenas linhasde ritmo, sempre em open tuning, pois slide em straight tuning não meagradava muito.

Nos início do anos 90 eu assitia muitos shows do Blues Etílicos e do Big Allanbik, e posso estar errado, mas acho que nessa época (ou ao menos era a minha impressão) o Otávio Rocha e o BigGilson usavam open tuning. Mas depois que descobri o Warren Haynes vique era possível ir muito longe nesse tipo de afinação, ainda soando de forma convincente.

Toco hoje tanto em open G quanto em straight, mas ainda vejo a técnica de slide como um grande desafio a servencido. Não me considero um guitarrista de slide. Mas tenho estudadoo estilo e gosto de caras que tocam tanto em open (Derek Trucks,Lowell George, Ry Cooder, Marcos Ottaviano) quanto em straight (WarrenHaynes e o fantástico Otávio Rocha, que tem sido uma grande influênciaa tocar nessa afinação)."

TB: Sabemos que tocar músicas que não fazem parte do circuito comercialé algo muito complicado no Brasil. Como você vê este problema? Quaissão as vantagens e desvantagens de ser um músico de Rock e Blues noBrasil?

LL: "Vou deixar o grande circuito comercial de fora da minha análise, poisblues e rock and roll clássico nunca tiveram este espaço no Brasil, mas ainda assim vejo diferença entre a nossa geração e a que nosprecedeu. Durante o grande boom do blues aqui no Brasil - no final dos anos 80 até a metade dos 90 - a coisa era diferente, e eu acho que a orientação do público jovem fazia muita diferença. O blues e o classic rock estavam em voga e o pessoal lotava lugares como o Circo Voador para assistir bandas como Blue Jeans, Blues Etílicos, Celso e BigAllanbik. O blues-rock estava no olho do furacão. Acho que comparandocom a década passada o blues e rock perderam um pouco de terreno, o que torna as coisas ainda mais difíceis. No caso do Mamute, acho mais difícil ainda, pois somos uma banda "lado b" que não toca os grandes hits de rock, e também não somos uma banda de blues na essência.

A vantagem é fazer o som que amamos, que está na nossa veia. Mas ascoisas estão mudando, eu acho. Novos espaços têm surgido aqui no RJ,como o Bar do Frank, um oásis roqueiro numa cidade alheia ao estilo,que tem o melhor público para o qual já tive a oportunidade de tocar,e a Banca do Blues, uma iniciativa fantástica de por o blues e o rock na rua, de graça. E como o Maurício Fernandes citou na entrevista dele, tem que ser de mãos dadas. Mais uma banda na cena não é mais um pra fatiar o bolo. É mais fermento pro bolo crescer."

TB: Leonardo, é sempre muito bom trazer pessoas talentosas para o Blog.Muito obrigado pelo tempo que perdeu respondendo estas perguntas.Deixo aqui um espaço para você fazer seus comentários finais.

LL: "Roberto, eu que agradeço o convite e o parabenizo pela iniciativa. Este cenário é muito carente de divulgação, e achei muito bom ver tantas caras novas nas diversas colunas que compõe o blog.

Sou antes de músico, um consumidor voraz de música, minha grande paixão. Citando Townshend: "Find it, I've got the hear it all again; My heart hasheard the sound of harmony; Blind to it, as my tears fall again; Butit's only by the music, I'll be free" (Time is Passing - The Who).

Aproveito pra divulgar meus projetos:

Mamute (blues rock)
Os Quem (Tributo ao The Who)

Grande abraço!"












quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Mestres das seis cordas com Paulo Toth

A primeira musica que escutei deste grande guitarrista tocando foi a “Same Old Blues”, e logo percebi a sutileza e o feeling de suas frases.

Paulo Toth é um guitarrista que toca com a alma e que passa seus sentimentos para o som de sua guitarra.

TB: Quanto tempo faz que você da aulas de guitarra? Você é um professor que cobra muito de seus alunos?

PT: "Antes de responder, quero agradecer pela oportunidade e de parabeniza-lo pela iniciativa do blog em divulgar o blues nacional.

Comecei na música aos 12 anos tocando contrabaixo numa bandinha de garagem, aos 13 já tocava profissionalmente em um grupo de musica nacional animando festas e bailes. Aos 16 passei para a guitarra e após estudar por 2 anos em conservatório comecei a lecionar para financiar meus estudos . Então leciono à 29 anos guitarra e contrabaixo. Nesse interim trabalhei em outras atividades, fui bancario, mecanico , etc... mas nunca parei de lecionar, em 87 fundei em conjunto com minha esposa, que é pianista, a Blue Note Ensino Musical, escola de musica em São Bernardo do Campo , São Paulo.

