segunda-feira, 24 de maio de 2010

Key Blues - Adriano Grineberg

Key Blues é o nome do trabalho que o grande pianista Adriano Grineberg acaba de lançar.

Este trabalho é composto de 11 faixas, onde a Rock Boogie é a única própria, as outras são releituras dos mestres do Blues.

O fato mais interessante deste trabalho é que as releituras são completamente diferentes do que costumamos escutar. Repletas de bom gosto e tocadas de maneira genial, mostram a qualidade musical do mestre Adriano Grineberg e sua banda, que é formada por monstros do blues.

Adriano Grineberg Quarteto é composta por Edu Gomes (Guitarra), Rodrigo Jofré (Baixo), Sandro Grineberg (Bateria e Backing Vocals) e é claro Adriano Grineberg (Vocal, piano e tudo que é movido a teclas).

Com um álbum tão incrível como este, fica quase impossível destacar as melhores faixas, mas como não tenho condições de descrever com detalhes todas as faixas, vou destacar algumas.

A primeira música do disco é I can’t be satisfied, que é um som cheio de malandragem, e apesar da frase característica do slide, ela é diferente das versões que você já escutou.

Rock Boogie é a segunda música, e é um instrumental com muita energia, capaz de fazer os mais tímidos chacoalharem o esqueleto involuntariamente.

A faixa cinco é Everyday I have the Blues, uma música quase impossível de se descrever de tão incrível, ela traz um baixo aveludado preenchendo todos os espaços, a linha da batera é algo mágico, dando um clima absolutamente perfeito para a guitarra e o piano desfilarem sem nenhuma preocupação e por fim, a voz dando vida ao som imortal.



Esses sons que escolhi são apenas parte do trabalho, que vale a pena escutar centenas de vezes.

Como comprar?
O Adriano está vendendo o seu trabalho pelo mercado livre.

Escute mais:
http://www.myspace.com/adrianogrineberg

Leia mais:
Entrevista

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Vozes do Blues com Sherman


Carlos Sherman é uma das vozes mais marcantes do Blues nacional, além de ser um maravilhoso compositor.

Se não bastasse o talento musical que este bluesman possui, ele ainda é capaz de atrair grandes instrumentistas para perto de si e com isso formar grandes bandas.

TB: Conte um pouco da sua trajetória musica. Como você foi parar na estrada do Blues e o que te motiva a continuar nela?

CS: "Nasci no Rio de Janeiro em 1965, e desde os cinco anos, grudei na Grundig do meu pai, escutando Ray Charles, Frank Sinatra, Johnny Mathis, Tony Bennett, Beatles, Stones... E esta foi a minha indução, associada ao fato de que a minha família adorava promover festas sempre regadas à boa música; e tento um verdadeiro show man em casa: o meu pai... Um grande cantor amador mas que já subiu em mais palcos do que muito profissional por aí...

Passei o fim da década de 70 e o início dos 80 em Brasília, em meio à cena musical embalada pelo Paralamas, Legião, Capital, Finis Afrikae, Plebe Rude... Foi estonteante... Mas neste tempo, comecei a tocar violão e preferi o caminho da Bossa Nova, e compus as minhas primeiras músicas, que não vem ao caso neste fórum... Em 1986 desembarquei em Campinas, e formei a minha primeira banda, o “Spiritus”, baseado no significado em latim: “respiração”... Um provocação clara, posto que as músicas vinham diretamente de minha crise existencial em relação ao sentido da vida, e da minha vida... A música “Olhos”, regravada com o BlueSky, vem desta época... A primeira gravação rolou em 1988...

O “Spiritus” durou 3 anos e tornou-se “Anima”, seguindo a mesma linha por mais dois anos... Sempre autoral, discursando contra as guerras, fazendo alusões à história, e questionando sobre o sentido da vida, etc... Um Rock Pop com um pé no progressivo, muito autêntico, honesto e vibrante... Nesta época tocamos com o “Zenith” e o “Rosa Mística”... Tocamos em 7 rádios FMs entre Campinas, Valinhos, Vinhedo, Mogi Mirim e Mogi Guaçú... Fizemos shows em estádios de futebol, no Ginásio da Unicamp, Festa do Figo, Festa da Uva, e todas as casas da região... Foi uma trajetória relevante... Em 1991 gravamos ao vivo no Teatro Camerati em Santo André, produção do Cláudio Nucci... Mas o projeto não vingou, e o Nucci deixou muita gente boa na mão... Neste ano o “Anima” encerrou a sua trajetória...

Fiquei cinco anos fazendo algumas apresentações em voz e violão pela região, e subi no palco de muita gente boa, mas não voltei a constituir banda... De 1996 a 200 houve um vácuo na minha carreira, em todos os sentidos... Sentia-me frustrado pela cena nacional... Somente em 2000, retornei à luta, e dedicado exclusivamente ao Blues... Tendo em mente a proposta de fazer a releitura dos clássicos, além de alguns trabalhos autorais... Evitando o cover e a cópia pura e simples... Tentando agregar valor artístico... Trabalhando sobre instrumentos tradicionais, sem muitos efeitos na captação, mas com muita qualidade audio-técnica na mixagem e equalização... Incluindo backing feminino e um certo groovy... Incorporando também alguns clássicos do Rock e do Soul... Foram várias bandas, sendo que as mais duradouras foram o “Bunkin´Flues” e o “Blues S/A”... O “BlueSky” é o nirvana neste processo...

Apesar de relutar muito na definição do nosso som por rótulos, valendo-me dos mesmos somente como termos de referência, podemos dizer que o “BlueSky” começa no Blues e o céu é o limite... Escorregamos facilmente para o Soul e para o Jazz... O groovy está na personalidade de certos músicos da banda e quero aproveitar isso... Defino o nosso som como o New Blues, ou simplesmente o nosso som... O som do “BlueSky”... Como artistas como John Mayer, Robben Ford, o “BlueSky” evoca o blues e toca com liberdade de expressão...

Uma vez conversava com uma amigo, o Roberto Terremoto, e tratava de apresentar uma sessão de gravação que ainda não havia sido escutada por ninguém... BluesMan de carteirinha, disse ao Roberto que “havíamos traído a essencial do Blues”... Mas o Roberto retrucou “que nada, este som é do caramba... Deixe os meninos brincarem... Deixe esta maravilhosa banda solta”... Tenho certeza de que o Roberto não tem idéia de como as palavras dele selaram o destino do “BlueSky”... Blues sim, mas sobretudo músicos livres...."


TB: Você tem alguma preparação para sua voz, antes de entrar no palco?

CS: "Na realidade sou muito preciosista e perfeccionista em relação à qualquer apresentação... Quando tocamos à noite, sigo um ritual por todo o dia... Acordo bem tarde, durmo bem, como pouco, basicamente frutas e um prato de massa 3 horas antes do show... Tomo sempre um vinho, começando uma hora antes do show... Existe uma falsa mística de que alguns líquidos “aquecem” as cordas, quando na realidade não existe contado entre líquidos e as cordas vocais, posto que elas estão no caminho da traquéia e não do esôfago... Mas o meu objetivo com o vinho, além de relax psicológico, e produzir um relaxamento muscular, e que afeta as cordas... Além disso procuro me exercitar, sobretudo fazendo abdominais e fortalecendo a parte lombar... Antes de entrar em cena, faço um aquecimento rápido diante do espelho, que é bem ridículo para ser citado, rsrsrsrsrsrs... Rola um nha, nha, nha, nha, nhi, nha, nhi, nhi, nhan... Brummmmmmmm...

Com uma super careta, típica do Belting, minha técnica... Tenho um preparador de voz, o Rafael Villar, um grande profissional na área de musicais, e um fantástico ser humano... E nunca me apresento sem o meu Neumann KMS 104, e os meus efeitos TC-Helicon (Equaliser e Compressor auto-tunning, não confundir com auto-tone que faço questão de não utilizar; e um super Reverb Stéreo)... Assim fico independente dos recursos no PA... O meu Mic é “condenser”, mas tem um excelente corte de feed-back... Então tenho voz clara, limpa e bem equalizada... Outro ponto fundamental é escolher onde se apresentar... Já passei do tempo de tocar em qualquer lugar... Sempre visito a casa com antecedência, e não aceito tocar sem uma boa passagem de som... Meu próximo passo é tornar-me independente dos retornos, e ter o meu próprio retorno wireless de ouvido... Este recurso tira a curtição do clima no palco, mas em certas situações é essencial.... O Blues nem sempre primou por bons vocalistas, e a voz saia rasgada, muitas vezes suja... Mas vinha de dentro...