Quanto ao preço, cobro R$ 100,00 mes por uma aula semanal individual, o que é uma media de mercado."

TB: Existem pessoas querendo aprender tocar Blues? Qual a faixa etária desses novos guitarristas?

PT: "Infelizmente são poucas as pessoas que procuram a escola especificamente para tocar blues, o blues costuma estar entre suas preferencias, mas não pela definição do estilo mas sim pelos artistas ou seja, gostam de Clapton , Hendrix, entre outros mas não os classificam como blues.

Aqueles que vem procurando aprender blues estão acima dos 28 anos."

TB: Estamos passando por uma nova onda de guitarristas, derivados dos jogos de vídeo game, como o Guitar Hero. Você acredita que esses jogos podem trazer mais jovens para o Rock e o Blues?

PT: "Sim, tenho visto muitos alunos bem jovens procurando a escola por causa do guitar hero. Não conheço o jogo com profundidade, mas acho interessante ver alunos bem jovens querendo tocar Mississipi Queen do Mountain , Sunshine of your Love do Cream, coisas que estão completamente fora do universo deles. "

TB: Como você vê o cenário do Blues no Brasil?

PT: "Como todo estilo musical fora da midia, o blues é pouco divulgado, o que torna o seu mercado restrito à um público especifico. Mas com o advento da internet e graças a pessoas abnegadas como voce que montam blogs, radios, etc.. via rede, o blues tem sido mais divulgado em nosso país. Vejo muitas novas bandas surgindo e as casas e bares estão mais receptivos ao estilo, pois sou do tempo que a única coisa de blues nacional que tinhamos era o Celso Blues Boy."

TB: Quais as dicas para ser um guitarrista de blues?

PT: "Antes de ser um guitarrista de blues , voce deve ser guitarrista. Infelizmente nunca seremos Bluesman, pois para isso teriamos que ter vivido naquele tempo passado pelas mesmas coisas etc.... Ser um bluesman antes de tudo é vivencia e isso nos não temos. Mas podemos tocar blues e para isso é necessario estudo, se até para sermos garis temos que ter 2º grau completo!!!! Pena que na politica não seja assim..... mas voltando ao assunto, primeiro estude, depois aprenda com que entende, OUÇA os CLASSICOS, B.Bking, Albert King, Muddy Waters, Elmore James, Lightning Hopkins e muitos outros que fizeram a história do blues, somente esses caras podem ensinar alguem como tocar blues. Não se deixe influenciar por malabarismos musicais, seja simples, seja honesto consigo mesmo e toque com o coração , isso é Blues."


TB: Toth, muito obrigado pela sua participação aqui no Blog. Deixo aqui este espaço para seu comentário final

PT: "Quero parabeniza-lo por seu trabalho à frente do blog, divulgando o trabalho de bandas e musicos de blues, agradecer por essa oportunidade, e colocar a mim e a meu grupo "The Lady Blues Band" a sua inteira disposição .


Abraços."




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domingo, 11 de janeiro de 2009

Mestre das seis cordas com Társio Sagges Venâncio

O blog está sempre em busca de talentos nacionais e desta vez temos a felicidade de bater um papo com o Társio Sagges Venâncio, que é um guitarrista de Barueri, cidade pertencente ao Estado de São Paulo.

O Tarcio explora muito bem o Soulth Rock e o Blues malandro de Chicago, seu som possui uma característica própria e um timbre incrível.

TB - Ser canhoto dificultou seu aprendizado? É fácil encontrar bons instrumentos para canhoto ou você usa guitarra de destro invertida?

TSV - "Ganhei meu primeiro violão em 1998, usado e destro, um modelo de cordas de nylon da Giannini, nem um pouco recomendado aos blueseiros... rs. E logo de cara percebi que não conseguiria tocar como destro (embora eu escreva com a mão direita).

Num primeiro impulso virei o violão ao contrário e me senti muito mais confortável para tocar, porém quando levava o violão ao colégio não conseguia fazer os mesmos acordes que o pessoal que tocava fazia (pois as cordas estavam para destro, num violão para canhoto, ou seja de cima para baixo das finas para as grossas).

Quando eu descobri que podia inverter as cordas o problema se resolveu permanentemente. Então diferentemente do Albert King e Otis Rush, eu toco com as cordas invertidas também para canhoto.

Com o tempo (e um pouco mais de experiência) aprendi que preciso de guitarras canhotas devido à funcionalidade e até mesmo a estétic. Guitarras canhotas são realmente mais difíceis de se encontrar, principalmente aqui no Brasil, mas com o tempo, paciência e muita procura consegui montar um set com o qual estou satisfeito, no qual todas as guitarras e violões são canhotos. A única desvantagem é que eu sempre preciso levar o meu instrumento para qualquer lugar em que eu queira tocar..."