Minha voz também vem de dentro, é pode apostar que vivo em estado de Blues, rsrsrsrsrs, mas trabalho uma estética vocal diferente... Quero primar pela boa voz... Dificilmente vemos um vocalista de Blues... A cena comum é ter um guitarrista, gaitista ou tecladista que também canta... No meu caso, cantar é o fim... Cantar bem, de forma clara... “Endurecer si, pero sin perder la ternura”, rsrsrsrsrsrs... Quero seduzir com o meu canto, quero expressar emoção real com meu canto, quero enCANTAR..."

TB: Alem de um grande vocalista, você é um ótimo compositor. Onde você busca as idéias para escrever suas letras?

CS:
"Agradeço duplamente, e vindo de outro grande músico, e profundo entendedor de música, estes elogios muito me orgulham... Tenho um método para compor... Mas a inspiração nem sempre está lá... Existem fases onde posso produzir três músicas em um dia, e períodos onde não adianta sentar pra escrever que não vai rolar... Normalmente, tenho um tema sobre o qual quero escrever... Este é o ponto de partida, porque a melodia tem que coincidir com o tema... Se o tema é profundo e soturno, a melodia virá melancólica... Se estou esbanjando ternura, haverá uma balada à caminho... Então, com o tema na cabeça, a melodia vem... Quase sempre começo a balbuciar o som do baixo e da batera.... E experimento um fraseado vocal ainda ininteligível... Aí corro pro BlackBerry e gravo o esboço do arranjo com a boca... Fica ridículo, mas é esse o caminho, rsrsrsrsrsrs... Depois corro pro violão e encontro os acordes... Quando estou criando a melodia, também insiro o fraseado e a linha de voz... Sem compromisso vou disparando palavras e idéias... Então quase sempre acho o refrão... Existem situações especial como no caso de “I Wanna Be With You Tonight”, em que a letra saiu de um tacada... E não foi retocada... Também nasceu assim abordagem da voz... Tenho muito orgulho desse som... Que está ambientado nos anos 70, e tem um toque psicodélico... Partindo do conceito de que devemos viver o presente porque não conhecemos as chances de estarmos vivos amanhã... Está baseado também no filme “Remember Me”, ainda em cartaz... A tradução da idéia, da gravação do BlackBerry, dos acordes, e da música para a banda, rolou na hora do ensaio, e só tocamos uma única vez, e esta gravação registra este precioso momento... Estou experimentando algo novo, porque estarei compondo pela primeira com outro músico... Farei letra para as músicas do Marcinho Eiras, importante músico paulistano, também conhecido por tocar na banda do Faustão..."

TB: Com quem você anda tocando? Conte um pouco dos seus projetos.

CS: "Estou tocando com a banda dos meus sonhos... Caras que vi tocar e que pouco a pouco pude integrar ao projeto... Primeiramente fui apresentado ao Paulinho Gomes (Guitarra), que também toca com o Elemento Soul, e daí fomos consolidando a banda, que na verdade contou sempre com as sugestões do Paulinho... Eu já conhecia o David Rangel (Contra-Baixo) que toca com o Tony Gordon e com o Trio de Jazz do Bourbon Street... O David também tocou muito anos com o Nuno Mindelis... Trata-se de um dos maiores contra-baixistas em ação no país, e o Celso Pixinga pensa o mesmo... David estará lançando o seu CD solo ainda este ano... Depois veio o meu irmão Vandinho de Carvalho... Um dos maiores bateras deste país... Um baiano pra lá de paulistano, que começou tocando com nada mais nada menos do que o ritimista Carlinhos Brown...

Excursionando com ele pela Europa e Estados Unidos, na maior turnê de um músico brasileiro... Tocou com João Donato, também excursionando pela Europa e Rússia... Tocou com muita gente boa da MPB, e ainda toca com a Família Lima, Negra Li, entre outros... Nos teclados, temos Michel Lima, que também toca com a Negra Li e Vanessa Fallabela... Michel também é produtor de muitos outros trabalhos...

E assumo os vocais diante deste dream team... Estamos planejando uma temporada no The Blue Bar (http://www.thebluebar.com.br/), e gravaremos todos os shows em áudio e em mesa digital... E finalmente registraremos os dois últimos espetáculos também em DVD... Trata-se do melhor palco da cidade... Inimaginável... E você estará super convidado para a cobertura, ou somente para curtir... Este projeto conta com o apoio do Flávio Sanchez... Estou trabalhando em nosso primeiro CD... Tenho aplicado um formato de “ensaio” gravando sempre em multipista (multi-track)... A idéia tem sido, captar um som orgânico, vivo, ao vivo, e aproveitar os melhores momentos... O formato multipista me permite trabalhar e produzir o som... O formato “ensaio” é o disfarce ideal para tirar dos músicos a preocupação de acertar... E assim acertamos muito mais e com vida... O CD está nascendo deste formato... E estamos prevendo finalizar captações em mixagem/equalização em Abril/Maio, masterização em Maio/Junho, e fazer o lançamento aqui em São Paulo no Bourbon Street, e em Ribeirão e São José do Rio Preto com o pessoal do Vila Dionísio....

A participação do pessoal do Estúdio 500 é primordial, e este trabalho tem sido possível graças ao apoio do Douglas, e ao super Luciano, e toda a galera do 500... Ensaiar e trabalhar no lugar certo e com recursos técnicos e humanos de primeira linha, é parte da receita do sucesso... Também temos sido apoiados por nossa produtoras, a Lucas Shows, capitaneada pelo antológico Herbert Lucas, que entre outras coisas foi o responsável pela vinda de artista do calibre de B.B. King ao Brasil... A Lucas trabalha de forma séria e comprometida, com um “cast” de altíssimo nível.... É uma honra fazer parte dessa família.... E agradeço especialmente à Thaís e ao Beto, o casal mais lindo e competente da cena da produção musical no Brasil..."


TB: Sherman é um grande prazer ter você no blog. Deixo aqui este espaço para seus comentários finais.

CS: "Como dizia Jimi Hendrix, “o Blues é fácil de tocar e difícil de interpretar”... “I was born, in a crossfire hurricane – Rolling Stones”... Obrigado pela oportunidade, um forte abraço, e uma linda vida a todos..."




I Wanna Be With You Tonight (Carlos Sherman)




Got My Mojo (Preston Foster)
Veja mais:

terça-feira, 6 de abril de 2010

Item de Colecionador - Early to Marry do mestre Artur Menezes

Inauguro hoje uma nova coluna no Blog, Item de Colecionador. Neste espaço vou mostrar CDs nacionais, que todo o amante de Blues brasileiro deve ter em seu acervo, e para estrear, nada melhor do que um álbum incrível, desde a arte do encarte e os detalhes sonoros registrados neste trabalho.

Artur Menezes é um Cearense de 24 anos, que mesmo com pouca idade mostra que é muito maduro musicalmente.

O álbum Early to Marry foi gravado no final de 2009, mas teve seu lançamento em março de 2010. Early to Marry é composto por 9 faixas, repletas de swing, malandragem, energia e muita competência.

É quase impossível eleger a melhor música do álbum, mas coloco em destaque três sons.

O primeiro é a majestosa Early to Marry,que dá nome ao álbum. Uma música com muito estilo e que tem um timbre maravilhoso de guitarra. Logo de cara você pode notar que a banda é composta de monstros, que sabem muito bem como se deve tocar o Blues.

Please, give me a chance é um som incrível, com muito swing e um solo de fazer a alma arrepiar. Não existe virtuosismo em nenhuma das faixas, isso é algo que valoriza muito o álbum e principalmente esta faixa.

Um som cheio de energia é a faixa Let me Show you. Aqui o mestre Artur mostra que sabe tudo de guitarra e faz exatamente o que quer com ela nas mãos.

Para finalizar digo, este álbum cheio de elementos, sonoridade e muito bom gosto, deve fazer parte da sua coleção.