TB - Sei que você tem paixão por instrumentos e amplis, como surgiu esta paixão e quais os brinquedos da sua coleção, que você gosta mais?

TSV - "Certa vez num programa de carros vi uma frase marcante, que diz que "os meninos nunca crescem, só os preços e tamanhos de seus brinquedos". Acho que essa frase vale também para guitarras e guitarristas. Eu não tenho um instrumento predileto, pois procuro usar de acordo com necessidade da banda ou música.

Na Marafa Blues Band, banda na qual toco utilizo uma guitarra Stratocaster (como utilizam Robert Cray e Eric Clapton) para músicas do Howlin Wolf e Albert Collins. Como não gosto de tocar slide com a Stratocaster, uso também uma semi-acustica 335, que é uma guitarra bluesy perfeita para a tocar british blues e slide.

Toco também num projeto tributo aos Rolling Stones chamado Banda Hot Rocks, na qual utilizo uma SG ou Les Paul em músicas como Gimme Shelter e It's Only Rock and Roll, e como na podia faltar uma Telecaster afinada em Open G (afinação usada por Keith Richards e que possibilita "aquele som" único dos Rolling Stones)."

TB - Hoje você está tocando na Marafa Blues, que tem um outro guitarrista incrível, o Cláudio Crotti. Como é trabalhar com outro guitarrista que também toca slide? E como fazer os sons das guitarras soarem tão distintas, sendo que elas estão plugadas diretas nos amplis?

TSV - "Acredito que em uma banda é necessário que os músicos ouçam bem em primeiro lugar, e depois toquem. Assim é mais fácil moldar o som de uma banda. Na Marafa Blues não é diferente, e embora o Claudio e eu sejamos um pouco "pedreiros", nós tentamos tocar apenas o que a banda pede e nada além disso, pois antes de tudo temos muito respeito pelo blues. Embora nós 2 toquemos slide e solos, nós sempre tentamos tocar algo diferente um do outro, e em muitos casos eu abaixo bem o volume da guitarra e a banda soa só com o Claudio, e vice-versa. E essa atitude vale para toda a banda, então a Marafa Blues soa bem concisa, sem exageros. Então estou satisfeito (e eu geralmente sou o chato da banda, que fica no pé de todo mundo... rs), pois a banda soa exatamente como queremos que ela soe."

TB - Sei que você busca a perfeição nas execuções das musicas, assim como a qualidade sonora. Como um bom detalhista, você cobra muito de você mesmo e dos seus companheiros de banda, para que o som saia o mais perfeito possível? Isso é uma qualidade aceita por todos os integrantes das bandas que você toca ou já tocou?

TSV - "Eu não diria que eu sou detalhista, mas me considero muito purista no que se refere ao blues. Gosto e ouço demais Chicago Blues, e gosto da maneira como aquelas bandas soavam, aonde cada músico tocava um pouquinho e era um som cheio. Você escuta isso nos discos do Howlin Wolf e do Little Walter. Então sou reconhecido por ser chato, e me cobro e cobro da banda mesmo!! Rsrsrs...

Me critico e critico a banda também, da mesma maneira que também elogio e reconheço quando o trabalho ficou legal, pois é muito gratificante. Mas quem me conhece e toca comigo sabe que eu sou pego no pé mesmo, mas que é sempre pelo bem do som da banda e sempre com muito respeito. E outra, depois dos ensaios a gente vai tomar uma cerveja e esfria a cabeça.

A amizade é muito importante numa banda."

TB - Társio, é um grande prazer ter você no Blog. Deixo aqui este espaço para seus comentários finais.

TSV - "Roberto, foi uma grande honra participar. É impressionante a quantidade de informações, entrevistas, vídeos e materiais sobre Blues reunidos aqui no blog. Acho muito importante reunir as pessoas que se familiarizam com o blues e o classic rock, pois tem muita gente boa tocando nos bares por ai. Eu só tenho a convidar quem gostar de blues para conhecer o www.myspace.com/marafablues , e aos fãs dos Rolling Stones para conhecerem o www.myspace.com/bandahotrocks."

Escute:

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Mestres das seis cordas com Diego Martins

É impressionante o quanto me surpreendo com o Blues brasileiro a cada dia.

Diego Martins é um garoto de 17 anos, que possui um talento extraordinário, e que mostra nos palcos como se canta e toca o blues.

Resumindo, se eles tem Jonny Lang, nós temos Diego Martins.

TB: Hoje é muito difícil encontrarmos jovens músicos ingressando no Blues. O que te levou a tocar o blues? Há quanto tempo você toca guitarra?