Site: Artur Menezes
Para comprar o Album: Blues Time Records





domingo, 28 de março de 2010

Vídeo da Semana - Gaspo Harmônica

O Grande Gaspo postou alguns vídeos novos no youtube, e aqui vai um deles.



domingo, 24 de janeiro de 2010

CD Coletânea

Olá Bluseiros e Bluseiras,

Para quem não sabe, nós temos a Máfia da Mortadela, que é uma união das Bandas de Blues, com o objetivo de divulgar o Blues Nacional.

Então, pensando em uma boa maneira de iniciarmos um trabalho bacana em 2010, estamos com um projeto de um CD de Blues em português. A idéia principal é selecionar 10 bandas ou artistas, com um blues em português própria ou com uma música instrumental, com nome em português também próprio.

Portanto, este trabalho será uma coletânea, onde todos os custos serão divididos, os CDs prensados serão divididos em partes iguais entre as Bandas.

A banda entregará uma música com letra própria em português ou uma música instrumental, gravada e masterizada com qualidade profissiona, até 15-02-2010.

O valor dos custos da prensagem, da arte e outros, deve ser pagos junto com a entrega da música. Não temos o objetivo de lucrar com este projeto, por este motivo, todos os valores gastos serão abertos para todos. Porém a única coisa que queremos é a qualidade do trabalho.

Já contamos com a participação de algumas bandas:

- Brisa(SP)
- Marafa Blues(SP)
- Bimbolls Brothers(SP)
- Blues on the Table (SP)
- Have Mercy (SP)
- Banndana Blues(RJ)
- Myga(SP)
- Fabio Levatti e Banda(SP)
- Distintivo Blue(BA)
(Clique nos links acima e veja os vídeos das Bandas)

Link da Comunidade da Máfia da Mortadela no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=32752991



sábado, 16 de janeiro de 2010

Mestres do Slide com Ari Frello

Ari Frello é um blusman de uma qualidade impressionante. Seus slides são nervosos e precisos, sua voz é grave e poderosa e suas letras tem histórias para serem ouvidas e apreciadas.

Este é mais um talento de Santa Cataria, que está disposto a ir onde for necessário para mostrar o seu Blues.

TB: O Blues na sua vida veio depois do Gospel. Como isso aconteceu? Conte um pouco da sua trajetória musica.

AF: "Eu ouço blues dez de criança. Sempre fui apaixonado pelo estilo, pela quantidade intensa de sentimentos que se encontra nos ritmos africanos, e o blues para mim que o melhor de todos.

O Gospel na verdade só fez com que tudo fosse maximizado. A igreja que congregava quando adolescente era bastante tradicional, eles tinham por costume preservar as musicas de séculos atrás para tocar nos cultos, musicas essas que foram trazidas pelos missionários americanos. E na real, é tudo blues meu amigo, ta tudo ali é só pesquisar ou conviver com as pessoas certas como aconteceu comigo. Você pode conferir isso em filmes como Black Snake moan e O Brother, Where Art Thou.

Atualmente estou trazendo tudo isso no meu novo trabalho entitulado de Pra onde eu for, será um EP com 4 musicas. Terá muito slide, harmônica e muito sentimento."

TB: Escutei algumas de suas músicas e suas letras em português são muito boas. Qual é o seu processo de composição?

AF: "Primeiro quando de faz uma musica você precisar querer falar algo pras pessoa, uma opinião, um sentimento, uma idéia positiva. Eu sempre tenho mais de um assunto rodeando a minha mente ai é só esperar vir a melodia que no meu caro sempre é por acaso, ai é criar uma letra em cima daquilo que quero falar. Essa forma de compor eu aprendi a uns 5 anos, sou compositor dez dos 17 anos de idade, mais acho que essa é a forma que deu mais certo até hoje."

TB: O slide é muito presente em suas músicas, sua forma de tocar lembra muito os mestres do Delta. O que te fez usar o slide?

AF: "Eu decidi escolher o slide aos 18 anos por me identificar mais a forma de tocar, principalmente com afinações abertas. E ainda mais pelo lance do Delta mesmo, por ser canções de bons sentimentos e não só de lamento como muitos inicialmente pensam. E para reproduzir um Delta, tem que ser com slide."
TB: Que tipo de afinação você mais utiliza para tocar slide?