DM: "O meu interesse pela música se manisfestou de fato quando eu tinha 11 anos de idade, pedi um violão ao meu pai e aprendi sozinho alguns acordes que eu via nessas revistinhas de banca de jornal. Aos 12, depois de tanto insistir, ganhei do meu pai uma strato da Austin, muito ruim por sinal (risos), e do jeito que podia fui arranhando-a. Algum tempo depois, um grande amigo, guitarrista e mentor chamado Eric Camalionte me mostrou materiais de algumas bandas de hard rock dos anos 70, Led Zeppelin por exemplo, esse som virou minha cabeça, mas eu me lembro que nenhum daqueles grupos me chamou tanto a atenção quanto o AC/DC, pela simplicidade, paixão, e emoção que transmitiam. Eu sabia que estava à procura de alguma coisa, mas ainda não sabia o que era.

Foi então que procurando informações sobre as influências do Angus Young (AC/DC) eu descobri um tal de blues, procurei pela palavra na internet e fiz download de uma música. A gravação de "My time after a while" do Buddy Guy foi um divisor de águas na minha vida, fiquei embasbacado pela maneira que o cara tocava a guitarra e cantava, não dava pra dizer se ele era um guitarrista que cantava, ou um cantor que tocava guitarra, o que eu achei fantástico, sendo assim, passei a respirar o blues, e faço isso até hoje (risos)."


TB: Quem está tocando com você hoje? Quais são os seus projetos?

DM: "Atualmente toco com meu quarteto "Diego Martins & Mad Fulton´s House", que é formado pelos jovens e talentosos Daniel Kon (guitarra), Hamilton Rodrigues (baixo) e Sérgio Baldassi (bateria).

Dia 16 de agosto gravaremos um CD ao vivo numa festa promovida pelo Estúdio 500 e pretendemos iniciar no final do ano o processo de gravação do primeiro CD oficial, apenas com músicas de minha autoria."


TB: Como você prepara seu repertório? Você tem músicas próprias?

DM: "Eu acredito que as pessoas gostam de ouvir preferencialmente aquilo que conhecem, então procuro executar alguns clássicos do blues, algumas daquelas músicas que os fãs do gênero sempre conhecem, desse modo, o ouvinte tem maior facilidade de se identificar comigo e com a banda, daí então, coloco algumas das minhas músicas no meio, que graças a Deus, sempre foram muito bem aceitas pelo público em geral. Sempre gostei de compor, e sempre senti a necessidade de fazê-lo, pois acho que uma nova geração do blues, nunca será uma nova geração se estiver sempre tentando imitar as gerações anteriores. O Stevie Ray Vaughan por exemplo, sempre mostrava a importância do Albert King na sua maneira de tocar, mas não soava como alguém copiando Albert King, quando a primeira nota era tocada qualquer um sentia que era o Stevie Ray tocando. É isso o que todos os grandes fazem, e é isso que eu estarei sempre buscando."


TB: O que você espera do blues? Onde você pretende chegar?

DM: "Algumas pessoas dizem que o blues está definhando, que não há futuro, mas eu não vejo dessa forma, o Luther Alisson disse uma vez que "o blues é um música espiritual, e não se pode matar um espírito". Infelizmente a minha geração se contenta facilmente com qualquer porcaria que toque nas rádios, porém eu tenho percebido que grande parte dessa galera gosta do blues, só que não conhece nada a respeito, ou muito pouco. Por causa disso, não podemos desistir nunca da idéia de espalhar o blues por todos os cantos, é preciso apresentar o blues pra quem não conhece, e o Brasil é cheio desses "mensageiros", músicos que vêm trabalhando duro há muito tempo, eu simplesmente procuro me espelhar nessas pessoas e fazer um trabalho honesto e sincero para que um dia eu possa ser digno de reconhecimento, assim como eles são."


TB: Diego é muito bom ver sangue novo agitando o cenário do blues brasileiro. Deixo aqui um espaço para seus comentários finais.

DM: "Eu primeiramente gostaria de agradecer pela entrevista e te dar parabéns pelo blog super bacana. Um trabalho bastante importante, que ajuda a preservar o blues como ele merece. Quanto aos meus comentários finais, queria dizer que hoje, aos 17 anos, sinto-me privilegiado e honrado por ter trabalhado e/ou ter o meu trabalho elogiado e respeitado por caras como Val Tomato, Manito, Cracker Blues, Márcio Maresia, Baby Labarba, Big Gilson, Luciano Leães, Igor e Yuri Prado, Chico Blues e Helton Ribeiro, quero sinceramente agradecer essas pessoas. Agradeço também a Deus e toda a minha família que sempre me apoiou, especialmente o meu pai.

Espero que vocês gostem do meu som. Que Deus abençõe a todos vocês e mande vibrações bluseiras pra todos nós (risos). Grande Abraço!"















Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42286097