AF: "Eu uso duas afinações, uma em D. = 1 D – 2 A - 3 F# - 4 D – 5 A – 6 D, e também uma em G que é em 1 D – 2 B – 3 G – 4 D – 5 G – 6 D, como o grandioso Son House usava. Com um capo traste praticamente se pode tocar em todas as notas usando essas duas afinações."

TB: Você está preparando um CD de Blues. Quais as maiores dificuldades que você encontrou até agora para fazer o CD? Quando você pretende lançar?

AF: "Eu acho que a maior dificuldade para um bluseiro lançar seu primeiro trabalho é a opinião contraria das pessoas, parentes e amigos. Porque difícil toda pessoa do meio mundo sabe que é, já se espera dificuldades comuns. Mas fico feliz que aqui no sul, cada vez mais as pessoas estão procurando a boa musica, creio que isso mudará o senario do Blues em meu estado e nos nossos visinhos também."

TB: Ari, é muito bom receber no Blog um grande talento igual a você. Deixo aqui este espaço para suas considerações finais.

AF: "Eu que agradeço Roberto, Fico muito feliz pela iniciativa sua e de outros parceiros que tem feito de meios de comunicação como a internet, uma forma de levar o blues as pessoas, nos artistas precisamos de apoiadores como você.

E quem quiser conferir mais sobre meu trabalho basta acessar o meu site: http://www.arifrello.com/, lá vocês poderão conferir o andamento do CD no diário de produção, com fotos e vídeos de tudo que acontece no processo de gravação de cada musica. E quem quiser levar o Ari Frello para sua cidade bastar enviar um email para ari.frello@gmail.com ou ligar para 48 99770232.

Grande abraço a todos e viva o Blues."





domingo, 15 de novembro de 2009

Vídeos da Semana

Décio Caetano no Confraria.


Índigo Blues -Trem do Pantanal -Almir Sater

Banda Índigo Blues de Belém do Pará tocando "Trem do Pantanal" de Almir Sater (Paulo Simões e Geraldo Roca) no Programa Café Cultura da TV Cultura do Pará, gravado em 14.12.2007.

Val Fonseca (Gaita), Zé Puget (Violão 12 Cordas), Marcelo Lúcio (Slide Violão Dobro)e Vinícius Leite(Violão).


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

05-11-2009 Super show dos The Hookers

Nos últimos meses, com a lei anti-fumo, que vigora em São Paulo, os bares com música ao vivo tem perdido muitos clientes, que já tinham diminuído muito por conta da Lei Seca. Com isso os shows de blues diminuíram muito.

Mediante a esses fatos, os convites que eu recebia para shows de blues quase se extinguiriam, mas esta semana recebi um flyer para um show em um ateliê e resolvi conferir, afinal a banda The Hoockers é repleta de bluseiros de primeira qualidade.

Como fui direto do trabalho e tinha no porta malas do meu carro meu violão resonetor, arrisquei e levei ele junto para o show. Ao entrar no local, me surpreendi com a decoração, que foge totalmente dos bares convencionais de São Paulo. Isso não é de se estranhar, pois o lugar é um ateliê e não um barzinho, mas o que me cativou foi que o local é repleto de objetos antigos, entre eles sofás, cadeiras poltronas, mesa de jantar e todos os tipos de bancos e móveis, além de objetos diferentes que compõem uma harmonia incrível.

O publico me surpreendeu muito, pois o ateliê estava repleto de pessoas animadas prontas para escutar e dançar o bom e velho blues.

Depois desta descrição do local, devo focar no assunto mais importante da noite, que foi o som maduro e perfeito da banda. Realmente foi um espetáculo que eu estava desacostumado a ver.

A banda é composta por feras, entre elas o meu grande amigo Rodrigo Burin(Guitarrista), que sempre me surpreende com seu solos e bases únicas, o Fernando Rapolli(Bateria), um músico com uma vasta experiência e que toca blues como poucos, Chico Suman(Vocal e Guitarra), tem um dos melhores vocais que já escutei em todos os tempos, além de dominar a guitarra com segurança e a elegância dos grandes mestres de Chicago e por fim o Paulo “Big Blue”(Vocal e Baixo), tem uma voz poderosa e grave além de dar uma aula com as linhas de blues que executa em seu contrabaixo.

O repertório é um dos melhores que já escutei, é repleto de clássicos e contém composições próprias, sendo uma delas a que fui chamado para tocar com meu resonetor. Posso dizer que foi uma experiência incrível, me senti como se estivesse em Chicago.

Esta banda tem grandes diferenciais, como os dois vocalistas que tem características vocais completamente diferentes, as guitarras que seguem melodias diferentes, evitando aquele bolo sonoro e uma cozinha muito bem entrosada.

Mediante aos grandes elogios descritos neste post, digo para vocês, fiquem de olho e ouvidos abertos para esta banda e podem ir sem medo ao próximo show deles na Liège, pois a experiência é única.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Luthieria com Mr Dark Blue Eyes

Mr. Dark Blue Eyes é um pesquisador e um grande amante do Blues, sua paixão o levou a construir réplicas de instrumentos musicais, totalmente rústicos e com materiais reciclados.

TB: Como surgiu a idéia de construir as Cigar Box Guitars e os washboards?

DBE: "Descobri as cigar box guitars e os washboards pesquisando sobre o blues,suas origens e os primeiros instrumentos usados.Como os negros ex-escravos não tinham condições de comprar um instrumento industrializado, eles começaram a adaptar.Caixas de charutos que viravam guitarrinhas,tabua de lavar roupa que virava instrumento de percussão...Fiquei encantado com esses instrumentos,os sons que eles produzem, com a criatividade desse povo, os personagens que criaram e desenvolveram o blues....estou pesquisando,todo dia, há mais de 8 meses, e todo dia conheço um personagem,musico, diferente.(VIVA A INTERNET, O GOOGLE,WIKIPEDIA E O YOUTUBE MINHAS PRINCIPAIS FONTES DE CONSULTAS).Cada personagem,cada história de vida...E o site,criei justamente para difundir aqui no Brasil, as origens do blues e os primeiros instrumentos usados."


TB: Seus instrumentos são construídos com material Reciclado. Qual o motivo para essa escolha?

DBE: "Assim como eles usavam materiais reciclados para a confecção dos instrumentos, adotei a mesma idéia. Eles usavam porque não tinham grana,condições, e tinham q se virar com o que aparecia,eu uso por opção, por ser ecologicamente correto e esteticamente bem interessante,diferente.


O uso de materiais reciclados é parte fundamental do conceito das minhas rustic guitars.Quero manter o mesmo conceito que eles tinham, reciclar e criar com o que tiver à mão.Esse é o legal das cigar box guitars,elas não tem um padrão.Uma caixa de charuto,um cabo de vassoura,um arame e mais algumas pecinhas e os caras iam defender o leitinho das crianças, ou a agua que passarinho não bebe,rs, na esquina movimentada do pedaço...mas eu uso tarracha de guitarra importada e cordas de aço novas,as unicas "peças originais"."

TB: Em linhas gerais, como é o processo de fabricação? Quanto tempo leva para fabricar uma Cigar Box?


DBE: "Bem simples,escolho uma madeira boa,legal,para o braço,corto,passo verniz, faço os furos pras tarrachas e na outra ponta fixo uns suportes para as cordas, corto a caixa de charuto, fixo o braço, ponho a ponte e o capotraste e já é rsrsrrs,levo por volta de umas 3 horas para finalizar uma cigar box acustica,ja as eletricas levam um pouco mais de tempo."

TB: Mr DarkBlueEyes, muito obrigado por participar do Blog, deixo agora este espaço para suas considerações finais.

DBE: "Quero agradecer o espaço, o convite para a reportagem e quero deixar aqui minha sincera homenagem aos meus pais, que me iniciaram no maravilhoso mundo da música e a alguns grandes mestres do blues, na verdade, seus verdadeiros criadores: LEADBELLY, CHARLEY PATTON, SON HOUSE, WILLIE BROWN, TOMMY JOHNSON, BLIND WILLIE JOHNSON, entre outros, nomes que a grande maioria dos amantes do blues desconhece, mas sem esse figuras nem mesmo Robert Johnson teria tido o rumo que teve.

Paz, amor e muito blues...."

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Vídeo da Semana

Entrevista com Tiffany Harp Gaitista na Furb TV em Blumenau.